Café emite até quatro vezes menos GEE que grãos
Estudo realizado pelo Centro de Energia Nuclear na Agricultura da Universidade de São Paulo (Cena/USP) indica que os cafezais do Brasil têm um baixo grau de emissão de gases de efeito estufa (GEE). De acordo com Carlos Clemente Cerri, pesquisador do Cena responsável pelo estudo, apesar de o nível de emissões da cafeicultura ser baixo, ele disse ser possível reduzir os volumes para patamares ainda menores e até mesmo neutralizar as emissões.
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De acordo com Carlos Clemente Cerri, pesquisador do Cena responsável pelo estudo, o levantamento foi feito nas três principais regiões produtoras de Minas Gerais, Estado que responde por 70% da produção de café arábica do país. "Esse é um primeiro levantamento do setor e leva em consideração apenas a produção do café, dentro da porteira", afirmou. Não entram na conta, por exemplo, as emissões dos caminhões que transportam o café até as indústrias, nem dos veículos que trazem os fertilizantes para as fazendas.
O sul de Minas foi a região que apresentou a menor taxa de emissões, seguido pela região conhecida como Matas de Minas e pelo cerrado mineiro. Cada hectare cultivado com café emitiu 2,03 toneladas, 2,83 toneladas e 4,95 toneladas, respectivamente. "Não é possível comparar esses volumes às emissões de países como Colômbia ou Vietnã, pois eles não têm esse tipo de levantamento. O que podemos dizer é que as emissões da cafeicultura são de duas a quatro vezes menores que outros grãos que se tem informação", disse.
Considerando a emissão por saca de café, o sul de Minas produz 50 quilos de GEE, enquanto a região das Matas emite 126 quilos para cada saca e o cerrado, 182.
O estudo apontou que os "vilões" das emissões da cafeicultura são os fertilizantes nitrogenados. Nas Matas de Minas, eles são responsáveis por 78% do total de emissões, tendo uma fatia de 75% no cerrado e de 50% no sul de Minas. Segundo Cerri, o uso de fertilizantes orgânicos misturados aos de origem mineral no sul do Estado é o que justifica um peso menor do insumo no total das emissões de GEE na região.
Apesar de Cerri considerar o nível de emissões da cafeicultura baixo, ele disse ser possível reduzir os volumes para patamares ainda menores e até mesmo neutralizar as emissões. Conforme Cerri, o desafio do setor é adequar as doses de fertilizantes utilizadas, além de buscar outras fontes e também novas maneiras de aplicação. A utilização de algumas tecnologias já disponíveis, como fertilizantes com inibidores de emissão, também pode contribuir para melhorar a eficiência do setor.
O inventário de carbono da cafeicultura foi financiado pela torrefadora italiana illycaffè. O estudo servirá de base para que a empresa possa informar nos rótulos de seus produtos a quantidade de gases de efeito estufa que emite. "A empresa percebeu que o mercado exigirá esse tipo de informação em breve. O que ela fez foi se antecipar a essa demanda", afirmou Cerri.
A reportagem é de Alexandre Inacio, para o jornal Valor Econômico, resumida e adaptada pela Equipe CaféPoint.
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EM 24/03/2011