Café: levantamento de estoques privados gera polêmica

Na opinião do presidente da Conab, Wagner Rossi, há suspeitas de que o estoque de café divulgado, de 14,6 milhões de sacas, esteja superestimado, informação repudiada com veemência pelo diretor-geral do Cecafé, Guilherme Braga. "As declarações são ofensivas ao comércio exportador. É inconcebível que a Conab divulgue números que, no dizer de seu presidente, possam estar inflados", disse.

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Segundo divulgação da Conab, o estoque privado de café beneficiado no país relativo à safra 2007/08, verificado em 31 de março deste ano, foi de 14,656 milhões de sacas de 60 quilos, sendo 14 milhões do tipo arábica e 651 mil do conilon.

Esse total corresponde a 31,7% do que foi colhido no ciclo, que fechou em 45,992 milhões de sacas. Em Minas Gerais está localizada a maior produção e, por consequência, o maior volume de estoques privados, que chegou a 10,382 milhões de sacas do arábica e 42 mil do conilon.

A Conab realizou a pesquisa junto a 1.176 estabelecimentos cadastrados que compõem a cadeia produtiva em todo o país, como industriais, exportadores, produtores e cooperativas, com destaque para a região Sudeste, onde se encontram os maiores estados produtores.

Na opinião do presidente da Conab, Wagner Rossi, há suspeitas de que o estoque apurado não corresponda ao que foi divulgado, informação repudiada com veemência pelo diretor-geral do Cecafé, Guilherme Braga. "As declarações são ofensivas ao comércio exportador. É inconcebível que a Conab, uma empresa contratada pelo setor cafeeiro para realizar os levantamentos de safra e de estoque divulgue números que, no dizer de seu presidente, possam estar inflados. A observação por ele feita de que os dados são fornecidos de modo espontâneo e que por isso podem estar "exagerados", insinuando de que houve intenção dos exportadores de atender a interesses subalternos é inconseqüente e não corresponde à realidade", disse.

De acordo com Braga, as empresas armazenadoras, que detém grande volume de café, disponibilizam seus números por imperativo de lei (a de número 9973, de 29 de maio de 2000). "As empresas comerciais o fazem em decorrência de uma gestão feita pelo próprio Cecafé a pedido do Ministério da Agricultura. Essa rotina vem sendo seguida há cinco anos e nunca a Conab levantou suspeita sobre os dados fornecidos - até porque a verificação física e documental sempre esteve à disposição da empresa, como agora", declarou o diretor-geral do Cecafé.

Guilherme Braga também se diz surpreso com o fato de a Conab levantar dúvidas sobre os números divulgados, pois o próprio documento relata como foi feita a pesquisa e sua validação. No item Metodologia está citada a pesquisa feita com estabelecimentos integrantes do Cadastro Nacional de Unidades Armazenadoras, e ainda com indústrias, exportadores e produtores; enquanto no item Estoques afirma-se que: "a validação das informações prestadas foi realizada por técnicos dessa CONAB, através de visita aos armazenadores, escolhidos aleatoriamente, onde é procedida a contagem dos volumes e conferência dos registros de entrada e saída do produto". Tal operação, conforme o documento, incluiu 105 estabelecimentos, e o grau de confiança das informações fornecidas alcançou nada menos que 95%.

Finalmente, quanto à insinuação de que a divulgação de números incorretos de estoque possa ter interferência de exportadores interessados em adquirir o produto mais barato no mercado interno antes de vendê-lo, o diretor-geral do Cecafé alerta: "De um lado essa insinuação aponta má fé, de outro mostra uma desinformação de como o mercado cafeeiro funciona, e da estreita correlação entre preços internos e externos".

Com informações da Conab e do CeCafé.
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Cláudio José da  Fonseca Borges
CLÁUDIO JOSÉ DA FONSECA BORGES

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 09/06/2009

Enfim alguém (nesse caso a Conab, e isso é louvável), tira essa turma de exportadores debaixo do tapete (onde se joga convenientemente todo lixo conveniente) e mostra, escancara para todos verem um dos grandes, um dos maiores problemas da cafeicultura Brasileira.

Os exportadores manipularam os preços do café como quiseram durante os últimos 7 anos, após a super safra de 2002 com a formação de grandes estoques mundiais. Manipulam até hoje os números das safras, dos estoques, enfim, de tudo...

A CONAB, agora com letra maiúscula, precisa do nosso apoio e essa luta contra esses especuladores é de todos nós. Vamos exigir um laudo que respalde os números desses agentes, mostrando como foi realizado o levantamento deles, quais critérios, quais fazendas e cooperativas visitadas e o resultado obtido em cada uma. Vamos confrontar os números deles com os da CONAB e ver quem está do lado da verdade.

Vamos desmascarar quem leva a maior parte do bolo. Vamos a luta, vamos desmascarar esses números que escravisam o cafeicultor e desmerece seu produto!
Joseph Crescenzi
JOSEPH CRESCENZI

ITAIPÉ - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 09/06/2009

Alguma coisa não confere.

2 Mi em aumento de estoque privado
30 Mi Exportado
18 Mi consumo interno
Será que colhemos 50 Mi em 2008?

É crítico para o setor como um todo ter números confiáveis para que podemos planejar. Qual é o interessado em ter previsões fictícios para gerar sempre produção além da demanda?

A cafeicultura é centenária no Brasil, está na hora de trabalhar de forma de garantir renda sem rolagens de dívidas e constantes produções que tiram qualquer sonho de rentabilidade. É com números verídicos de previsão que o setor produtivo vai saber se deve investir ou não em maiores produções.