Cadeia produtiva da Angola sofre efeitos da seca

País africano produz cerca de 6,5% do volume total produzido há 45 anos atrás. Para aumentar a produção, Angola e o Thai Hoa Viet Nam Group do Vietnã, maior produtor mundial de café robusta, assinaram um contrato em junho de 2012 para renovar 100.000 hectares de plantações dentro de 10 anos, com a ajuda de uma linha de crédito de US$ 250 milhões do Brasil.

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Angola, que foi o terceiro maior produtor mundial de café antes da independência de Portugal, em 1975, produzirá a mesma quantidade de grãos nesse ano em relação a 2012, após a seca ter restringido a produção, disse o Instituto Nacional de Café do país.

A nação do sudoeste da África poderá produzir 15.000 toneladas (equivalente a 250.000 sacas de 60 kg) , disse Casimiro Cardoso, vice-diretor do instituto, em uma entrevista em Luanda. A falta de chuvas nas províncias do sul, como Huila, limitaram as colheitas e forçou as pessoas a buscarem ajuda do governo. A maior colheita de café de Angola foi de 235.200 toneladas (equivalente a 3.920.000 sacas de 60kg) em 1967, de acordo com dados do site da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentos (FAO).

A guerra civil que durou 27 anos terminou em 2002 e dizimou a economia, a infra-estrutura e a indústria de café de Angola. As fazendas de subsistência representam 90% dos produtores do país comparado com 70% em 1975, de acordo com dados do Governo. O país está lutando para diversificar sua economia, que o Fundo Monetário Internacional (FMI) disse que depende do petróleo para 40% de sua produção.

“Angola produziu uma grande quantidade de café, mas agora, somente famílias estão produzindo. Precisamos de mais investimentos”, disse Cardoso.

As estradas ligando fazendas às cidades não estão ainda sendo reconstruídas, enquanto treinamento e instalações de pesquisas precisam ser reconstruídos, disse Cardoso. Para aumentar a produção, Angola e o Thai Hoa Viet Nam Group do Vietnã, maior produtor mundial de café robusta, assinaram um contrato em junho de 2012 para renovar 100.000 hectares de plantações dentro de 10 anos, com a ajuda de uma linha de crédito de US$ 250 milhões do Brasil.

O Fundo Comum para Commodities (CFC) das Nações Unidas está ajudando as famílias a reabilitar as plantações de café na província de Kwanza Sul, Amboim, disse Cardoso. O projeto envolve 13 cooperativas de produtores e mais de 100 associações em uma área de 4.000 hectares. O CFC emprestou US$ 2,8 milhões para um projeto de US$ 8,5 milhões, de acordo com o site do fundo. “Esse projeto é uma história de sucesso porque, apesar de estar no mercado por apenas quatro anos, eles venderam 2.000 toneladas de café no mercado doméstico no ano passado, com uma tonelada de café vendida a US$ 2.000”.

O país africano produz café em 10 de suas 18 províncias. “Angora tem as condições ecológicas necessárias e capital humano para investidores estrangeiros para ser bem sucedido. O café angolano é bem conhecido e apreciado internacionalmente”.

A reportagem é do Bloomberg, traduzida e adaptada pelo CaféPoint.
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