Carlos Brando: novos estilos de vida demandam novos produtos

Aconteceu na última terça-feira (31) o 4º Fórum & Coffee Dinner, promovido pelo Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil). O objetivo principal do fórum foi apresentar e discutir os desafios da cadeia para nova década. Carlos Henrique Brando, consultor da P&A Marketing, mionistrou palestra para falar sobre o consumo de café nos países produtores.

Publicado em: - 4 minutos de leitura

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Aconteceu na última terça-feira (31) o 4º Fórum & Coffee Dinner, promovido pelo Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil). O objetivo principal do fórum foi apresentar e discutir os desafios da cadeia para nova década. Carlos Henrique Brando, consultor da P&A Marketing, mionistrou palestra para falar sobre o consumo de café nos países produtores.

Figura 1


Como já é sabido o consumo de café no Brasil está crescendo a cada ano. Contudo, o consumo nos países produtores ficou estagnado até 2003.

Através da criação de um guia da OIC (Organização Internacional do Café), junto à P&A Marketing, fez-se um trabalho de promoção do consumo de café nos países produtores. Os resultados foram variados, porém positivos na maioria dos países.

Com esse trabalho, de 2003 para cá conseguiu-se um incremento de 2 milhões de sacas de cafés consumidas nos países produtores.

Em países em que a bebida tradicional é o chá, por exemplo, como China e Indonésia, o café é visto como uma novidade e naturalmente há grande entusiasmo pela novidade por si só. Já nos países que há um consumo relativamente consistente da bebida é necessário criar esse entusiasmo para que a população consuma mais, e além disso, para que nasçam novos consumidores. Para isso, segundo Brando, programas institucionais são vitais.

O Brasil é um exemplo para os demais países produtores em relação ao aumento de consumo. "Pode-se dizer que o Brasil tem o programa institucional de alimentos e bebidas mais bem sucedido do mundo", afirma Carlos Brando.

O marketing institucional trabalhado no Brasil abrange diferentes pontos como a pureza, a qualidade, o benefício do café para saúde humana e a modernização do setor no que se refere à cafés especiais, cafeterias e baristas. Para cada um desses pontos é trabalhado um programa institucional como Selo de Pureza Abic, PQC, Café e Saúde, entre outros.

"O Brasil busca a integração entre programas institucionais e as marcas de café", e isso é um grande exemplo.

"Na Colômbia o café custa 4 vezes mais que no Brasil em função do preço e poder de compra", destaca Brando.

Abrangendo outros países produtores, Carlos aponta que a Índia é um grande consumidor de café solúvel. Porém, ele destaca que a impressão que se tem é que a Índia é dividida em dois países quando se trata de produção e consumo, uma vez que dividindo entre região norte e sul, uma região é produtora, com consumo baixíssimo, sendo que a outra região não produz mas tem o maior consumo.

No país em questão, o ramo de cafeterias é que impulsiona o consumo nas cidades. Dessa forma, nota-se que é necessário fortalecer a indústria para promover o consumo interno.

Agora, um país que vem sendo muito comentado: A China. A expectativa é que o país passe a consumir cada vez mais café, porém o futuro do consumo ainda é uma incógnita, segundo Brando.

A China consome 1 milhão de sacas de café por ano e o consumo vem aumentando mais que 15% ao ano.

Até então quem domina o mercado é o café solúvel. Contudo, há no país um programa de plantio acelerado de café arábica, que deve incentivar o aumento de consumo por outros tipos de bebidas.

Carlos Brando não acredita que isso seja uma ameaça para o Brasil, uma vez que a produção crescente no país irá incentivar o consumo que ainda não existe, o que é uma oportunidade para o Brasil. "Eles vão se tornar importadores do café brasileiro", exclama ele.

Comparando o consumo entre os principais países produtores, nota-se que o Brasil está muito a frente dos demais, sendo que absorve 40% de sua produção, enquanto o Vietnã absorve 20% e a Colômbia somente 15%, ou seja, o consumo ainda é baixo mas o potencial de crescimento é grande.

Desafios para nova década

O grande desafio é a conquista de novos consumidores e o cenário é positivo. "A renda disponivel à populacao é crescente e os jovens e a nova classe média serão os principais responsáveis por essa evolução.

Mesmo com tal cenário positivo Carlos coloca a seguinte pergunta: Será que a indústria do café está preparada para enfrentar bebidas substitutas?

Segundo ele, há necessidade de adaptar novos produtos à novos estilos de vida. Jovens, por exemplo, se sentem mais atraídos por bebidas geladas e misturadas com outros ingredientes.

O café solúvel é uma das opções para a conquista de novos consumidores, pela sua praticidade no modo de preparo e prontidão do consumo. Com isso, cria-se uma oportunidade de crescimento para cafés de qualidade inferior e para o robusta.

Já o consumo de café fora de casa é preferido por consumidores atraídos por bebidas mais sofisticadas e que tem maior poder aquisitivo, gerando assim maior demanda por cafés de maior qualidade.

Resultado de uma pesquisa de consumo realizada na Indonésia mostra a força dos jovens na contribuição para o cresimento do consumo de café através de bebidas diferenciadas. A pesquisa aponta que o crescimento anual médio do consumo no país é da ordem de 9%. O café torrado e moído cresce 6% a.a, enquanto o consumo de solúvel cresce 9% a.a. e o consumo de bebida 3 em 1 e saborizadas cresce 12% a.a..

Os países com maior potencial de crescimento de consumo são os que resistiram a crise de 2008 e mantém sua economia em crescimento como Brasil, Índia, Indonésia e China, chamados por Carlos Brando de BIIC.

De acordo com o palestrante, a partir de 2020 todos esse países serão importadores de café pois a produção não estará mais antedendo a demanda interna de cada um.

Para tanto, é necessário atender a necessidade do consumidor que é qualidade, conveniência e assessibilidade.

"O futuro do consumo depende de todos. Países produtores tiveram forte papel no crescimento do consumo e podem colaborar ainda mais", finaliza Carlos Brando.

Agora, resta cada um descobrir como aproveitar as oportunidades do mercado.
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Material escrito por:

Natália Sampaio Fernandes

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