Café não é mais lucrativo para produtores capixaba

Um estudo realizado no Espírito Santo detectou que o produtor rural capixaba gasta mais do que ganha para produzir café. A análise foi feita em Vila Valério, Jaguaré e Iúna. "Hoje estamos pagando para produzir. Com custo operacional total de R$ 152,65, o que sobra é menos que R$ 10 para o produtor, já que a saca está sendo vendida a R$ 160. A cafeicultura está deixando a gente bastante desanimado e preocupado, enfatiza o presidente do Sindicato Rural de Jaguaré, Giovanni Sossai.

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Um estudo realizado no Espírito Santo detectou que o produtor rural capixaba gasta mais do que ganha para produzir café. A análise foi feita em Vila Valério, Jaguaré e Iúna.

A Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil - CNA divulgou o relatório do custo da produção cafeeira no Espírito Santo, fruto de uma pesquisa do Centro de Inteligência em Mercados, realizada em Jaguaré, Iúna e Vila Valério, referências na produção de café no Estado.

Vila Valério apresentou maior custo na produção de café Conilon. Na região, são gastos R$ 9.351 para a produção de 60 sacas de café por hectare. A despesa com a colheita e a pós-colheita é a mais significativa, respondendo por 53% dos custos. Dentro dessa categoria, são despendidos com a mão de obra, 29% do total, entre salários e encargos.

Dos municípios analisados, Jaguaré foi o segundo onde mais se gasta para produzir 60 sacas de café Conilon. Do valor total de R$ 7.540 por hectare, 38% é utilizado na colheita e a pós-colheita, onde estão inseridos gastos com mão de obra, mecanização e outros. Ao contrário de Vila Valério, que não utiliza máquinas e implementos no processo produtivo, Jaguaré gasta com mecanização, R$ 597,6 para a produção analisada.

"Hoje estamos pagando para produzir. Com custo operacional total de R$ 152,65, o que sobra é menos que R$ 10 para o produtor, já que a saca está sendo vendida a R$ 160. A cafeicultura está deixando a gente bastante desanimado e preocupado. As contas estão vencendo e o produtor não sabe como pagar", enfatiza o presidente do Sindicato Rural de Jaguaré, Giovanni Sossai.

Iúna se diferencia dos outros municípios pesquisados, pois o gasto com mão de obra é nulo, já que os proprietários de terra firmam acordos com parceiros, dividindo a produção final. Então, o custo operacional total sai por R$ 2.804,58 a cada hectare, onde são produzidas nove sacas de café Arábica. Os maiores gastos estão concentrados nos insumos: fertilizantes, defensivos e corretivos.

A saca do café Arábica está sendo vendida no Espírito Santo a aproximadamente R$ 200, valor inferior ao custo operacional total de produção que está cotado a R$ 311,62, segundo a análise. A situação desestimula o cafeicultor a investir em qualidade, segundo o presidente da Comissão Técnica de Café da Federação da Agricultura e Pecuária do Espírito Santo, José Umbelino de Castro.

"Pouca gente hoje no Estado quer produzir café Arábica. Enquanto o café de terreiro bebida dura nas praças de São Paulo, Paraná e Minas Gerais, vale em média R$ 320 e na zona da mata mineira é vendido a R$ 300, o do Espírito Santo possui preço inferior. Isso acontece porque quem compra não analisa a qualidade do produto", comenta José Umbelino de Castro.

As informações são da Assessoria de Comunicação da Faes, adaptadas pela Equipe CaféPoint.
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Adelino Junior Thomazini
ADELINO JUNIOR THOMAZINI

VITÓRIA - ESPÍRITO SANTO

EM 28/09/2010

A pesquisa reflete o que presenciamos no campo. Os agricultores estão desmotivados e sem esperanças quanto à melhoria na rentabilidade da atividade. É importante mencionar que estamos passando por um momento de mudanças no mercado mundial. O consumidor exige cada vez mais qualidade nos produtos que adiquiri. Não é diferente com o café. No caso do ES, o custo de produção vem subindo ano após ano e não temos como competir com os outros produtores, como por exemplo o Vietnã. Nesse caso a única saída é buscar a valorização de nosso produto através da melhoria da qualidade e da diferenciação do mesmo. O governo do estado do ES vem trabalhando através do INCAPER um programa de melhoria de qualidade. Esse programa tem apresentando bons resultados, porém os compradores ainda não pagam um prêmio que justifique o investimento para a produção de café Conilon de qualidade. Necessitamos de estruturar um programa de comerciaização para esses cafés de qualidade, passando pela diferenciação do processo produtivo e chegando até a formação de opnião do consumidor final.
O pequeno produtor isolado não tem condições de fazer marketing de seu produto e nem como garantir o abastecimento para a indústria. Apesar de ter um bom café, ele continua nas mãos do velhor modelo de comercialização, que até reconhece a qualidade do seu produto, mas não paga mais por isso. Ações cooperativas e associativas são de extrema importância para a criação de um novo modelo. O modelo atual de comercialização não suportará o novo cenário do mercado. É preciso mudar para se manter na atividade.