Café brasileiro de boa qualidade recebe ágio

A menor disponibilidade do café colombiano no mercado internacional está fazendo com que os importadores venham ao Brasil buscar os cafés finos nacionais. A melhor remuneração e o aumento das vendas nas exportações é consequência desse aumento de demanda. Enquanto isso, o produto convencional ainda está longe da referência oferecida pela bolsa.

Publicado por: CaféPoint

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A menor disponibilidade do café colombiano no mercado internacional está fazendo com que os importadores venham ao Brasil buscar os cafés finos nacionais. Esse aumento da demanda fez com que o produto brasileiro passasse a receber um bônus sobre as cotações praticadas na bolsa de Nova York, além de ter ajudado a elevar a fatia das vendas totais do país nas exportações mundiais de café para 32%.

Enquanto o café tradicional tipo exportação ainda tem um deságio sobre o preço da bolsa, o café fino (cereja descascado) brasileiro tem recebido de 8 a 10 centavos de dólar a mais sobre o valor de referência da bolsa americana. Tradicionalmente, mesmo o café fino exportado pelo Brasil tem um deságio de até 10 centavos em relação aos preços da bolsa.

Rodrigo Costa, analista da Newedge, afirmou que "a indústria está procurando café de qualidade e existe demanda pelo produto brasileiro em substituição ao colombiano".

Diante disso, quando a demanda não é atendida com um aumento rápido na oferta, o resultado são preços mais altos. Com um projeto idealizado para produção de cafés finos, a Ipanema Coffees produziu junto com seus parceiros 145 mil sacas desse tipo de produto no ano passado. Para 2010, a expectativa é de que essa produção tenha um aumento marginal de apenas 5 mil sacas, o que elevaria a oferta de uma das principais fazendas produtoras de cafés especiais do país para 150 mil sacas.

"Sentimos que nosso café está sendo melhor remunerado pelos importadores. Essa é a primeira vez na história que um importante fornecedor tem problemas no abastecimento e o Brasil pode se beneficiar por não ter nenhum tipo de controle por parte do governo", afirma o diretor presidente da Ipanema, Washington Rodrigues. "Não podemos perder essa oportunidade", diz ele.

"Os primeiros cafés cereja surgiram em 1990, que ganharam promoção com as compras que a Illy passou a fazer do produto brasileiro para produzir seus espressos mais encorpados", explicada Eduardo Carvalhaes, diretor do Escritório Carvalhaes, em Santos.

Com o aumento do consumo de espresso nas últimas duas décadas, a procura pelo café fino brasileiro cresceu em um ritmo superior ao do café fino colombiano (lavados suaves). Aliado a esse fator, a capacidade de abastecimento do Brasil é superior à colombiana devido ao tamanho de sua produção. "Essa reversão ficou mais evidente em 2009 quando houve o primeiro problema de fornecimento da Colômbia e se confirmou com uma repetição neste ano", diz Rodrigues, da Ipanema.

A partir de 2008, uma série de fatores como clima, renovação do parque cafeeiro e baixa remuneração dos produtores derrubaram a produção para 8,66 milhões de sacas, frente a 12,5 milhões de sacas no ano anterior. Em 2009, a oferta cresceu 9,5% para 9,5 milhões de sacas, mas ainda assim muito abaixo da média superior a 12 milhões que vinham sendo produzidas.

Sem oferta, as exportações colombianas foram bastante prejudicadas. No ano passado, foram embarcadas apenas 7,9 milhões de sacas, uma queda de quase 30% em comparação a 2008. Essa situação fez com que a participação colombiana no mercado internacional recuasse para apenas 8,3%, uma das baixas da sua história.

Com o aumento da demanda, as exportações brasileiras ocuparam o espaço deixado pela Colômbia. Dados da Organização Internacional do Café (OIC), mostram que a participação de 32% do café brasileiro no mercado internacional é a maior em pelo menos 30 anos, com embarque de 30,3 milhões de sacas.

Café tradicional

Enquanto o café fino brasileiro já recebe um prêmio sobre os valores de Nova York, o produto convencional ainda está longe da referência oferecida pela bolsa. Dados da Organização Internacional de Café (OIC) mostram que em janeiro, o preço médio do café brasileiro foi de 128,11 centavos de dólar por libra-peso, deságio de 13,87 centavos em relação ao preço da bolsa, de 141,98 centavos. Em janeiro de 2009, a diferença era de 17,28 centavos.

O motivo para o deságio ao produto brasileiro envolve muito mais fatores políticos do que técnicos e está relacionado ao fato de o Brasil não entregar o produto na bolsa. A bolsa reflete o desempenho da safra colombiana, mas é a produção brasileira a maior responsável pela pressão sobre as cotações.

