Café do Brasil, no exterior, tem sido valorizado
Atualmente, com a tendência do mercado em valorizar cafés especiais, os produtores brasileiros, de uma forma geral, têm se esmerado em adotar tratos culturais e investimentos (máquinas de despolpar, certificações etc.) que colocam a qualidade média do café em um novo patamar. Tanto é verdade que o café do Brasil no exterior tem sido valorizado. Ou seja, há um incremento médio da qualidade que vai se impondo (veja a questão das certificações) no momento que mais produtores passam a adotar boas práticas de produção.
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Carta de Juliano Tarabal
Muito pretensioso se colocar que dentro em breve só terá lugar ao sol o produtor de cafés especiais. É importante deixar bem claro que commodity é commodity, café especial é café especial, gourmet é gourmet, glider é glider, e assim por diante. No caso como o artigo supracitado fala sobre café especial, é importante se esclarecer que este é apenas um dos vários segmentos que o produtor pode ou não adotar.
Primeiro que quem conhece bem uma propriedade de café sabe perfeitamente das dificuldades que se têm em produzir os cafés especiais, que também é bom ressaltar que diferentes significados e pontos de vista existem para definir especiais.
Uns apontam que se trata do manejo em geral que se dá a lavoura, tais como certificações, aplicação de MIP e MID, cobertura vegetal no solo, preservação de reservas, áreas de APP e etc; outros já atentam a questão da qualidade da bebida, da seca em si, do aspecto do grão, da peneira, etc.
Logicamente que café especial é um excelente caminho a se seguir, mas antes de optar por este caminho uma série de medidas devem ser adotadas como por exemplo uma pergunta básica que nos fazemos antes de enveredar rumo a um novo negócio:
Pra quem vender?
Contudo, ferramentas de comercialização devem ser antes verificadas, para que não aconteça com muitos produtores que fazem qualidade, certificam suas propriedades, investem em infra-estrutura, consultorias e depois esbarram no não conhecimento do mercado comprador.
E outra, é muito diferente se comercializar para países do sul e países do norte. O mercado de café especial cresce sim no mundo todo porém mesmo diante desse quadro a procura por cafés ditos commodities é e pelo menos por um bom tempo será grande, pois o mercado consumidor é bastante heterogêneo.
Resposta de Sylvia Saes e Bruno Varella
Caro Juliano,
Talvez o significado da colocação "só terá lugar ao sol o produtor de cafés especiais" tenha tido impacto maior que o desejado. O que de certa forma não achamos ruim pelo fato que o mercado tende a ser mais forte do que os nossos desejos. O que queremos dizer é que durante muitos anos o produtor brasileiro incentivado pela política cafeeira e órgãos de pesquisas focou muito mais em produzir quantidade que qualidade. Isso, de certa forma, significou uma imagem negativa do café brasileiro tanto no mercado nacional como no exterior.
Atualmente, com a tendência do mercado em valorizar cafés especiais, os produtores brasileiros, de uma forma geral, têm se esmerado em adotar tratos culturais e investimentos (máquinas de despolpar, certificações etc.) que colocam a qualidade média do café em um novo patamar. Tanto é verdade que o café do Brasil no exterior tem sido valorizado. Ou seja, há um incremento médio da qualidade que vai se impondo (veja a questão das certificações) no momento que mais produtores passam a adotar boas práticas de produção.
Sabemos que café especiais é um nicho, mas este acaba criando externalidades para a média, que pouco a pouco vai agregando a qualidade.
Quanto a sua indagação: para quem vender? Nos agregaríamos uma outra: será que estamos recebendo pelo esforço? Estas são questões difíceis já que como você mesmo coloca, o café é uma commodity e se vê diante de preços de concorrência face a um mercado comprador oligopolizado. Como resolver este quebra-cabeça? Ainda não temos a resposta.
Acesse a carta aqui.
Rodrigo Cascalles, equipe CaféPoint
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MANHUAÇU - MINAS GERAIS
EM 05/10/2007
O capital que se investe em uma certificação, se não for obtido em uma safra, com certeza, em uma segunda safra o produtor já irá obter o retorno de seu capital. Mas a satisfação que se tem em produzir com sustentabilidade já nos encoraja a nunca desistirmos.
PATROCÍNIO - MINAS GERAIS
EM 04/10/2007
Compreendo perfeitamente seus posicionamentos e os acho bem sensatos. Acredito que a promoção de diálogos de alto nível, como os que são propostos no CaféPoint, são um bom começo para que soluções inteligentes aconteçam em nosso meio (cafeicultura).
Quanto a indagação proposta por vocês "será que estamos recebendo pelo esforço?", acredito que este recebimento virá com o tempo, pois estamos no início de uma nova plataforma de comercialização, no inicio de um enraizamento organizacional que nada mais é que ações sustentáveis integradas na cultura do dia-a-dia que, se bem conduzidas, culminarão em um ambiente mais justo de comércio.
E claro, trabalharmos nosso marketing no sentido de se orientar o consumidor do que é realmente "beber" café, mostrar que essa bebida pode ser muito mais que um acompanhante do pão de queijo, que ela nos proporciona prazeres, e que a compreensão destes reside em todo um conhecimento de seu processo de produção e processamento.
O processo para que isto aconteça é lento, porém está bem encaminhado, basta acreditarmos cada vez mais no potencial de nosso produto.
Juliano Tarabal
Gestão Organizacional
GEPECCAFE-UNICERP