Cadeia de orgânicos quer adiar novas regras

O segmento de alimentos orgânicos enviará no começo da semana que vem uma carta ao ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, pedindo a prorrogação por um ano do cumprimento das instruções normativas (IN) que regulamentam o setor no país. Produtores, certificadoras e indústria argumentam que não terão tempo para adaptar-se às regras. O prazo expira no fim de dezembro.

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O segmento de alimentos orgânicos enviará no começo da semana que vem uma carta ao ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, pedindo a prorrogação por um ano do cumprimento das instruções normativas (IN) que regulamentam o setor no país. Produtores, certificadoras e indústria argumentam que não terão tempo para adaptar-se às regras. O prazo expira no fim de dezembro.

Segundo José Pedro Santiago, presidente da Câmara Temática de Agricultura Orgânica, o adiamento é necessário devido ao atraso na aprovação das instruções normativas por parte do governo. A lei de orgânicos, sancionada em 2003 pelo presidente Lula, só teve o decreto regulamentado em dezembro de 2007. Teoricamente, as instruções normativas - o aparato técnico para dar suporte à produção e à certificação - deveriam ser publicadas junto com o decreto. Mas isso não ocorreu, atrasando todo o trabalho de adaptação da cadeia produtiva.

"A primeira IN só foi aprovada em dezembro de 2008 e a última, em maio deste ano", diz Santiago. "A prorrogação é necessária", diz Alexandre Harkaly, vice-presidente do Instituto Biodinâmico (IBD), uma das maiores certificadoras do país. Assim como os produtores, essas empresas também terão de seguir as novas regras, inclusive para a elaboração de seus questionários. E todas deverão ser creditadas pelo Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial), o que costuma levar meses. Se não for prorrogado o prazo de adequação, a partir de janeiro as certificadoras poderão ficar em estado "ilegal".

A exemplo do que ocorre em mercados avançados nesse tipo de agricultura, como os EUA e a Europa, as INs servirão para padronizar a forma de produção de alimentos orgânicos no Brasil. Com as INs, os brasileiros passarão a produzir de forma igual. Mas, antes, terão de fazer adaptações às novas regras, o que leva algum tempo.

As informações são de Bettina Barros, do jornal Valor Econômico, resumidas e adaptadas pela Equipe CaféPoint.
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