Café: interpretações fisiológicas e quadro agronômico

Na Zona da Mata mineira, na maioria dos municípios não chove a mais de três meses. As lavouras estão um bagaço, com intensas secas de ponteiros e queda de folhas. Como a temperatura foi mais alta do que o normal, mas não tanto quanto o ano passado, a diferenciação floral foi precoce e muito abundante.

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O cafeicultor e fisiologista Alemar Braga Rena, comenta artigo "Café: uma lavoura ensandecida". Ele fala, entre outras coisas, sobre interpretações fisiológicas e o quadro agronômico reinante nas principais regiões cafeeiras do Brasil. Leia a seguir.

Carta de Alemar Braga Rena

Tenho acompanhado atentamente as discussões sobre os desatinos da floração do cafeeiro, principalmente, desde setembro de 2006. Escrevi na seção Manejo da Lavoura do CaféPoint, em 14/11/06, longa nota sobre o que realmente se sabe sobre a floração da espécie arábica, que não é muito diferente das espécies caneforóides.

Neste artigo, falei até de "previsões proféticas" que vinha fazendo nos últimos dez anos, o que não fica bem para um fisiologista de carreira; mas que fazer, somos humanos também!

Com respeito ao artigo do dr Vegro, como sempre, muito maduro quanto as análises econômicas, deixou a desejar nas interpretações fisiológicas e no quadro agronômico reinante nas principais regiões cafeeiras do Brasil, no momento, como já foi mencionado unanimemente por outros leitores.

Primeiramente, seria bom que ele mencionasse os fisiologistas consultados, pois, ademais de termos interpretações divergentes, o que é natural, algumas conclusões não são verdadeiras. E todos nós fomos jogados no mesmo saco.

Em segundo lugar, ele aparentemente não está bem informado sobre o que está se passando nas diferentes regiões produtoras. Aqui na Zona da Mata mineira, pra ficar num exemplo, na maioria dos municípios não chove a mais de três meses. As lavouras estão um bagaço, com intensas secas de ponteiros e queda de folhas. Como a temperatura foi mais alta do que o normal, mas não tanto quanto o ano passado, a diferenciação floral foi precoce e muito abundante.

Na minha lavoura de primeira produção, mesmo sem chuva, ocorreu intensa florada no início de julho, devido a dias de bruscas quedas de temperatura noturna, o que substitui a água nas gemas maduras que haviam passado por déficit hídrico adequado. No início de agosto, ocorreu "chuva" de 3 mm. Conseqüência? Nova florada abundante, agora também das lavouras adultas. Assim, agora estamos nas mãos de São Pedro; se dentro de 10 a 15 dias começar a chover bem, o desastre será bem menor, caso contrário, adeus safra conservadora de 55 milhões.

Alguns produtores têm mencionado vegetação intensa no lugar de gemas floríferas, que deve ter ocorrido somente nas regiões onde a temperatura permaneceu abaixo de 10 graus celsius por longas horas e muitas noites. Isso não deve ser problema maior! Este ano não deveremos ter floradas atrasadas como as do ano passado.

Leia na íntegra carta de Alemar Braga Rena. Acesse aqui.

Rodrigo Cascalles, Equipe CaféPoint
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