Caracas: Chávez assume controle de produtoras de café
O governo venezuelano informou ontem que assumiu, por três meses, o controle de duas das maiores processadoras de café do país, a Fama de América e a Café Madrid. O motivo alegado por Caracas para a estatização temporária foi o suposto descumprimento, por parte das empresas, das normas sobre a comercialização do produto.
Publicado por: CaféPoint
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De acordo com o ministro do Comércio da Venezuela, Eduardo Samán, enquanto estiverem sob controle do Estado, as autoridades investigarão se as empresas contrabandearam café para o exterior. Caso sejam confirmadas as ilegalidades, as empresas serão expropriadas. "Neste caso, os trabalhadores tomarão conta das empresas", afirmou Samán.
Nos últimos meses, Chávez ocupou e desapropriou várias empresas de produção de alimentos básicos, como arroz e macarrão, com o objetivo de acabar com desabastecimento destes produtos no mercado interno, que é provocado, segundo o governo, pelo comportamento dos empresários. A queda da produção do café pode ainda fazer com que a Venezuela, tradicional exportador, tenha de importar o grão.
Para o ministro da Agricultura do país, Elías Jaua, a medida pretende "garantir o abastecimento do povo venezuelano e fazer uma auditoria profunda para determinar o que foi feito com o café produzido". "Se a auditoria demonstrar que houve contrabando, práticas desleais e monopolistas, poderemos estar diante de uma nacionalização destas empresas", disse Jaua, ressaltando que todos os trabalhadores estão com seus empregos garantidos.
A crise entre governo e as empresas privadas do setor de alimentos se arrasta desde o locaute empresarial de 2002, no auge da crise política do país, quando os principais produtores paralisaram a produção e o abastecimento de alimentos por 62 dias, em uma tentativa de derrubar o governo Chávez. As consequências da permanente disputa têm sido o eventual desabastecimento de produtos da cesta básica nas grandes redes de supermercados da Venezuela.
O governo acusa os empresários de especulação e estocagem de alimentos para causar um falso desabastecimento no país. Já a iniciativa privada argumenta que as regras impostas pelo governo para a comercialização - incluindo o tabelamento de preços - tornaram a atividade produtiva pouco competitiva e desestimularam a produção.
Controle
Além do setor agrícola, desde 2007, o governo de Chávez tem tomado o controle de setores considerados estratégicos. Desde então, foram nacionalizadas as companhias de telecomunicações e de eletricidade, a faixa petrolífera do Rio Orinoco, a maior indústria siderúrgica do país, empresas de cimento, além da estatização de uma das maiores instituições financeiras do país, o Banco da Venezuela, que pertencia ao grupo espanhol Santander.
A reportagem é do jornal O Estado de S. Paulo, com informações da Reuters e AFP.
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