Café Iguaçu acredita em recuperação da demanda

Segunda maior indústria de café solúvel instalada no país, atrás da Nestlé, a Café Iguaçu, controlada pela japonesa Marubeni, confia na retomada da demanda pelo produto aos níveis pré-crise internacional de 2008 e em um investimento concluído no fim de 2010 para voltar a crescer em 2011.

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Segunda maior indústria de café solúvel instalada no país, atrás da Nestlé, a Café Iguaçu, controlada pela japonesa Marubeni, confia na retomada da demanda pelo produto aos níveis pré-crise internacional de 2008 e em um investimento concluído no fim de 2010 para voltar a crescer em 2011.

Com 75% de seu volume de vendas destinado ao mercado externo e o dólar mais fraco em relação ao real, a Café Iguaçu viu sua receita líquida cair quase 5% no ano passado, para R$ 246,1 milhões. E, em tempos de matéria-prima em alta, registrou retração de 25% em seu lucro líquido, para R$ 8,3 milhões.

"Os sinais de recuperação [do ritmo da demanda] que começaram a aparecer no segundo semestre de 2010 perduram nesses primeiros meses de 2011", afirma Edivaldo Barrancos, diretor comercial da Cia. Iguaçu de Café Solúvel, controladora da Café Iguaçu e de outras coligadas no país (Exportadora Importadora Marubeni Colorado, Iguaçumec Eletromecânica e Autômatos Industrial) e no exterior (Panfoods Co./Reino Unido e Panfoods Romania/Romênia). Com as coligadas, a receita líquida do grupo atingiu R$ 703,3 milhões no ano passado.

O ritmo de crescimento pré-crise de 2008 ao qual Barrancos se refere é duas vezes superior ao que vinha sendo observado no mercado de torrado e moído, cuja demanda global continuou aquecida, apesar das turbulências financeiras. Levantamento do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) mostra que os embarques de café solúvel do país somaram o equivalente a 2,859 milhões de sacas de 60 quilos de julho de 2010 a maio de 2011, ante as 2,814 milhões no ano-móvel anterior.

É nesse contexto que entra o segundo túnel de liofilização da fábrica da Café Iguaçu em Cornélio Procópio (PR), inaugurado em setembro de 2010 a partir de investimentos de R$ 50 milhões. Se não amplia a capacidade de produção da unidade, de cerca de 20 mil toneladas por ano, o novo túnel agiliza a secagem por liofilização - processo realizado com baixas temperatura e pressão -, que permite uma melhor conservação das propriedades do café, como sabor e aroma.

Barrancos, realça, entretanto, que a indústria - são sete empresas exportadoras de solúvel instaladas no país - não depende apenas de capacidade de produção e câmbio para ampliar seu alcance. Presidente da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics), o executivo afirma que a entidade continua a atuar junto ao governo em defesa do "drawback" (importação de insumos para reexportação) e contra as discriminações tarifárias que tiram competitividade do produto do país.

"Queremos o 'drawback' não apenas por uma questão de preço, mas também de qualidade. Há grandes redes no exterior que pedem 'blends' diferenciados", afirma. A taxa de 9% cobrada na União Europeia sobre o café solúvel do Brasil também continua sendo alvo de muitas reclamações, e recentes obstáculos na Ásia entraram no radar. "Temos que continuar sendo competitivos. O governo não pode ficar apenas no discurso da agregação de valor", afirma Barrancos.

A reportagem é de Fernando Lopes, para o jornal Valor Econômico, adaptada pela Equipe CaféPoint.
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