Carvalhaes: bases atuais prejudicam o café arábica

Na opinião do escritório Carvalhaes, a manutenção, no próximo ano, das bases praticadas atualmente não será suficiente para tornar a produção de café arábica novamente um bom negócio. Além da forte depreciação do dólar em todo o mundo, os custos de produção crescem ano após ano. O salário mínimo brasileiro vem subindo acima da inflação, além dos preços dos fertilizantes, defensivos e implementos agrícolas, que com a forte demanda mundial são continuamente reajustados. Para agravar a situação, o crescimento das exportações e do consumo interno de diversos produtos agropecuários, elevou a procura e os preços das terras, tornando ainda mais decepcionante o resultado financeiro da produção de café arábica.

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Segundo boletim do escritório Carvalhaes, o mercado físico de café apresentou-se calmo, com poucos lotes levados ao mercado pelos cafeicultores, que não mostram interesse em vender nas bases oferecidas pelos compradores. Analistas, aqui e no exterior, começam a admitir que os preços do café não devem ceder no próximo ano, apesar da próxima safra cheia do Brasil, maior produtor e exportador. O fim dos estoques oficiais e os problemas climáticos que impedirão uma colheita recorde no Brasil motivam esta reversão nas expectativas.

Na opinião do escritório, a manutenção, no próximo ano, das bases praticadas atualmente não será suficiente para tornar a produção de café arábica novamente um bom negócio. Além da forte depreciação do dólar em todo o mundo, os custos de produção crescem ano após ano. O salário mínimo brasileiro vem subindo acima da inflação, além dos preços dos fertilizantes, defensivos e implementos agrícolas, que com a forte demanda mundial são continuamente reajustados. Para agravar a situação, o crescimento das exportações e do consumo interno de diversos produtos agropecuários, elevou a procura e os preços das terras, tornando ainda mais decepcionante o resultado financeiro da produção de café arábica.

Como já aconteceu com diversos produtos cotados em bolsa, segundo o boletim, os preços do café arábica precisam mudar de patamar, para tornar sua produção novamente um bom negócio. Enquanto o consumo de café se sofistica em todo o mundo - com novos lançamentos e formas de preparo, cafeterias cada vez mais luxuosas e em maior número, atraindo novos consumidores, gerando lucros e trazendo grandes empresas para o setor - a produção da matéria prima para esta enorme cadeia de negócios vai sendo desestimulada por cotações irreais, definidas por interesses de curto prazo de especuladores e fundos de investimentos.
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Arnaldo Reis Caldeira Júnior
ARNALDO REIS CALDEIRA JÚNIOR

CARMO DA CACHOEIRA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 20/12/2007

Prezados senhores;

O escritório Carvalhaes sempre mostra sinais e uma tendência para o mercado de café! O sentimento expressado em sua carta mostra um cenário que está bem perto de acontecer. Em palestras que temos participado as colocações sobre custos de produção tem mostrado valores de R$ 280,00 à R$ 380,00 por saca de café colhida. Basicamente determinado pelo grau de mecanização e tecnologia do cafeicultor! Enquanto estamos tendo uma receita de R$ 250,00 por saca de café!

O desânimo entre os produtores é geral!

Além da frustração de safra que é real, ainda temos que honrar com as dívidas contraídas durante os anos passados. Produzir café esta virando uma atividade agonizante.

Quem viver verá!
aimberê engel macedo
AIMBERÊ ENGEL MACEDO

BARUERI - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 19/12/2007

CAFÉ TROVADO E MORDIDO

Foi trazido ao Brasil
E plantado ele vingou,
Fez da pátria mãe gentil
E depressa se espalhou.

Das arábias ele veio
Pra deitar sua raiz,
Desde então foi um esteio
Das riquezas do País.

Quando ponho o pó na água
No limite da fervura
Some toda minha mágoa
Embutida na amargura.

Eu confesso que o café
Me seduz com seu perfume
Que penetra qual rapé
Faz me aceso: Um vaga lume!

Acordar de manhã cedo
Já sentindo aquele aroma
Traz de volta o velho enredo
De outro dia que se soma.

Rosca, pão e ovo mexido;
Bolachas doces e até
Yogurte bem batido
Nada são sem o café.

Quando cai em minha boca
Um café de qualidade
A papila fica louca
Na maior felicidade.

