Carvalhaes analisa mercado cafeeiro na semana

Tivemos mais uma semana de mercado firme e bolsas de futuro em alta. O início da safra brasileira de café 2010/2011 esta surpreendendo muitos operadores. O estoque total brasileiro de passagem no último dia 30 de junho, quando terminou oficialmente o ano safra brasileiro 2009/2010, foi provavelmente o menor dos últimos cem anos, não atingindo cinco milhões de sacas em mãos da iniciativa privada e governo federal.

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Tivemos mais uma semana de mercado firme e bolsas de futuro em alta. O início da safra brasileira de café 2010/2011 esta surpreendendo muitos operadores. O estoque total brasileiro de passagem no último dia 30 de junho, quando terminou oficialmente o ano safra brasileiro 2009/2010, foi provavelmente o menor dos últimos cem anos, não atingindo cinco milhões de sacas em mãos da iniciativa privada e governo federal.

Neste quadro, o Brasil, maior produtor, maior exportador e segundo maior consumidor de café do mundo, contará na prática apenas com a nova safra para atender suas necessidades de exportação e consumo. Quando chegarmos a junho de 2011, novamente os estoques de passagem estarão perigosamente baixos e teremos pela frente uma safra de ciclo baixo. É bastante claro que não podemos nem pensar em um problema climático.

Os estoques dos principais concorrentes do Brasil e dos países consumidores também são baixos, além de não sabermos a qualidade desses cafés. Para completar, os estoques de cafés certificados na bolsa de Nova Iorque (ICE Futures US), principal termômetro do mercado internacional, caem dia após dia e devem continuar caindo até dezembro quando começam a entrar no mercado as novas safras da Colômbia e América Central.

Se adicionarmos a esta análise o novo momento da economia brasileira, que cresceu e se modernizou espetacularmente nos últimos 20 anos, tornando as atividades cafeeiras pequenas em relação à nova dimensão de nossa economia, fica difícil imaginar que o mercado de café fique dentro das amarras em que foi contido nas últimas décadas.

Novas ferramentas financeiras foram criadas, existem financiamentos suficientes para o cafeicultor não se sentir obrigado a entregar sua produção a qualquer preço, além de alternativas na área agrícola (o café, que em 1960 era responsável por 50% da receita cambial brasileira, hoje esta apenas em sexto ou sétimo lugar no ranking das exportações agrícolas brasileiras).

A arrecadação de impostos no Brasil nos sete primeiros meses do ano foi mais de noventa vezes maior que a receita cambial de um ano de exportação de café.

Dentro desta nova realidade de nossa economia fica difícil imaginar que os brasileiros vão continuar a se sujeitar a produzir café para vendê-los a preços de subsistência. Os preços do café precisam mudar de patamar como já aconteceu com os de outras commodities.

A bolsa de Nova Iorque - ICE, do fechamento do dia 23, sexta-feira, até o fechamento de sexta-feira, dia 30, subiu nos contratos para entrega em setembro próximo, 1 030 pontos ou US$ 13,63 (R$ 23,93) por saca. Em reais por saca, as cotações para entrega em setembro próximo na ICE fecharam no dia 23, a R$ 386,47/saca e no dia 30, a R$ 410,92/saca.

As informações são do Escritório Carvalhaes, resumidas e adaptadas pela Equipe CaféPoint.
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