Câmbio favorece negócios com árabes

A valorização do dólar nos últimos meses deverá impulsionar o volume dos negócios com produtos agropecuários entre o Brasil e os países árabes em 2009. Mesmo após o agravamento da crise, no segundo semestre de 2008, as exportações para os países árabes continuaram em expansão e fecharam acima das expectativas.

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A valorização do dólar nos últimos meses deverá impulsionar o volume dos negócios com produtos agropecuários entre o Brasil e os países árabes em 2009. Mesmo após o agravamento da crise, no segundo semestre de 2008, as exportações para os países árabes continuaram em expansão e fecharam acima das expectativas.

O crescimento no terceiro trimestre também pode ser atribuído ao direcionamento dos produtos que deixaram de ser consumidos nos mercados europeu e americano, os que mais foram prejudicados com a crise. Nesse período, por exemplo, a receita com cafés cresceu 55,8% na comparação com 2007, segundo informações da Câmara de Comércio Árabe Brasileira (CCAB).

"O problema de liquidez que afeta o mundo inteiro não é problema para os países árabes. A queda nas cotações do petróleo foram compensadas em parte pela valorização do dólar e isso poderá criar muitas oportunidades para os empresários brasileiros em 2009", avalia Antônio Sarkis Júnior, presidente da CCAB. Ele acredita que ainda existem muitos mercados para serem explorados.

O café é considerado por Sarkis um produto com grande potencial. Segundo a associação, a receita com as exportações da commodity somaram US$ 162 milhões em 2008, aumento de 22%. Paulo Vilela, diretor comercial da Cia. Orgânica, que exporta café orgânico torrado para os Emirados Árabes Unidos, também considera a valorização do dólar como um fator importante para o crescimento da participação na região. "A renda na região é muito elevada e já conseguimos colocar nossos produtos entre o público de classe média também". Ele disse que as vendas para a região ainda são pequenas, mas acredita que deverão dobrar neste ano.

Um estudo realizado pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) em 2008 revelou que o país possui 47% de mercado em alguns países com o grão cru e apenas 9% de participação no torrado, que é liderado pela Índia. Segundo dados da CCAB, só as vendas de café não torrado aos árabes somaram US$ 146,7 milhões, um incremento de 16% em relação ao ano anterior. "Se a relação comercial for trabalhada para a abertura de novos mercados, o Brasil poderá ser um dos primeiros a superar crise", avalia Sarkis.

A matéria, de Roberto Tenório, foi publicada na Gazeta Mercantil, resumida e adaptada pela Equipe CaféPoint.
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