Carvalhaes: estoques de café continuam caindo

Estamos no início de fevereiro, faltando praticamente cinco meses para o começo do novo ano-safra, que será de ciclo baixo com produção significativamente menor que as necessidades brasileiras para exportação e consumo interno. Nesse cenário é difícil que tenhamos mudanças significativas nos estoques certificados da BM&F e o quadro deverá se repetir em maio.

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O mercado de café mostrou-se firme, com as cotações em alta e os fundamentos apontando para uma escalada ainda maior nos preços. Já na segunda-feira (31) as cotações do café na BM&F fecharam com diferencial positivo de cinco cents em relação às cotações da ICE Futures US. Esse diferencial tradicionalmente é negativo em 15 a 18 cents por libra-peso, mas a escassez de cafés arábica de boa qualidade no mercado físico brasileiro resulta em um volume muito baixo de lotes certificados na bolsa paulista, tornando real a possibilidade de "squeeze" na liquidação dos contratos com vencimento em março próximo.

Estamos no início de fevereiro, faltando praticamente cinco meses para o começo do novo ano-safra, que será de ciclo baixo com produção significativamente menor que as necessidades brasileiras para exportação e consumo interno. Nesse cenário é difícil que tenhamos mudanças significativas nos estoques certificados da BM&F e o quadro deverá se repetir em maio.

Também na ICE em Nova Iorque os estoques certificados continuam caindo. A quebra de safra na Colômbia e nos produtores da América Central, além dos problemas com qualidade devido às intensas chuvas no período de colheita, apontam que a dificuldade para se conseguir lotes certificados em Nova Iorque deverá prosseguir.

Refletindo a situação de escassez de oferta, as cotações em Nova Iorque romperam a barreira dos 2,50 dólares por libra-peso e ontem atingiram o maior patamar em 13 anos. Também subiram as do robusta na Euronext Liffe, a bolsa de Londres, atingindo seu valor máximo em 27 meses no contrato para março próximo.

O mercado físico brasileiro foi firme, mas muitos negócios não foram fechados com a resistência dos produtores em vender nas bases oferecidas pelos compradores. As ofertas muitas vezes não refletem as altas indicadas pelas bolsas de futuro e o cafeicultor, consciente da escassez de café no mercado brasileiro e internacional, adia vendas aguardando preços mais justos.

Até o dia 31, os embarques de janeiro estavam em 2.439.760 sacas de café arábica, 63.567 sacas de café conillon, somando 2.503.327 sacas de café verde, e 190.268 sacas de solúvel, contra 3.405.966 sacas no mesmo dia de dezembro. Até o dia 31, os pedidos de emissão de certificados de origem para embarque em janeiro totalizavam 2.819.601 sacas, contra 3.230.570 sacas no mesmo dia do mês anterior.

A bolsa de Nova Iorque - ICE, do fechamento do dia 28, sexta-feira, até o fechamento de sexta-feira, dia 4, subiu nos contratos para entrega em março próximo, 430 pontos ou US$ 5,68 (R$ 9,51) por saca. Em reais por saca, as cotações para entrega em março próximo na ICE fecharam no dia 28, a R$ 546,41/saca e o dia 4, a R$ 552,37/saca.

As informações são do Escritório Carvalhaes, resumidas e adaptadas pela Equipe CaféPoint.
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