Vânia de Oliveira Franco, assessora de imprensa do Deputado Federal Carlos Melles - presidente da frente parlamentar do café - enviou ao CaféPoint o pronunciamento proferido no dia 24 de Maio, em comemoração ao Dia Nacional do Café. Segue abaixo o texto na íntegra.
Temos hoje a referenciar o Dia Nacional do Café. O grande produto da agricultura nacional que serviu de base, ao longo de quase 300 anos, para a construção de economia brasileira.
Bancos, ferrovias, estradas, indústrias, fazendas e balança de pagamentos foram erguidos neste país sobre o esforço e dedicação do cafeicultor brasileiro.
Momentos de grande alegria e prosperidade foram proporcionados por essa nobre cultura. Mas não são esses momentos que estamos vivendo atualmente. Os atuais estão repletos de desalentos. Parece não haver dúvidas de que estamos vivendo novos tempos na cafeicultura brasileira e que esta situação tenha vindo para ficar.
Com a alta dos preços dos insumos e da mão de obra, aliados à valorização do real frente ao dólar americano, formou-se um quadro extremamente desfavorável à cafeicultura, que vem impingindo ao setor custos de produção incompatíveis com os preços do produto.
O resultado é um acúmulo de prejuízos na lavoura, no período de 1999 a 2006 de cerca de 2,3 bilhões de dólares, considerando somente a parcela exportada pelo país, ou seja, cerca da metade da produção nacional.
Vindo para ficar, essa nova ordem de valores nos obriga a uma profunda reflexão sobre o destino da cafeicultura. Temos de pensar na reformulação da cafeicultura brasileira frente a essas novas imposições do mercado e de política nacional. Produtos de exportação, frente ao dólar desvalorizado, necessitam rever suas posições.
Já em 1992, Abreu Sodré, Ministro e ex Governador de São Paulo registrava: "Com o tempo, o General (Café) passou a ter pouca importância". Passados já 15 anos vemos, com extremo pesar, nova edição desse dito, que podemos qualificar como de menor importância ainda.
Em 2005 o Ministro e Embaixador brasileiro, Rubens Ricupero anunciou: "Mudanças na cadeia de valor permitiram aos comerciantes, processadores e varejistas se apoderaram dos ganhos de produtividade da lavoura".
Complemento eu: Todos se apoderaram dos ganhos, e os cafeicultores, do prejuízo.
Ricúpero, discorrendo sobre "O Mundo do Café: importância, crise e soluções, destacou o café como um produto global, envolvendo 60 países produtores e igual ou mais número de países consumidores e que, nesse contexto, a importância social extraordinária da produção vem de seu vinculo com:
• 25 milhões de famílias;
• 70% da produção tem origem nos pequenos e médios cafeicultores e apenas 30% de produtores maiores.
Já o comércio mundial, é praticamente dominado por seis grandes empresas, e a torrefação por 4. Nesse contexto, a participação da produção no valor global da cadeia caiu de 38% (1993) para 6 a 8% nos dias atuais.
Todo o valor do produto encontra-se hoje, e cada vez mais, nas mãos dos países importadores e consumidores de café. Em 1996, quando propusemos o CDPC, reforçamos junto ao Presidente Fernando Henrique Cardoso a coragem e a vontade política para implementar esse organismo gerido em parceria de governo e iniciativa privada para a governabilidade da cadeia agroindustrial do café brasileiro, e a lutar, no exterior, pelos legítimos e maiores interesses nacionais.
Na ocasião, o Presidente salientou a virtude democrática do cafeeiro. "O café é uma atividade que agrega pessoas, cria e multiplica empregos. Criou Cidades. Complementando, o Presidente assim se expressou:
"É um absurdo que uma planta como o café, uma produção como a do café, que agrega tanto ao país, tivesse ficado segregada das decisões do Estado. E que o Estado, na sua insolência, em certos momentos, pudesse opinar, tomar decisões com alcance, às vezes danosos, sobre a cafeicultura, sem que os cafeicultores participassem do processo de elaboração da política, do controle das decisões e do aconselhamento, naquilo que seria o melhor caminho."
É esta a visão que almejamos para o café.
Cabe aqui ressaltar que, neste momento estamos priorizando as ações para o setor, focando as diretrizes da Comissão Especial do café na Câmara dos Deputados nos seguintes aspectos:
1. Instituição de um Seguro Renda;
2. Reavaliação do CDPC, a fim de torná-lo eficaz na representação do setor e na elaboração de políticas de médio e longo prazo, estruturantes do setor;
3. Na autonomia orçamentária do Funcafé, como instrumento de ações das diretrizes do CDPC;
4. Resolver o problema do endividamento da cafeicultura.
Agradecendo essa ação conjunta somos:
• 12 Estados cafeicultores;
• 1900 Municípios produtores de café;
• 370.000 mil cafeicultores;
• 1 milhão de trabalhadores fixos na lavoura;
• 5 milhões de familiares dependentes da cultura;
• 1 milhão de trabalhadores na indústria e comércio de café;
• 8 milhões de brasileiros dependentes dessa grande e espetacular atividade agroindustrial brasileira.
Faço um apelo e chamamento a todos os setores:
Iniciamos a colheita da safra 2007/2008!
Não deixemos que seja mais uma safra para endividamento da cafeicultura.
Precisamos, a todo esforço, e de imediato, transformá-la em início de redenção financeira da cafeicultura nacional.
Tudo isso e muito mais conseguiremos, na medida da união de esforços e propósitos do CNC, da CNA, do CDPC, da Frente Parlamentar do Café e do Poder Executivo Nacional.
"Está tudo em nossas mãos. Basta nos organizarmos em torno da produção e da oferta nacional e internacional".
Muito obrigado.
Carlos Melles
Deputado Federal
Presidente da Frente Parlamentar do Café
Carlos Melles defende cafeicultura em pronunciamento
Temos hoje a referenciar o Dia Nacional do Café. O grande produto da agricultura nacional que serviu de base, ao longo de quase 300 anos, para a construção de economia brasileira. Todo o valor do produto encontra-se hoje, e cada vez mais, nas mãos dos países importadores e consumidores de café.
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