Café: intervenção oficial deve elevar preço doméstico

O governo brasileiro poderá comprar até 3 milhões de sacas de café a preços superiores aos vigentes no mercado, segundo informou o secretário da Produção Agrícola, Manoel Bertone. O objetivo da operação será de ampliar os estoques domésticos para reduzir a disponibilidade do produto num ano em que a produção brasileira deverá cair até 20%, pelo efeito da bienualidade própria da lavoura de café.

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O governo brasileiro poderá comprar até 3 milhões de sacas de café a preços superiores aos vigentes no mercado, segundo informou o secretário da Produção Agrícola, Manoel Bertone. O objetivo da operação será de ampliar os estoques domésticos para reduzir a disponibilidade do produto num ano em que a produção brasileira deverá cair até 20%, pelo efeito da bienualidade própria da lavoura de café.

O país vai pagar cerca de 300 reais (US$ 130,4) por saca, garantiu Bertone , em entrevista concedida na semana passada. A aquisição anunciada pelo governo, caso se concretize, equivalerá a cerca de 11% do total das exportações brasileiras de café. A iniciativa vai reduzir ainda mais a oferta de café para vendas externas num ano em que a safra brasileira deverá cair, uma vez que a lavoura ingressa na metade mais lenta de seu ciclo de crescimento de dois anos, e os produtores empregam menos fertilizantes para reduzir os custos, o que compromete ainda mais a produtividade.

"O governo reconhece que tem que proporcionar certa recuperação de renda para o setor", disse Bertone, que encabeça a comissão do governo encarregada de examinar a medida, a partir de Brasília. A deterioração da renda acontece há muitos anos. O preço que o governo brasileiro está disposto a pagar é cerca de 17% a mais do que o negociado no mercado referencial brasileiro do sul de Minas, a maior região produtora de café.

Os cafeicultores instaram o governo brasileiro a comprar café em leilões este ano, a fim de aumentar os preços, após a alta dos fertilizantes. A desvalorização de 30% sofrida pelo real no câmbio com o dólar nos últimos sete meses não aumentou suficientemente o valor da receita em moeda local a ponto de recompor os lucros, segundo Bertone.

O Brasil não compra café para reforçar os estoques do governo desde pelo menos agosto de 1999, quando criou o Funcafé, órgão que financia os produtores e controla o nível dos estoques, segundo Lucas Tadeu, diretor da agência. Os estoques do governo desde então caíram para cerca de 500.000 sacas, a partir dos 8 milhões de sacas de uma década atrás, disse ele em entrevista concedida ontem a partir de Brasília.

Os lucros dos produtores diminuíram depois que o real subiu por cinco anos consecutivos, enquanto os custos dos fertilizantes dobrou em 2008, disse Bertone. Os contratos futuros de café despencaram 21% na Bolsa de Nova York nos últimos sete meses, em parte devido à expectativa de que a queda do real nesse período tenha restabelecido os lucros dos agricultores.

A safra brasileira de café deverá cair até 20% este ano, para 36,9 milhões de sacas, a partir dos 46 milhões do ano passado, de acordo com o Ministério da Agricultura. As exportações de café devem recuar 3,8%, para 25,1 milhões de sacas este ano, em relação ao ano passado, conforme divulgou o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).

Com informações da Bloomberg News e Gazeta Mercantil, com adaptações da Equipe CaféPoint.
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