Café: Bolsa de NY permitirá ensacamento a granel em 2015

Depois de aceitar a entrega de café brasileiro no início de 2013, a Bolsa de Nova York (ICE Futures US) vai quebrar mais um tabu: permitirá o recebimento de produto a granel, acondicionado em contêineres forrados, ou em 'supersacks', também chamados de 'big bags', para cerca de mil quilos. Atualmente, a entrega de café em armazéns licenciados pela ICE é feita nas tradicionais sacas de juta de 60 kg. A medida valerá para o contrato com vencimento em dezembro de 2015.

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Depois de aceitar a entrega de café brasileiro no início de 2013, a Bolsa de Nova York (ICE Futures US) vai quebrar mais um tabu: permitirá o recebimento de produto a granel, acondicionado em contêineres forrados, ou em 'supersacks', também chamados de 'big bags', para cerca de mil quilos. Atualmente, a entrega de café em armazéns licenciados pela ICE é feita nas tradicionais sacas de juta de 60 kg. A medida valerá para o contrato com vencimento em dezembro de 2015.

Em comunicado, a Bolsa informa que permitirá esse tipo de entrega "somente para o café que foi exportado de origem em um 'supersack' ou contêiner forrado". No armazém credenciado de destino, o café será reensacado em unidades de 60 kg, pois continuará valendo a liquidação do contrato nesse volume. Antes, porém, deverá ser criado um documento de embarque contendo dados sobre país de origem, número do contêiner, entre outras exigências.

O diretor geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (CeCafé), Guilherme Braga, considera que um dos motivos da medida deve ser a redução de custos, com a movimentação de grãos em larga escala em menos tempo. "Outro aspecto é o reconhecimento de uma nova realidade logística", diz Braga.

No mercado físico, os grandes compradores internacionais de café, como a indústria torrefadora, já têm estrutura apropriada para receber os 'supersacks'. Segundo ele, atualmente muito café brasileiro já é exportado em 'supersacks' e vai direto do porto de destino para os armazéns das indústrias. Um big bag pode receber, em média, de 20 a 25 sacas de 60 kg do grão.

Apesar das vantagens, segundo um corretor, o transporte de café a granel reacende a preocupação com a qualidade do grãos entregue na Bolsa de Nova York, o que poderia pressionar os preços futuros em relação ao mercado físico. Ele estima que, com a nova regra, ficará mais difícil garantir que os grãos de café se originaram a partir do país anunciado. Além disso, algumas indústrias fazem questão de receber o produto da origem em sacas de 60 kg.

Peso excessivo ao trabalhador - Braga observa que, internamente, o Brasil discute a questão de saúde do trabalhador braçal no transporte de carga de produtos alimentícios em sacas de 60 kg. A ideia é limitar a carga a sacas de 30 kg. "O assunto está em discussão no Congresso Nacional", ressalta. Trata-se do Projeto de Lei 5746/05, do Senado, que reduz de 60 kg para 30 kg a carga máxima para trabalhadores que fazem serviços braçais, como estivadores e operários da construção civil.

O objetivo do projeto é evitar acidentes e garantir melhores condições de trabalho a essas categorias. A proposta já foi aprovada pelas Comissões de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio e de Trabalho. Foi rejeitada, no entanto, pela Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural.

As informações são do Estadão Conteúdo, adaptadas pela Equipe CaféPoint.
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Antonio Fernando Baccetti
ANTONIO FERNANDO BACCETTI

GUAXUPÉ - MINAS GERAIS

EM 02/01/2014

A granelização do café não tem volta! Os armazéns credenciados tanto pela ICE quanto pela BMF e LSE precisam se adequar para receber, movimentar e entregar o café tanto em sacas quanto a granel e ou big bag. Além de desumano, carregar sacas de 60 kg é muito caro. Pensar que a granelização ( big bags ou silos ) prejudica o café ou pode propiciar fraudes no café que venham a comprometer a qualidade é um grande erro. Existem uma serie de mecanismos que garantem a origem e a qualidade do café. Aliás, poucos produtos possuem controle tão regido de qualidade e origem.

O café precisa de reduzir os custos operacionais e estratégias comerciais que favoreçam o Brasil no mercado mundial. BACCETTI