Café: mercado interno brasileiro está firme

O café teve performances distintas nas três principais bolsas onde é negociado. Em Nova Iorque caiu pouco, US$ 0.66 por saca, enquanto em São Paulo subiu US$ 1.05 por saca. Em Londres o movimento foi bem negativo com a queda de US$ 4.56 por saca. O comportamento desuniforme tem explicação. O café arábica já caiu bastante na ICE com os fundos liquidando uma boa parte de suas posições compradas que fizeram com que os preços subissem mais de 20% em maio.

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Comentário Semanal - de 22 a 26 de junho de 2009

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (cuja a sigla em inglês é OECD), entidade composta por 30 países que produzem mais da metade de toda a riqueza do mundo, revisou os prognósticos do PIB do bloco, e pela primeira vez em 2 anos, o número foi revisado para cima. Segundo o órgão, em 2009 a economia de seus membros encolherá 4.1% e em 2010 crescerá 0.7%, ante perspectivas anteriores de queda de 4.3% e aumento de 0.1%, respectivamente.

O mercado interbancário experimentou uma melhora não apenas de liquidez como de taxas mais baixas em função da demonstração dos bancos centrais da Europa e dos Estados Unidos em manter os juros baixos.

O dólar americano voltou a desvalorizar com a repetição da mesma conversa da China querendo que se utilize cada vez mais uma moeda supra-nacional como reservas ao invés da concentração que existe hoje no mundo no dólar - algo em torno de 65% das reservas cambiais do planeta está em dólar.

As bolsas de ações ao redor do mundo chegaram a cair um pouco mas acabaram fechando a semana praticamente inalteradas. Já as commodities caíram um pouco mais, com exceção do açúcar.

O café teve performances distintas nas três principais bolsas onde é negociado. Em Nova Iorque caiu pouco, US$ 0.66 por saca, enquanto em São Paulo subiu US$ 1.05 por saca. Em Londres o movimento foi bem negativo com a queda de US$ 4.56 por saca.

O comportamento desuniforme tem explicação. O café arábica já caiu bastante na ICE com os fundos liquidando uma boa parte de suas posições compradas que fizeram com que os preços subissem mais de 20% em maio. A queda acentuada e rápida porém trouxe o mercado para patamares de preço que atraem novamente a indústria torrefadora que continua vendo uma escassez de cafés suaves, tipo negociado na bolsa, e ainda não sente uma pressão vendedora por parte do Brasil. Por outro lado há bastante volume do café do tipo robusta (conilon) e isto se reflete no incremento dos estoques visíveis (certificados na bolsa).

Os diferenciais de Colômbia que já negociaram a mais de 100 cts/lb de prêmio e depois caíram para 50 cts/lb acima, firmaram um pouco nos últimos 5 dias, embora o volume negociado seja muito pequeno. A colheita da "safrinha" colombiana de fato tem se confirmado menor do que o esperado, e talvez nossos vizinhos não cheguem a produzir nem 10 milhões de sacas no total do atual ano-safra. Ao mesmo tempo, países como Guatemala e os demais na América Central têm muito pouco café disponível para negociar até o começo da nova safra, outubro.

No Brasil a colheita está a todo vapor com estimativa que mais de 25% da safra já tenha sido colhida. Curioso porém é a resiliência do produtor em vender seus cafés abaixo de R$ 250/sc, mesmo estando em um período onde a necessidade de caixa é grande. Linhas de financiamento do FUNCAFÉ e a proximidade do plano de opções, que embora postergado deva sair nos moldes que se desejam, parecem ter dado fôlego para que os fazendeiros não vendam seus cafés "a qualquer preço". Outro fator de sustentação para os preços é a demanda da indústria local que paga R$ 225 a R$ 230 por saca pelo café baixo, enquanto a bica nominalmente valeria ao redor de R$ 235, considerando as perdas do mercado Nova Iorquino.

Os exportadores e os produtores têm que aproveitar o momento atual para vender seus cafés de baixa qualidade e "trocar" por cafés melhores, dado que a diferença entre a bica e o consumo está bem estreita. Isto também sinaliza que podemos estar perto de um patamar de equilíbrio de preços, o que explica a BM&F ter subido um pouco durante a semana apesar da queda pequena de NY. Os diferenciais para reposição estreitaram bem, estando agora em torno de 17/18 cents de desconto contra o contrato "C" (bolsa de NY). Este é um outro sinal importante. Com a reposição firmando os exportadores serão "forçados" a repassar o preço para o mercado externo, ou seja os diferenciais FOB tendem a se firmar. Como consequência, isto aponta para uma consolidação dos contratos futuros e uma provável valorização.

É verdade que a sazonalidade de baixa do consumo no hemisfério norte e o começo do período de férias de verão não ajudam muito os altistas, mas com os fundos tendo uma posição pequena no mercado e o físico se mostrando firme os baixistas podem se intimidar em pressionarem o mercado para baixo. A volatilidade deve cair portanto até meados de agosto, quando vencem as opções de setembro.

Esperamos que o mercado consolide os atuais níveis de 120 cts/lb e que ensaie uma alta, ficando em um intervalo entre 120 / 130 por algum tempo.

Tenham todos uma ótima semana e muitos bons negócios.
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Material escrito por:

Rodrigo Correa da Costa

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