Contrariando os prognósticos que previam em 2012 um ano de céu de brigadeiro para o café, a cotação do produto desabou. A crise econômica mundial retraiu o consumo e, apesar dos baixos estoques, os compradores puseram os dois pés no freio. O resultado: um ano que o produtor prefere esquecer.
De janeiro a dezembro, o preço do produto acumulou as maiores perdas entre as principais commodities agrícolas nas bolsas internacionais, - 34,42%, na comparação com 2011.
Mas o tombo foi ainda mais expressivo na BM&FBovespa: - 37,47%, a pior queda desde 2010, segundo números do ValorData. Depois do café, o suco de laranja apresentou o pior desempenho (- 20,87%), seguido do açúcar (- 16,22%) e do algodão (- 15,13%).
Mesmo com os valores minguando em porcentuais tão preocupantes, os cafeicultores ainda estão sendo remunerados*, de acordo com os especialistas, porque as cotações chegaram nos últimos anos a níveis bem acima da média.
No entanto, tudo tem limite. Agora, já perto de uma nova safra, que começa em março, eles enxergam 2013 torcendo para que o declínio tenha chegado ao fim.
Produção
No relatório mensal mais recente, a Organização Internacional do Café (OIC) calculou a produção mundial do ciclo 2012/2013 em 146 milhões de sacas e crescimento de 8% em relação à temporada anterior.
Como a demanda seria em torno de 140 milhões de sacas, os estoques continuam baixos, lembrando que a safra brasileira - estimada em 48,5 milhões de sacas este ano (leia mais) - ainda está nas plantas e, portanto, sob o risco de intempéries.
"Os fundamentos favorecem o produtor", comenta Eduardo Carvalhaes, do tradicional Escritório Carvalhaes, de São Paulo. Pelas contas dele, o suprimento mundial não tem margem de manobra.
Mesmo que o Brasil colha 48,5 milhões de sacas, o consumo interno é projetado em 20,5 milhões e a exportação entre 28 e 29 milhões, restando apenas 2 milhões. "Vai continuar um equilíbrio precário entre oferta e demanda no Brasil e no mundo, o que pode estimular uma reação das cotações", explica.
Para o gerente comercial de café da Cocamar, Adenir Fernandes Volpato, o mercado poderá ter uma surpresa, quando colher a safra. "Ela poderá ser menor que o esperado", diz o gerente, apoiando-se no fato de que os cafeeiros perderam carga nos últimos meses, em razão da seca e de outros problemas. "Ainda não dá para dimensionar", explica Volpato, dizendo acreditar que os números finais vão ficar abaixo das previsões.
*O CaféPoint relembra no entanto alguns exemplos de matérias que podem ir de encontro a esta afirmativa:
Custo maior e receita menor ao cafeicultor
As rentabilidades dos Cafés do Brasil
As informções são de Odiario.com, adaptadas pelo CaféPoint.
Cafeicultores acreditam em cenário melhor em 2013
Profissionais do setor cafeeiro do Brasil argumentam porque esperam uma melhor perspectiva para os preços do café verde em 2013. "Os fundamentos favorecem o produtor" (...) "vai continuar um equilíbrio precário entre oferta e demanda no Brasil e no mundo, o que pode estimular uma reação das cotações".
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