Durante a feira, ficou claro o clima de satisfação dos produtores, em relação aos resultados que têm obtido e com o grande e crescente interesse por parte dos compradores pelos cafés produzidos.
O Sebrae/MG realizou uma missão para levar um grupo de produtores a SCAA, e alguns deles deram depoimentos do sucesso que têm obtido na atividade cafeeira com a certificação Fair Trade e o apoio do Sebrae.

Guido Reghin Filho
- Presidente da UNIPCAFEM (União de Pequenos Produtores de Cafés Especiais dos Martins)
- Produz café no Sítio Guido, Varginha - Sul de Minas
- Produção de café: 20 hectares
- Certificado Fair Trade desde 2008
Guido comenta que passou a conhecer o trabalho do Fair Trade através da Vanúsia Nogueira, diretora executiva da BSCA.
Porque certificar Fair Trade?
A busca pela certificação Fair Trade surgiu da necessidade de se organizar, de melhorar a produtividade e qualidade do café produzido, e para buscar vantagens na comercialização.
Início
A dificuldade inicial era mais em relação a informação do que a adequação. Por isso, Guido comenta que levaram 3 anos para conseguir a certificação FT.
Mudanças e resultados
As mudanças foram visíveis e hoje a propriedade é muito bem gerenciada, além de ter melhorado a comercialização e as ações sociais e ambientais dentro da propriedade. Outra vantagem foi a obtenção de valor agregado ao café vendido.
Atualmente Guido e outros 83 produtores do grupo certificado vendem café para EUA, Europa e Ásia. A produção exportada é de 20 mil sacas e a produtividade média é de 40 sc/ha.
Dificuldades
As principais dificuldades são em relação a variação do mercado. Guido comenta que o mercado é muito volúvel e incerto e que há dificuldade para o nivelamento de todos os produtores do grupo de acordo com a certificação, pois as propriedades e produção devem manter um certo padrão.
Guido Reghin Filho acredita que o Fair Trade dá oportunidade ao pequeno produtor em se organizar de forma que possa colocar seu produto no mercado com agregação de valor, além de contribuir para parte social e ambiental de sua comunidade com o valor do prêmio recebido pelo café.
Guido, que esteve na SCAA, comenta que a feira é muito importante para ter contato com os importadores, mas afirma que não costuma fechar negócios na feira, mas sim posteriormente.
André Luiz Reis
- Diretor presidente da Cooperativa dos Produtores de Café Especial de Boa Esperança
- Produz café na Fazenda Felícias, Boa Esperança/MG
- Produção de café: 12 hectares de café natural
- Certificado Fair Trade desde 2007
Porque certificar Fair Trade?
André buscou a certificação porque tinha dificuldade com a questão política e comercialização
Início
No início os produtores do grupo ficaram receosos em certificar pois acharam que os custos aumentariam e não conseguiriam encontrar mercado para os cafés certificados. "Neste momento entrou o Sebrae, levando os produtores à feira SCAA, para aproximá-los do mercado Fair Trade, mudando a visão e abrindo assim novas oportunidades", comenta André.
Mudanças e resultados
Muita coisa mudou, comenta ele. Mudaram os tratos culturais, adequação das normas, diminuiu o uso de defensivo químico, aumentou a produtividade e melhorou a qualidade e a renda.
Começaram então a trabalhar a divisão de microregiões, com agricultura de precisão para a cafeicutlura. "Cada região tem uma necessidade, tem uma particularidade e precisa de tratos culturais diferentes", comenta André.
Com esse trabalho, em poucos anos conseguiram eliminar problemas que possibilitaram aumento de produção de 37% em 3 anos, com melhoria de qualidade em torno de 40%, enviando assim mais café para o exterior.
"Tudo isso foi conseguido graças ao Fair Trade, que financia os testes, sementes, análise de solo, etc."
O grupo de produtores da região em que André está é de 100 produtores.
Segundo ele, Sebrae/MG ajudou os produtores a melhorarem a comercialização e criou oportunidades para eles.
Dificuldades
A maior dificuldade é crescer dentro dos critérios, respeitando as regras sem perder o foco.
André afirma que tem dados que coprovam que conseguiu-se agregação de valor ao café depois da certificação FT.
A média de produtividade do grupo é de 28 sc/ha e atualmente o grupo vende café para a Inglaterra, EUA, Canadá.
O produtor acredita que a feira (SCAA) tem o papel de consolidar o espaço que estão criando com o café FT, onde consegue fazer contatos para fechar negócios futuros e manter o relacionamento com compradores.
José Astrogildo
- Produtor de café em Patrocício/MG
- Produção de café: 15 hectares de café natural
- Ainda não possui a certificação Fair Trade, porém está em processo de obtenção.
José Astrogildo participa do Projeto Educampo, desenvolvido pelo Sebrae. Depois disso, segundo ele, muita coisa mudou na propriedade. O Educampo possibilitou a melhoria de custos e o planejamento da propriedade.
"Tem que ter tecnologia para conseguir redução de custo."
Porque certificar Fair Trade?
Através do Sebrae José Astrogildo conheceu o Fair Trade. "Não teve muita exigência, muita mudança na fazenda pois a fazenda já é certificada do Café do Cerrado.
A busca pela certificação foi para conseguir colocar melhor seu café no mercado e conseguir melhorias na propriedade.
Dificuldades
A maior dificuldade é ter acesso a novos mercados. "Qualidade eu já tenho."
Resultados
Mesmo ainda não possuindo certificado Fair Trade, durante a SCAA José Astrogildo fez contato com compradores dos EUA, da Rússia e outros países. De acordo com ele, muitos já tem interesse pelo seu café, mas ainda não fechou negócios pois não é certificado.
Natália Fernandes, enviada a Houston pelo Sebrae/MG.