A reportagem é de Alexandre Inacio, para o jornal Valor Econômico, resumida e adaptada pela equipe CaféPoint.
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Rodrigo Correa da Costa
RODRIGO CORREA DA COSTA

PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 24/02/2010

Olá Sérgio
Escrevo um relatório sobre café todos os finais de semana, que inclusive o CaféPoint publica (Análise de Mercado).
Fique a vontade para contribuir com idéias e opiniões.
Um abraco,
Rodrigo
Eliane de Andrade C. Nogueira
ELIANE DE ANDRADE C. NOGUEIRA

SÃO SEBASTIÃO DA GRAMA - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 24/02/2010

O fato de nós vendermos nosso café abaixo da bolsa, nos mostra a completa falta de política para o café.Não podemos aceitar este verdadeiro roubo que estamos sofrendo.Cafés com qualidade igual ou superior estão sendo vendidos com um deságio enorme e se não fizermos nada ,morreremos todos abraçados.Não há um só produtor de café , desde os parceiros até o grande produtor que não tenha outra fonte de renda senão o café, que não estejam passando por dificuldades.Através da SINCAL , que vem DIARIAMENTE lutando contra este absurdo , surgiu propostas´para uma política para o nosso setor.Se todos os países que produzem café estivessem vendendo abaixo do preço de custo, então seria uma crise mundial,mas não , somente o Brasil é que está passando por isso.
Grande culpa do que estamos passando é pela acomodação do produtor ,que elegem mal os nossos representantes e não revindica os seus direitos.Mas , graças a DEUS parece que isso está mudando e através da SINCAl este apoio enfim está vindo.Vamos pedir , vamos gritar , que coseguiremos em breve , uma cafeicultura melhor.CHEGA DE COMODISMO.Acho muito louvável se pagar pelo café de melhor qualidade, como nós aqui na fazenda produzimos , de forma socioambietalmente corretos e quem conhece S. S. da Grama sabe que é verdade, mas, nós não vivemos só de cafés especiais, esta é uma parte da nossa produção.Então fica aqui um apelo:VAMOS NOS MEXER.....
Sergio Venuto
SERGIO VENUTO

RESENDE - RIO DE JANEIRO

EM 24/02/2010

Oi, Rodrigo
Obrigado pela resposta e espero que você e o pessoal do café point possam criar mais artigos sobre o mercado de cafés - como funcionam as ferramentas desta commodity - , já que isso nos permite entender melhor sobre o que ocorre com o nosso produto.
Esta explicação só faz aumentar nossa ânsia por mais informação.

Abraços e no aguardo de mais textos.

Sérgio Venuto
Rodrigo Correa da Costa
RODRIGO CORREA DA COSTA

PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 23/02/2010

Olá Pedro
A convite da Natália Fernandes, do Cafépoint, comentarei sua dúvida.

O contrato de café arábica negociado na ICE (antiga NYBOT) em Nova Iorque, apenas aceita a entrega de cafés lavados, produzidos pelos seguintes países: Burundi, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, Guatemala, Honduras, Índia, Quênia, México, Nicarágua, Panamá, Papua Nova-Guiné, Perú, Ruanda, El Salvador, Tanzânia, Uganda e Venezuela. De acordo com cada uma destas origens citadas, há um prêmio ou desconto referente as cotações do mercado futuro. Por exemplo Colômbia tem um prêmio de US$ 2.00 centavos/lb, e Equandor um desconto de US$ 4.00 centavos por libra.
Para a maior parte as origens mencionadas o preço que recebem pelo café é igual ao preço negociado, ou seja não há nem um acréscimo ou decréscimo.
Já houve alguns painéis de estudo na bolsa para incluir o café brasileiro na lista, que por sinal um dia já foi entregável antes de existir o contrato "C". Porém em nenhum deste painéis houve uma votação da maioria para que o Brasil fosse aceito.
Claro que pode-se especular vários motivos que "justificariam" esta decisão, mas creio que (sem criar muita polêmica) a maneira mais simples de responder é dizer que o Brasil produz uma grande variedade de qualidades de café, tornando bastante peculiar a classificação do produto.
Como não há um referencial fixo de desconto para o café arábica brasileiro (o conillon é entregável em Londres) em nenhuma bolsa de mercadorias internacional, cria-se portanto uma oportunidade maior de arbitragem para os cafés do país, o que em muitas situações acaba expondo os produtores à maiores oscilações do preço recebido pelo seu produto.
Um abraço, Rodrigo.
Pedro
PEDRO

VARGINHA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 23/02/2010

Gostaria de um detalhamento maior sobre o texto citado na reportagem do Alexandre Inacio, que diz respeito ao café tradicional, a saber: "O motivo para o deságio ao produto brasileiro envolve muito mais fatores políticos do que técnicos e está relacionado ao fato de o Brasil não entregar o produto na bolsa. A bolsa reflete o desempenho da safra colombiana, mas é a produção brasileira a maior responsável pela pressão sobre as cotações."
Os produtore precisam de mais informações para tomar sua s decisões. Obrigado