Cafeicultores pedem medidas de garantia de preços

O governo estuda novas medidas de intervenção no mercado de café, para sustentar os preços do produto e gerar renda ao setor produtivo. Uma das sugestões ventiladas é a compra do produto pelo governo ao preço mínimo de garantia, com direito de recompra futura, pelo mesmo valor, acrescido de encargos financeiros e de armazenagem.

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O governo estuda novas medidas de intervenção no mercado de café, para sustentar os preços do produto e gerar renda ao setor produtivo. Uma das sugestões ventiladas é a compra do produto pelo governo ao preço mínimo de garantia, com direito de recompra futura, pelo mesmo valor, acrescido de encargos financeiros e de armazenagem.

Na avaliação do presidente da Cooperativa Regional dos Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé), Carlos Alberto Paulino da Costa, a medida é interessante e poderia enxugar o mercado até que os preços internacionais pudessem reagir. Depois de determinado prazo, o produtor recompraria o café pelo preço mínimo, arcando com despesas com juros e armazenagem.

Paulino da Costa acrescentou que o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, se comprometeu a encaminhar a proposta ao Departamento Jurídico do ministério. Quanto a um possível entrave da área econômica do governo, o presidente da Cooxupé mostrou-se tranquilo, argumentando que representantes da Fazenda e do Planejamento "são sensíveis às reivindicações da cafeicultura".

Atualmente, o preço mínimo de garantia do café arábica é de R$ 261,69 a saca de 60 quilos. Cafeicultores argumentam que esse valor não cobre os custos de produção, que seriam da ordem de R$ 300 a R$ 320 a saca.

O ministro Stephanes sinalizou que o governo pretende retirar do mercado cerca de 10 milhões de sacas, entre a atual safra e a do ano que vem, incluídas as 3 milhões de sacas das opções, cujos leilões foram realizados em julho. O governo avalia, no entanto, que o mecanismo não foi suficiente para sustentar os preços do grão.

Uma outra hipótese estudada seria a compra direta de 7 milhões de sacas de café, por meio de Aquisição do Governo Federal (AGF), para formar estoque estratégico do produto. No entanto, os produtores não aceitam contratar AGF pelo preço mínimo de garantia do governo.

O relatório do grupo de trabalho, criado para formular uma agenda estratégica para o agronegócio café nos próximos 5 anos, foi entregue nesta semana aos representantes da cadeia produtiva para análise crítica, segundo um dos participantes das reuniões. O diagnóstico deverá ser devolvido ao governo até o fim desta semana e os resultados poderão ser divulgados semana que vem.

Participam do grupo de trabalho representantes da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics), do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) e do Conselho Nacional do Café (CNC).

As informações são da Agência Estado, resumidas e adaptada pela Equipe CafePoint.
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João Carlos Remedio
JOÃO CARLOS REMEDIO

SÃO JOSÉ DOS CAMPOS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 21/08/2009

Seria muito para o governo brasileiro comprar diretamente 7 milhões de sacas de café a pelo menos R$300? Estamos no fundo do poço, a crise na cafeicultura é muito grave, muitas demissões já estão sendo feitas por falta de condições financeiras do cafeicultor.

A importância e a história da cafeicultura brasileira estão sendo tratadas com morosidade. O momento vivido pelos produtores é angustiante e desesperador. Estamos chegando ao fim de mais uma colheita descapitalizados, colhendo um produto de qualidade prejudicada pelas condições adversas e com o preço do café demasiadamente baixo. Se não tivermos um apoio maiúsculo por parte do governo federal, a cafeicultura será uma atividade para poucos, empregadores e empregados.

A cafeicultura quer seguir como atividade mantendo e gerando empregos, produzindo riquezas para o país. Mas, para isso, o café tem que ter um preço decente e não ser apenas mais um produto para especulações em bolsas. O momento é agora. Ainda há tempo, basta vontade política.