Cafeicultores continuam administrando as vendas

Apesar de praticamente concluída a colheita, a comercialização de café segue em ritmo lento, como estratégia para conseguir preços mais atraentes. Mas a expectativa é que isso só ocorra a partir de fevereiro do ano que vem, época de entressafra nos principais países exportadores.

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Apesar de praticamente concluída a colheita, a comercialização de café segue em ritmo lento, como estratégia para conseguir preços mais atraentes. Mas a expectativa é que isso só ocorra a partir de fevereiro do ano que vem, época de entressafra nos principais países exportadores.

Mais capitalizados, graças à liberação de recursos oficiais para financiamento de estocagem, e com cotações firmes no mercado internacional, os cafeicultores do Brasil vendem apenas o suficiente para pagar dívidas de curto prazo, informou reportagem de Mônica Scaramuzzo, do jornal Valor Econômico.

Levantamento do Conselho Nacional dos Cafeicultores (CNC) mostra que o ritmo de comercialização da atual safra está 15% mais lento que o verificado no ciclo anterior. "O fato de os produtores terem tido acesso a recursos do governo para financiar a safra dá mais fôlego ao setor produtivo", afirmou o presidente do CNC, Maurício Miarelli.

Segundo Miarelli, as atuais cotações internas já estão um pouco acima dos custos de produção, mas ainda não vale a pena vender.

O operador da Fimat Futures, Rodrigo Costa, acredita que o câmbio ainda compromete a renda do segmento, apesar dos melhores preços no exterior. Segundo ele, as perspectivas são de que os preços sigam firmes em 2007, quando o Brasil, em sua bienalidade, colherá uma safra menor. No curto prazo, entretanto, haverá alguma pressão no mercado com a entrada da colheita do Vietnã - que deverá chegar a 17 milhões de sacas, um recorde - e também da safra da América Central.

"Mas o mercado já está atento à quebra da safra no sul de Minas Gerais, que foi atingida pela seca", diz Rodrigo Costa. Uma projeção mais exata sobre o tamanho da safra brasileira será feita a partir do início do ano que vem.

Eduardo Carvalhaes, do Escritório Carvalhaes, em Santos (SP), considera que, apesar da safra de 41,6 milhões de sacas, colhida neste ano, os estoque brasileiros são apertados. "Temos que considerar que o Brasil está exportando uma média de 26 milhões de sacas e tem um consumo de 16 milhões de sacas anuais", observa ele.
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