"Esse nível, se mantido, é compatível com uma receita cambial de US$ 2,7 bilhões nos cafés arábica (de uma receita total de US$ 3 bilhões, somando conilon e solúvel)", afirma Guilherme Braga, diretor geral do CeCafé.
Os produtores brasileiros receberam em média 86,2% do valor exportado de café arábica, em junho de 2006, e a média acumulada, no primeiro semestre deste ano, ficou em 88,7% - meio ponto percentual abaixo da média anual de 89,1% registrada em 2005.
Entretanto, a média ficou em 86,2 % no acumulado de doze meses, influenciada pelos níveis mais baixos de IPEP observados durante o segundo semestre de 2005.

"Esses níveis refletem o efeito combinado da acentuada desvalorização do Dólar com o aumento real (destacando-se fretes e armazéns) de itens importantes da charge de exportação", diz Braga.
Com a divulgação do estudo, realizado pelos economistas Manoel Correa do Lago e Luiz Otávio Araripe, o objetivo do CeCafé é fornecer mais um instrumento para avaliar o grau de eficiência e competitividade do setor frente aos demais concorrentes, além de fundamentar a posição brasileira nas discussões sobre fair trade.
Para Guilherme Braga, o levantamento mostra que a atuação do comércio exportador vem contribuindo de modo importante para a ampliação da participação do produtor no valor FOB de exportação. "A constante modernização no campo tecnológico e logístico, aumentou a eficiência no controle de custos e operações, possibilitando ao produtor um ganho adicional frente aos demais produtores mundiais", afirma Braga.
Metodologia
Para calcular o indicador, foram considerados os preços diários no mercado interno de café do Grupo I, fornecidos pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), e os preços do Grupo II, divulgados pelo Centro de Comércio de Café do Rio de Janeiro e Centro de Comércio de Café de Minas, ambos associados ao CeCafé (representante da Organização Internacional do Café no Brasil). Os preços em R$/saca são divididos pelo valor do fechamento do dólar comercial (compra) no mesmo dia. Esses valores são convertidos em preços mensais.

*Esalq; **Base - CCCMG; ***Média Móvel dos últimos 3 meses; Atualização metodológica 2006: conversão das cotações CCCMG bases Esalq.
Para fazer a comparação entre o preço pago ao produtor e valor de exportação do café no mês, foi considerada a remuneração média do produtor. Isso porque, existe uma relação entre o volume de vendas externas e a formação dos estoques de trabalho do exportador.
As informações são da Assessoria de Imprensa do Cecafé