Café tem a única alta da BM&FBovespa em agosto

Em um mês marcado por quedas generalizadas dos produtos agrícolas negociados no mercado futuro na BM&FBovespa, apenas o café encerrou agosto em alta. A valorização ocorreu mesmo em um momento do ano tradicionalmente "baixista" para a commodity, época de safra, quando começa a entrar no mercado a produção brasileira.

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Em um mês marcado por quedas generalizadas dos produtos agrícolas negociados no mercado futuro na BM&FBovespa, apenas o café encerrou agosto em alta. A valorização ocorreu mesmo em um momento do ano tradicionalmente "baixista" para a commodity, época de safra, quando começa a entrar no mercado a produção brasileira.

Segundo cálculos do Valor Data, a cotação do café na bolsa brasileira subiu 8,97%, para um preço médio de US$ 148,75, Com isso, o preço do grão ampliou seu ganho no ano para 21,06%. Nos últimos 12 meses, em contrapartida, o café ainda acumula perda de 13,23%.

A valorização pode ser creditada, em grande medida, à retomada, pelo governo, da política de acúmulo de estoques, afirma Patrícia Valverde, analista da Intertrading Agentes Autônomos. "No geral, o cenário é baixista no curto prazo", diz. Entre os fatores que justificariam queda está o de que os estoques dos países consumidores estão no patamar mais reduzido desde 1991.

Há contudo, em um prazo mais dilatado, espaço para mais valorizações, segundo ela. Com sinais reiterados de recuperação da economia, a demanda pode ganhar mais corpo, o que deve estimular ainda mais a ação dos especuladores. Mesmo no curto prazo há razões para avanços.

"A falta de café de qualidade no mercado pode dar alguma força aos preços", diz a analista. Isso ocorre em virtude de chuvas em excesso registradas durante a floração em regiões produtoras do grão em São Paulo, Minas Gerais e Paraná. Por conta dessa falta de café de qualidade é que os negócios no mercado físico estão praticamente parados, segundo ela.

O oposto em Nova York

Os contratos futuros de café arábica na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) encerraram agosto com desvalorização de 6,19%, base vencimento dezembro/2009. No período, o mercado chegou a marcar máxima de 141,00 cents (dia 07) e mínima de 121,35 cents (dia 27), ou seja, com forte oscilação de pouco mais de 2 mil pontos. Boa parte da queda dos contratos pode ser creditada à liquidação de posição de fundos de investimento. No período, o mercado de café encolheu em volume de contratos em aberto, o qual está no nível mais baixo desde 2006.

Analistas consideram que a saída dos fundos pode ser resultado de possível aumento da regulação da Commodity Futures Trading Commission (CFTC) no mercado de commodities agrícolas. Os preços futuros do café fecharam em queda ontem, dia 1º de setembro, atingindo o menor patamar em um mês nas bolsas internacionais. Em Nova York, os contratos para dezembro encerraram a US$ 1,2010 a libra-peso, recuo de 220 pontos. Em Londres, os contratos para novembro fecharam a US$ 1.409 a tonelada, baixa de US$ 2.

Em São Paulo, a saca de 60 quilos de boa qualidade fechou entre R$ 260 e R$ 265, segundo o Escritório Carvalhaes. De acordo com o índice Cepea, a saca de arábica está cotada em R$ 251,12, e do conilon, R$ 186,24.

Com informações de Patrick Cruz, do Valor Econômico, e Tomas Okuda, do jornal O Estado de S. Paulo.
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João Carlos Remedio
JOÃO CARLOS REMEDIO

SÃO JOSÉ DOS CAMPOS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 03/09/2009

Não dá para ententer o mercado de café. O consumo mundial cresceu apesar da crise econômica, esse ano foi de produção menor no Brasil, estoques baixos. Apesar disso tudo o preço do produto despencou. O que esperar quando as primeiras flores aparecerem e com ela as previsões costumeiras de super safra?

O que nos aguarda na cafeicultura? Que deixemos de vez a atividade para os que dizem que estão tendo rentabilidade mesmo com os preços praticados? Não acredito em magia com o preço atual, mesmo para as propriedades com grandes produções. Acredito que poucos grandes falastrões têm influenciado mais o mercado negativamente. O que querem com isso?

Infelizmente esses poucos acreditam que a ajuda governamental beneficiará os "ineficientes". Não penso dessa maneira e temos vistos que quando nosso governo quer demonstrar desempenho ele age rapidamente e com todas as suas forças. Por que não fazê-lo em relação à cafeicultura? Estamos reféns de mentirosos e do nosso próprio governo. A cafeicultura não merece isso.