Café: retirar PVAs do mercado pode fazer preço subir?

De acordo com nosso leitor Antônio Augusto Reis, produtor de café de Varginha/MG, a safra zero é uma opção para reduzir a oferta de um quantitativo superior a 4 milhões de sacas. Quando associada à proposta da APAC de retirar também do mercado os PVAs, mais 4 a 8 milhões de sacas deixariam o mercado, fazendo com que os preços reagissem. E você, leitor, o que acha que pode ser feito para melhorar o preço do café?

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Segundo o leitor do CaféPoint, Antônio Augusto Reis, produtor de café de Varginha/MG, na situação em que se encontram os cafeicultores, qualquer medida de apoio à atividade será bem-vinda, desde que não se perca o foco no que é mais importante: sua sustentabilidade. "Quero insistir que precisamos focar em alternativas que sejam financeiramente factíveis para nós, produtores, e que poderão representar muito na organização da atividade e de sua rentabilidade", escreveu Reis ao CaféPoint.

De acordo com nosso leitor, a safra zero, contribuição oriunda dos colegas paranaenses, é uma opção para reduzir a oferta de um quantitativo superior a 4 milhões de sacas. Quando associada à proposta da APAC de retirar também do mercado os PVAs (grãos pretos, verdes e ardidos) mais 4 a 8 milhões de sacas deixariam o mercado, fazendo com que os preços reagissem.

E você, leitor, o que acha que pode ser feito para melhorar o preço do café? Envie um curto e rápido comentário através do box de cartas abaixo.

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ANTONIO AUGUSTO REIS
ANTONIO AUGUSTO REIS

VARGINHA - MINAS GERAIS

EM 11/08/2009

Caro José Eduardo,

As propostas elaboradas pela APAC são bastante promissoras tanto pela eliminação do PVA (grãos pretos, verdes e ardidos) como pelas demais ações apresentadas.

Essas medidas, no entanto, para terem o alcance requerido, necessitam de uma adesão significativa por parte dos atuais dirigentes de cooperativas, associações regionais de café arábica e de todos os sindicatos representantes da nossa classe (a união faz a força). Aguardamos ansiosos por essa adesão.

Precisamos que uma Associação Nacional do Café Arábica, em conjunto com o CNC, coordene ações articuladas a serem implementadas em todas cooperativas e demais associações, em função das necessidades do momento e de um planejamento estratégico.

Não podemos mais conviver no meio de um tiroteio que só tem prejudicado a nossa classe. Tem ocorrido informações isoladas e em muitos casos conflitantes (vejam o exemplo do custo de produção). É importante termos um único canal falando oficialmente em nosso nome para ter mais credibilidade e representatividade.

Com relação à safra zero, entendo que sua implementação deva ser gradativa: 20%, 30% até 50% das lavouras, para evitar o impacto apresentado por você.

Uma outra medida que alteraria pouco para os produtores devido o alto custo com a mão de obra, naquelas lavouras que passaram máquina de colher e, onde o nº de frutos no pé e no chão é relativamente pequeno, deixar ficar como está. Só com esta medida, provavelmente milhares de sacas deixarão também de ir para o mercado.
Jose Eduardo Reis Leão Teixeira
JOSE EDUARDO REIS LEÃO TEIXEIRA

VARGINHA - MINAS GERAIS

EM 11/08/2009

Prezado Antônio Augusto,

A retirada do PVA, dando a este destino contrário ao consumo, provocará impacto direto na retração de oferta volumétrica, cientes que este subproduto não é aconselhável para consumo. Em conseqüência, o produto café será valorizado através desta desagregação e o impacto nos preços será imediato, pois o volume a ser retirado é expressivo.

Sobre a safra zero, seria uma opção de forte impacto, porém, esta desequilibraria a sustentabilidade imediata, resgatando-a somente após um período de 02 anos e a maioria não suportaria economicamente tal atitude.

Associando a retirada de PVAs às demais propostas apresentadas pela APAC, leia-se Ricardo Strenger, como a rotulação do café industrializado; normatização para comercialização do grão cru, e retenção de 20% sobre a estimativa de produção cujo destino seria a industrialização na condição de T e T&M para exportação, ou seja, com valor agregado pela verticalização, potencializariam os impactos necessários ao restabelecimento do equilíbrio de preços.

Sendo a ABCA um fato, a condução destas e outras ações conduziriam ao estabelecimento de eficiências baseadas em propostas consistentes, duradouras e principalmente equitativas ao agronegócio café.