Café: líderes do setor discutem medidas contra a crise

De acordo com Gilson Ximenes, presidente do Conselho Nacional do Café (CNC), a cota de contribuição na exportação de café deve ser retomada para enfrentar a crise financeira internacional que tem depreciado os preços das commodities. "Temos de pensar em medidas protecionistas, em particular para os produtos agrícolas nacionais", diz ele.

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De acordo com Gilson Ximenes, presidente do Conselho Nacional do Café (CNC), a cota de contribuição na exportação de café deve ser retomada para enfrentar a crise financeira internacional que tem depreciado os preços das commodities. "Temos de pensar em medidas protecionistas, em particular para os produtos agrícolas nacionais", diz ele.

A cota de contribuição, também chamada de confisco cambial, era recolhida pelos exportadores de café aos cofres da União, com o propósito de dar lastro ao Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé), mas decisões do Supremo Tribunal Federal, no entanto, consideram inconstitucional a sua cobrança.

Conforme Ximenes, a crise financeira internacional é "assustadora" e são necessárias medidas que preservem os produtores, "mesmo que seja por meio da retomada de impostos, como a cota de contribuição, pois caso contrário, vamos continuar a transferir nossas riquezas para o exterior", disse ele, acrescentando que o mundo capitalista, liberal, como conhecemos hoje "acabou" e é hora de "repensarmos na volta do protecionismo".

O presidente do Conselho dos Exportadores de Café (Cecafé), João Antônio Lian, entretanto, considerou que a retomada da cota de contribuição na exportação de café seria uma "decisão de último caso, de vida ou morte", e que a medida representa "atraso". No que se refere à apropriação das riquezas do Brasil pelo mercado internacional, Lian concordou com Ximenes: "nossa moeda perde valor e vendemos cada vez mais barato nossos produtos", disse.

Segundo ele, isso pode ser evitado com linhas de crédito para comercialização e estocagem e para comércio exterior. "Se houver financiamento, o produtor não venderá enquanto não receber preço justo". "O pânico no Brasil é decorrente da falta de crédito para o comércio exterior", acrescentou. "Não há financiamento e não há liquidez. Como o exportador vai comprar café do produtor?", questionou Lian. "O governo precisa entender que é preciso arrumar linha de crédito urgentemente", ressalta.

De acordo com Lian, a situação mundial de oferta e demanda por commodities agrícolas é equilibrada e "não faz sentido o atual comportamento negativo dos mercados". Segundo ele, a valorização do dólar frente outras moedas é "irracional, pois é lá (nos Estados Unidos) que o sistema financeiro está falido, apesar de os mercados estarem interligados no mundo". "Lamentavelmente, os líderes não vêem isso e estamos socializando os prejuízos", finalizou.

A matéria, de Tomas Okuda, foi publicada na Agência Estado, resumida e adaptada pela Equipe CaféPoint.
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