Brasil também quer assumir comando da Organização Internacional do Café

Depois de ter conquistado a direção da Agência das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), o Brasil tentará eleger outro candidato brasileiro em entidade da área agrícola: a Organização Internacional do Café (OIC), em Londres.

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Depois de ter conquistado a direção da Agência das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), o Brasil tentará eleger outro candidato brasileiro em entidade da área agrícola: a Organização Internacional do Café (OIC), em Londres.

O candidato Robério Silva, diretor do Departamento de Café do Ministério da Agricultura, vinha fazendo uma campanha discreta, a pedido do Itamaraty e apenas junto ao setor privado de países produtores e consumidores. A estratégia era concentrar esforços na eleição de José Graziano da Silva na FAO.

A partir da vitória na FAO, "todos os esforços se concentrarão na eleição na OIC, que será dentro de três meses", diz Silva. Ele estima que a eleição de Graziano "traz novo alento" a sua candidatura. Já o futuro diretor da FAO vê a situação bem menos complicada. "O numero de países para conquistar votos é menor (191 na FAO, 77 na OIC) e o Robério é quase um candidato de consenso."

O México, que votou contra o Brasil na FAO, já lançou candidato para concorrer contra o brasileiro na OIC: Rodolfo Trampe Taudert, representante do setor privado. Ele tem site na internet em espanhol, português, inglês e francês. Silva também tem seu site e a campanha agora vai esquentar.

O Brasil é o principal produtor e exportador e o segundo maior consumidor de café. A última vez que dirigiu a OIC foi em 2000-2002, com Celsiu Lodder. Atualmente, o brasileiro José Sette dirige interinamente a entidade, depois da saída antecipada do colombiano Nestor Osório, que foi representar seu país na Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York.

O ministro da Agricultura, Wagner Rossi, que lançou o nome de Silva, diz que o Brasil está muito firme na intenção de trabalhar na OIC para fortalecer o mercado mundial de café e reforçar a relação entre os países produtores e consumidores. Segundo ele, a situação é positiva para o setor. Os estoques estão baixos, o consumo continua a crescer e a OIC pode ajudar a fortalecer o mercado.

O Vietnã, segundo maior produtor de café, e a Colômbia, o terceiro, apoiam formalmente o candidato brasileiro. Vários produtores menores, como Cuba e Filipinas, também manifestam apoio. Do lado dos países consumidores, também há sinais de simpatia. O secretário-geral da Federação Europeia de Café, do setor privado, esteve em Brasília e disse a Silva que o Brasil terá de procurar a Comissão Europeia para discutir eventual apoio.

Vários países consumidores são também reexportadores de café, mesmo sem produzirem a bebida. A reexportação por países importadores totalizou 39,1 milhoes de sacas em 2010. A liderança é da Alemanha (8,6 milhões de sacas), seguida pela Bélgica (3,5 milhões), Estados Unidos (2,6 milhões e Itália (1,8 milhão).

Esses países compram o grão, agregam valor ao produto e faturam bem mais. Mas não deixam entrar o produto já elaborado de produtores como o Brasil, por causa de tarifas de importação proibitivas.

A matéria é do jornal Valor Econômico, adaptada pela Equipe CaféPoint.
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