Se entregando ao prazer
Do pretinho tão gostoso
Não consegue se conter
Salivando em pleno gozo.

Muitos gostam mais de chá
Uma herança dos Chineses
Mas igual café não há
Só na empáfia dos Ingleses.

Vejam só que coisa boa
Esse tal de cafezinho
Junta gente que está à-toa
Pra falar de algum vizinho.

E lembrar essa beleza
Do vermelho lá no pé
Que completa a realeza
Da flor branca do café.

Com a chegada do "espresso"
O café virou "alguém",
Mesmo quando com excesso
Já não tem pra mais ninguém.

Sendo espresso é uma gafe
Adoçá-lo com que for,
Lá na França de Piaf
No café põe-se licor.

Hoje em dia só se fala
Nesse tal "café gourmet"
Bem tratado nos embala
Tanto quanto um bom CD.

Nesse mundo dominado
Por miséria e por conflito
O café é um aliado
Do coitado e do aflito.

Requintado como é
Necessita de cuidados
Desde quando está no pé
Aos seus "blends" variados.

A colheita é um momento
Delicado já se sabe
O peão pede um aumento
E seu dono quer que acabe.

Adubá-lo com ciência
Combatendo as suas pragas
Multiplica a competência
Pra deixar as contas pagas.

O seu preço é regulado
Pela bolsa de valores,
Como sempre é derrubado
Pelos fundos "vendedores".

Só se houvesse uma OPEC
Ajustando a produção
Para o preço virar cheque
Bem polpudo em nossa mão.

Falo como produtor
Sempre envolto em apuros,
Apesar do seu labor
Têm nos bolsos grandes furos.

Quem produz ao céu só pede
Que a geada passe ao largo
Muito embora o que sucede:
"Muito fruto preço amargo".

Crença há que o produtor
Abra sempre o seu bué
Quando o rico comprador
Paga pouco em seu café.

São calúnias deslavadas
Fazer dele chorão mor,
Rolam lágrimas minguadas
Comparadas ao suor.

Para o leigo estou abrindo
As janelas desse mundo
Pra que saiba que estou rindo
Mas que o choro está no fundo.

É verdade que a ganância
Não nos deixa ver à hora
De vender em concordância
Com a escassez que haja lá fora.

Muitas vezes é o medo
Que nos faz precipitados
Ao vendermos muito cedo
Sacas nobres por trocados.

Ser esperto é preciso
Pra fugir da hora errada,
Pois senão o prejuízo
Ganhará de goleada.

Sendo agora bem sincero
Nada como a tal da sorte
Pois juntar samba e bolero
Nem Sansão que era bem forte

Por café sinto paixão
Como fosse namorada
Sempre espero que ele não
Fique ausente na florada.
Marcelo Reis Pereira
MARCELO REIS PEREIRA

SÃO GONÇALO DO SAPUCAÍ - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 19/12/2007

Agradeço o artigo interessante do escritório Carvalhaes.

O que nós cafeicultores podemos tirar de conclusão com isto é que o mercado de café tende a se tornar parecido com o de leite onde o ganho está no aumento do rebanho. No café especificamente o ganho resume-se exclusivamente a valorização das terras tornando tal atividade de "sub-existência" ou melhor o lucro é apenas a valorização da terra e sucateamento da estrutura e lavouras já instaladas.

Neste ano de 2007 o que fica para maioria dos cafeicultores do sul de Minas é que flor não é fruto, fruto não é grão, grão não é café e café não é dinheiro. Portanto, desta maneira, o que devemos fazer é repensar o nosso negócio, se vale a pena produzir café. A máxima do leite também se aplica aqui. Produzir café ou cafés especiais é a melhor maneira de se empobrecer especialmente e devagar, na ilusão do próximo ano todos os problemas e as condições melhorarem.

A todos os fundos de investimentos e especuladores cabe aqui também uma colocação se o café continuar sendo um negócio que não remunera o produtor e apenas quem trabalha com o pós-porteira é bom desenvolver um aramo artificial de café para colocar nos contratos, digo papéis, negociados nas bolsas, pois logo o que vão consumir nessas casas luxuosas de expresso que vendem café é papel torrado pois não vai existir tal produto mais - aquele que a planta produz - pois não compensa.

Feliz natal e prospero ano novo a todos da cadeia produtiva do café.