Cafeeiros tiveram boa florada mas mostram problemas

As floradas das lavouras que darão frutos agora em 2011 aconteceram no segundo semestre de 2010 e se mostraram bastante uniformes. Porém, parece que o pegamento dos "chumbinhos" não está agradando os produtores que esperavam ter uma boa colheita. Rafael da Cunha, cafeicultor de Divinolândia/SP conta que na sua região a situação é de muitas flores e pouco "chumbinho".

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Em 2010, a produção brasileira de café fechou o ano com volume de 48,1 milhões de sacas (MAPA), produção originada de floradas bastante irregulares no ano anterior. Algumas regiões registraram até 7 florada, o que gerou grande desuniformidade de maturação dos grãos e dificuldades nos processo de colheita e pós colheita.

As floradas das lavouras que darão frutos agora em 2011 aconteceram no segundo semestre de 2010. Com a ocorrência do fenômeno La Niña, que causou estiagem além do normal em setembro deixando as árvores com baixa umidade bem no início da florada, seguida de bom volume de chuvas a partir daí, as floradas se mostraram bastante uniformes, diferente de 2009.

Porém, parece que o pegamento dos "chumbinhos" não está agradando os produtores que esperavam ter uma boa colheita.

Rafael da Cunha, cafeicultor de Divinolândia/SP conta que na sua região a situação é de muitas flores e pouco "chumbinho".

Esse mesmo fato foi observado por Sérgio Ceravolo, tecnólogo em cafeicultura. Sérgio comenta que em muitas lavouras descansadas, na região de Muzambinho e Guaxupé, a florada foi abundante, porém nas lavouras situadas na faces mais ensolarada e mais plana o pegamento foi decepcionante, menos de 30%.

"Tivemos na ocasião dias muito quentes e noites muito frias, o que na minha opinião teve seu grau de participação nesta quebra de pegamento", afirma ele.

Apesar da perda, nas lavouras de encostas (mais fertéis e úmidas) o índice de pegamento foi satisfatório.

O leitor do CaféPoint Artur Queiroz de Sousa, de Varginha/MG, comenta que tanto na fazenda de Cambuquira como na de Três Corações o estado das lavouras dentro da atual conjuntura é bastante razoável. Contudo, a previsão é de produção de 50% do colhida na safra passada. 20% das lavouras esqueletadas e decotadas, o que significa safra zero, e 70% restante com meia carga, pois produziram bem e estavam desfolhadas, por ocasião da florada. 30% da lavoura inclui lavouras novas em início de produção. As lavouras que foram decotadas estão com carga muito boa.

Mudando de estado, passando para o Espírito Santo, Robson França Rodrigues, produtor de café em Muqui/ES apresentou um fato novo. Segundo ele, no sul do Espirito Santo as lavouras de conilon tem apresentado alguns grãos de café queimados devido ao sol forte. Com isso, segundo ele tem ocorrido tombamentos dos galhos fazendo com que os grãos fiquem exposto ao sol.

Carlos Alberto de Carvalho Costa, também produtor em Muqui/ES confirma a ocorrência de grãos queimados. Mas as perdas não param por aí. Carlos Alberto tem encontrado muitos galhos quebrados devido ao excesso de carga. "Estou tentando, com exceção dos quebrados, levantar os galhos simétricos em um mesmo pé e amarrá-los com arame recozido g-35", completa ele, na esperança de que consiga recuperar parte das perdas.

Erásio Júnior, produtor da região de Franca/SP aponta que "na região do Sudoeste Mineiro e da Alta Mogiana está uma verdadeira decepção pois a florada também foi bastante uniforme, praticamente uma só, mas o pegamento dos chumbinhos está lamentável."

Outro fato observado nas lavouras são doenças como Phoma e Mancha Aureolada.

Sérgio Ceravolo observou incidência dessas doenças nas lavouras mais altas. Além disso tem ouvido muitas reclamações de que os defensivos para a bactéria estão sendo muito pouco eficientes.

Ocorrências como essa devem prejudicar a safra que começa a ser colhida em meados de maio de 2011.
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Material escrito por:

Natália Sampaio Fernandes

Natália Sampaio Fernandes

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bruno jose alves
BRUNO JOSE ALVES

CAPUTIRA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 15/02/2011

Em Caputira, região leste de Minas, a 40 km de Manhuaçu, está ocorrendo bastante incidência de cercosporiose, principalmente naquelas lavouras que se encontram em altitudes entre 600 e 700m e que não receberam os tratos adequados. Com a estiagem que ja dura 40 dias, desde o dia 10 de janeiro não chove e o sol está muito intenso, o enchimento dos grãos começa a ficar prejudicado, por conta da estiagem e da cercosporiose. Em alguns talhões de nossas lavouras ja calculo perdas entre 5 e 10%. Apenas as lavouras que receberam 3 aplicações preventivas com fungicidas triazóis a cúpricos e 2 adubações equilibradas até o momento encontram-se em bom estado e sem ataque significativo de Cercospora. Contudo mesmo estas ja apresentam certa deficiência nutricional por conta do tempo que não permite realizar a 3 adubação (a 2 foi feita a 60 dias) e a alta carga pendente.
ROMULO SANTOS NUNES
ROMULO SANTOS NUNES

OLIVEIRA - MINAS GERAIS

EM 15/02/2011

Na região do campo das vertentes mineiro, tambem apresenta o mesmo fato, muita flôr e no momento, encontramos lavouras que não apresentam frutos compativeis com a florada. Acredito que apos a longa estiagem e frio intenso, não houve carboidratos suficiente, agora resta aguardar o tempo para enchimento dos grãos.
Cristiano Catheringer
CRISTIANO CATHERINGER

IBATIBA - ESPÍRITO SANTO - INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS

EM 14/02/2011

Aqui em Alto Jequitibá, Zona da Mata, observou-se 2 boas floradas, espaçadas em cerca de 3 semanas uma da outra; o pegamento destas floradas foi bastante satisfatório. No entanto, o que vem tirando o sono dos produtores é o veranico prolongado, sendo que já se passaram 35 dias sem chuva na região. Em algumas lavouras já se pode verificar prejuízos quanto ao enchimento de grãos.