Foto: Alexia Santiagencia Ophelia/ Café Editora
Apesar do resultado, é a Uganda quem verá o maior aumento de produção, ainda que o governo etíope tente, no âmbito da iniciativa do Plano de Crescimento II, divulgada no ano passado, dobrar a produção de café nos cinco anos até 2019/2020 para cerca de um milhão de toneladas (16,7 milhões de sacas).
'Relativamente estagnado'
Funcionários dos EUA na Etiópia observaram em relatório que a produção de café do país estava "relativamente estagnada" em 6,52 milhões de sacas, em 2016/2017, aumentando somente em 20 milhões de sacas ao longo de cinco estações: "Para aumentar os rendimentos do café, maiores investimentos e recursos precisam ser dedicados ao desenvolvimento e distribuição de variedades melhoradas, suporte de extensão, melhores insumos, como fertilizantes e irrigação, e melhores práticas de manejo das plantas”, informou o órgão, em nota.
No entanto, mesmo se a Etiópia conseguisse "duplicar a produtividade para se igualar aos rendimentos brasileiros", sua produção, em cerca de 800 mil toneladas, ficaria aquém da de 2017/2018, sem plantações extras - que levam alguns anos para amadurecer e produzir frutos.
Embora o país esteja implementando reformas, incluindo o reestabelecimento de um Conselho Oficial de Desenvolvimento e Comercialização de Café e Chá (CTDMA) e esteja liberando as exportações para permitir que elas evitem a Bolsa de Commodities da Etiópia (ECX), o impacto dessa reorganização ainda é incerto.
Incentivo à exportação
A exportação permitirá que a Etiópia venda o chamado café com “identidade preservada”, que não é possível quando os grãos precisam passar pela ECX, limitando o acesso do país a mercados de maior qualidade. "As exportações de café com identidade preservada deverão se traduzir em mais café com valor agregado vendido no exterior, uma vez que os compradores internacionais estão dispostos a pagar um prêmio pela reivindicação de marketing de identidade preservada”, disse o comunicado.
No entanto, as exportações de café etíope deverão aumentar, em termos de volume, em apenas 10 mil sacas em 2017/2018 a partir de outubro, para 3,31 milhões de sacas, limitadas pelas perspectivas de produção e pelo aumento gradual do consumo interno.
Recorde em Uganda
A produção da Uganda, entretanto, deverá aumentar em 150 milhões de sacas, chegando a 4,35 milhões de sacas, superando um recorde que não ocorria desde 1996/1997, com autoridades dos EUA creditando o sucesso à campanha do país para replantar árvores produtivas nos últimos cinco anos.
A campanha foi "destinada a aumentar os rendimentos através da adoção de variedades melhoradas pelos produtores, aumentando a eficiência do fornecimento de insumos agrícolas e a renovação dos serviços de extensão agrícola", segundo o USDA.
De fato, desde 2011/2012, a produção da Uganda aumentou em 37%, refletindo o crescimento em particular na produção de café arábica, que foi favorecida pelo esforço de replantio.
‘Interferência política e má gestão’
A recuperação foi ainda mais acentuada com relação à produção da Uganda, de apenas 2,18 milhões de toneladas em 2005/2006, em parte devido aos efeitos da liberação do mercado de café de 1989, o que deixou o país lutando para competir nos mercados de exportação.
A Organização Internacional de Café (OIC) também sinalizou o fracasso dos grupos cafeeiros, como as cooperativas de produtores formadas após a reestruturação. "Como foi o caso em Uganda e em muitos outros países produtores, o sucesso anterior dessas cooperativas foi prejudicado pela interferência política e má gestão", informou à instituição.
Além disso, a recuperação da Uganda também foi impulsionada por uma certa consolidação do setor de produção de café, que foi ajudado pelo fato de que as plantas de café robusta são indígenas do país e da região dos Grandes Lagos.
Um relatório do USDA em 2010 observou que "os produtores de pequeno porte de robusta, que só podem ter algumas árvores em suas fazendas, produzem 99% do excedente exportável de café de Uganda”. Esses produtores foram "mantidos refém pela natureza, tradição, falta de educação, oportunidades de mercado limitadas e efeitos dos preços de taxas de frete muito elevadas para levar o café a um porto de exportação".
As informações são do Agrimoney / Tradução Juliana Santin