Calor castiga lavouras de café no Espírito Santo e queda na safra já supera 10%

Coordenador do Programa Estadual de Cafeicultura explica que a estiagem prolongada impactará a produção. "Não há ainda como dimensionar as perdas, mas podemos afirmar que os grãos serão menores e mais leves".

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A falta de chuvas e temperatura elevada dos últimos dias e que coincide com o período em que os grãos de café ainda estão em fase de formação estão trazendo preocupações no meio rural capixaba. Na Região Norte do Espírito Santo, onde se concentra a maior parte das lavouras de café conilon, até a última sexta-feira (11/01), fazia 40 dias que as chuvas não haviam caído e, se elas não vierem logo, a situação tende a se agravar.

Em algumas comunidades, onde o déficit hídrico é mais acentuado, os rios secaram e não há disponibilidade de água para irrigar as lavouras. Os pés de café estão com as folhas murchas e queimadas e os grãos que estão em formação e precisam de água estão secando. Parte deles está sendo queimada pelo sol forte.

O coordenador do Programa Estadual de Cafeicultura, Romário Gava Ferrão, que na semana passada esteve em algumas propriedades do Norte, disse que a estiagem prolongada impactará a produção. "Não há ainda como dimensionar as perdas, mas podemos afirmar que os grãos serão menores e mais leves", explica.

Isso significa que a safra deste ano será menor e a qualidade do café nas lavouras atingidas será mais baixa. Em algumas regiões, não há mais disponibilidade de água para irrigação das lavouras e nas propriedades que ainda têm água o nível dos reservatórios está muito baixo. A solução para o problema só virá mesmo com chuvas regulares.

O clima desfavorável poderá frustrar inclusive a expectativa de novo recorde na safra de café. De acordo com o engenheiro agrônomo Rogério Chiabai, que presta assistência técnica a várias propriedades, a queda na safra já passa de 10%. Em algumas propriedades de Pinheiros e Montanha, a situação "é dramática", diz ele.

O quadro crítico demonstra que o produtor cada vez mais tem que se preparar para enfrentar a seca. Renovar as lavouras, plantar variedades mais tolerantes a este clima e armazenar água são algumas das orientações.

Nas regiões onde predominam os plantios de café arábica, o cenário não é diferente. Meteorologista do Incaper, Hugo Ramos, explica que para os próximos 15 dias é baixa a probabilidade de chuvas de grande intensidade. Deverá chover pouco em apenas algumas regiões.

As informações são de A Gazeta do Espírito Santo, adaptadas pelo CaféPoint.
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