Cafeína auxilia processo de envelhecimento

O cafezinho de cada dia pode favorecer a saúde mental no processo de envelhecimento. Essa é a conclusão da primeira fase da pesquisa "A cafeína como estratégia de prevenção do declínio cognitivo no envelhecimento e em modelo experimental da Doença de Alzheimer", recém-publicada pela pesquisadora Lisiane Porciúncula, neurocientista do Departamento de Bioquímica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

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O cafezinho de cada dia pode favorecer a saúde mental no processo de envelhecimento. Essa é a conclusão da primeira fase da pesquisa "A cafeína como estratégia de prevenção do declínio cognitivo no envelhecimento e em modelo experimental da Doença de Alzheimer", recém-publicada no Neurochemistry International pela pesquisadora Lisiane Porciúncula, neurocientista do Departamento de Bioquímica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Pela primeira vez, foram observados animais desde a idade adulta até o envelhecimento, notando-se, ao longo de 12 meses de ingestão diária de cafeína, que os animais idosos permaneceram com o mesmo desempenho em uma tarefa de aprendizado e memória que os animais adultos.

"Num país em desenvolvimento e com o sistema de saúde como o nosso, e considerando que a população brasileira está envelhecendo pelo aumento da expectativa de vida, essa pesquisa auxilia no conhecimento de como um componente usual da dieta, a cafeína, pode ser benéfico para a saúde mental. Independentemente da classe social, o café está sempre presente na dieta das pessoas, seja em maior ou menor quantidade", declara a dra. Lisiane Porciúncula, lembrando que a cafeína também é usualmente consumida em chás, mate, chimarrão, chocolates e refrigerantes. A ingestão diária recomendada, considerando o consumo de café no Brasil, varia entre 150mg e 250mg, o que equivale a duas ou três xícaras de café normal.

Em relação à Doença de Alzheimer, degeneração cerebral caracterizada por perda de memória, demência e desorientação, foi observado que a cafeína previne a amnésia induzida pelo peptídeo (beta-amilóide) que se acumula ao redor dos neurônios na doença e também a perda de proteínas que fazem parte da sinapse induzida por esse peptídeo. "Estamos na reta final para publicarmos essa constatação ainda este ano", conta a dra. Lisiane Porciúncula. "Temos outro artigo, já publicado em 2003, relatando que a cafeína previne a morte de neurônios isolados por esse peptídeo", complementou.

O próximo passo é investigar alterações moleculares que possam justificar esse efeito da cafeína, estabelecendo a diferença de gêneros em humanos. Sabe-se que a substância atua mais efetivamente em mulheres do que em homens, e a dra. Lisiane Porciúncula deseja descobrir se a causa é hormonal. Além disso, a pesquisadora pretende estabelecer a dose recomendada de cafeína na dieta para gestantes, pois ainda existem médicos que desaconselham o consumo, principalmente nos três primeiros meses da gestação. O método, inédito, vai observar as funções do sistema nervoso central na formação do feto. As informações são do Jornal do Brazil.
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