Carlos Alberto Paulino da Costa: "o cafeicultor está descapitalizado"

O cafeicultor está descapitalizado, pois a safra que está terminando foi pequena e os preços não reagiram, estão os mesmos dos últimos quatro anos com custos crescentes, de modo que vão iniciar um ano agrícola com poucos recursos. A cooperativa está procurando junto à rede bancária recursos para poder transferir, principalmente aos pequenos produtores, para que não falte insumos para as práticas agrícolas.

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Figura 1


Carlos Alberto Paulino da Costa nasceu em Monte Santo de Minas, em 3 de junho. Formou-se em Engenharia Agronômica na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da Universidade de São Paulo, em Piracicaba, em 1960. Cafeicultor atuante no sul de Minas e na região do cerrado mineiro, tem se dedicado à prática do cooperativismo desde meados da década de 80. Há 22 anos integra o Conselho de Administração da Cooxupé, cooperativa fundada em 1932, mundialmente conhecida por ser a maior em café do mundo.

Passou a integrar a Diretoria Executiva da Cooxupé ao lado do vice-presidente Carlos Augusto Rodrigues de Melo e do diretor administrativo Antonio Carlos Oliveira Martins e desde então vem atuando de forma a garantir a melhora contínua da cooperativa, que atualmente congrega cerca de 11.500 associados.

A Cooxupé possui nove núcleos, sete filiais e seis unidades avançadas, englobando área de ação formada por 220 municípios nos Estados de São Paulo e Minas Gerais. Emprega cerca de 1.800 colaboradores. Em 2008, foi a maior exportadora de cafés do país: recebeu 4.697.189 sacas de seus cooperados, o equivalente a 13% da produção nacional de café arábica e embarcou 1.813.519 sacas ao exterior. Este ano, a Cooperativa deve receber cerca de 3 milhões de sacas de café. Seu faturamento em 2008 foi de R$ 1,74 bilhão.

Carlos Paulino representa a Cooxupé na Diretoria do Conselho Nacional do Café (CNC) e atualmente é também membro efetivo do Conselho Diretor da OCEMG - Organização das Cooperativas do Estado de Minas Gerais.

CaféPoint - Quais os principais desafios que a atual gestão da Cooxupé deve enfrentar neste ano-safra?

O cafeicultor está descapitalizado, pois a safra que está terminando foi pequena e os preços não reagiram, estão os mesmos dos últimos quatro anos com custos crescentes, de modo que vão iniciar um ano agrícola com poucos recursos. A cooperativa está procurando junto à rede bancária recursos para poder transferir, principalmente aos pequenos produtores, para que não falte insumos para as práticas agrícolas.

CaféPoint - Com a menor oferta de café de qualidade por conta das últimas chuvas e com a ajuda do programa de opções do governo, como o sr. acha que o mercado deve se comportar de agosto até o final do semestre?

Com as novas medidas anunciadas pelo Ministro da Agricultura sobre o governo adquirir mais 7 milhões de sacas de café, além das 3 milhões de opções, fatalmente haverá falta de café no mercado, que refletirá em melhores cotações. É necessário que essas medidas anunciadas sejam institucionalizadas com rapidez.

CaféPoint - Hoje a Cooxupé comercializa café verde, em grão, e possui marcas próprias de café torrado e moído. A Cooxupé planeja expandir o seu portifólio de café? Qual estratégia de marketing adotada pela empresa?

Pelo planejamento estratégico que fizemos, vamos concentrar nossos esforços na comercialização de café verde. Quanto aos cafés torrados e moídos de marca própria, teremos uma atuação mais agressiva em torno da área de atuação de nossas filiais.

CaféPoint - A Cooxupé apoia algum projeto de ação sustentável entre seus cooperados? Existe alguma meta para aumentar o nº de propriedades certificadas?

Sim. De acordo com as exigências de nossos clientes, estamos incrementando a certificação. Na área do cerrado, onde se produz nossos cafés fornecidos à Nespresso, existe um esforço para certificação de todas as propriedades. No sul de Minas e Mogiana de São Paulo, estamos entabulando conversações com um grande consumidor que exigirá dos produtores práticas sócio-ambientais para, em seguida, receberem a certificação.

Nos dois casos e em outros, para cafés certificados, a Cooxupé está proporcionando um ágio sobre os preços de mercado. A certificação é estimulada de acordo com as exigências do mercado e com pagamento de ágios sobre estes cafés certificados.

CaféPoint - Na sua opinião, que benefícios o projeto e- farms, coordenado pela professora Cláudia Medeiros, da Unicamp, pode trazer à gestão das propriedades cafeeiras?

Um dos grandes problemas dos agricultores no Brasil é a falta de informação dos mercados. O projeto e-farms, aproveitando o potencial de divulgação da informação via internet em tempo real, constituirá em uma ferramenta importante para o agricultor tomar suas decisões, pois através dele, participando dos debates, poderá se informar sobre a produção, condições climáticas, tendências de mercado, dentre outras coisas importantes que venham a surgir.
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