Brasil: produção de cafés especiais ainda é pequena

O volume de cafés especiais produzidos no Brasil ainda é pequeno perto da produção nacional. O nicho de cafés finos chega a 5% da produção e apenas 2% são considerados cafés especiais. "Em ano de safra cheia, como agora, esse volume pode ser menor ainda porque os produtores trabalham com o terreiro lotado, o que pode afetar a qualidade", diz o presidente da Associação Brasileira dos Cafés Especiais (BSCA), Gabriel Carvalho Dias.

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O volume de cafés especiais produzidos no Brasil ainda é pequeno perto da produção nacional. Este ano, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima uma produção de 45 milhões de sacas. O nicho de cafés finos chega a 5% da produção e apenas 2% são considerados cafés especiais. "Em ano de safra cheia, como agora, esse volume pode ser menor ainda porque os produtores trabalham com o terreiro lotado, o que pode afetar a qualidade", diz o presidente da Associação Brasileira dos Cafés Especiais (BSCA), Gabriel Carvalho Dias.

Para o diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Guilherme Braga, o segmento de cafés especiais tende a crescer no mundo inteiro. "Quanto maior o consumo per capita, maior a exigência por qualidade."

Conforme pesquisa da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), o consumo de café no Brasil cresceu quase 5% em 2007, em comparação com 2006. Hoje, o consumo per capita no Brasil é de 5,53 quilos de café por habitante/ano. E uma das razões do crescimento é justamente a melhoria contínua da qualidade, revela a pesquisa.

No primeiro semestre, segundo o Cecafé, o Brasil exportou 12,8 milhões de sacas, com receita de US$ 2 bilhões. A estimativa é chegar a 28 milhões de sacas. Deste volume, apenas 148.500 sacas são cafés especiais. E alguns mercados consideram o café orgânico e o lavado diferenciados.

A Cooperativa de Cafeicultores de Guaxupé (Cooxupé), no sul de Minas, está incentivando os cooperados a melhorar a qualidade do café, pagando prêmios por lotes especiais. "Em 2002 criamos um departamento de novos produtos para procurar mercados para os cafés especiais", diz o gerente do departamento, Alexandre Vieira Costa Monteiro.

A cooperativa deve receber este ano 5 milhões de sacas, das quais 1,5 milhão serão exportadas. "Já são cafés excelentes, pois o mercado externo é exigente. Mas apenas 300 mil serão especiais", diz. "Os produtores menores também podem produzir café especial. Orientamos a esperar o momento certo para iniciar a colheita, quando restarem apenas 2% a 3% de grãos verdes na lavoura; a ter cuidado na secagem e não deixar o café pernoitar no terreiro."

Oferecer um canal de venda de cafés especiais para pequenos e médios cafeicultores também é o foco de um projeto do Grupo Ipanema Coffees, um dos mais tradicionais produtores de café do País. A maioria dos parceiros é de pequenos e médios produtores. "Orientamos e acompanhamos a produção. Depois provamos os lotes e comercializamos. A diferença de preço é dividida com o produtor", explica o diretor de Mercado Externo, Edgard Bressani.

No cerrado mineiro, referência em cafés de qualidade, o Conselho das Associações dos Cafeicultores do Cerrado (Caccer) trabalha para melhorar a venda dos especiais. "Não adianta o produtor fazer um bom café se não tem como vender mais caro", diz o superintendente, José Augusto Rizental. Para traçar estratégias, o Caccer criou em 2007 um comitê comercial.

O Caccer venderá este ano 2,5 milhões de sacas, sendo 150 mil classificadas como especiais. "Agregamos de 10% a 20% no valor destes lotes", afirma. Além da comercialização, ele diz que as cooperativas e associações ligadas à entidade também investem no trabalho de capacitação dos cafeicultores, principalmente de pequenos e médios. "Tem produtor que nem sabe a qualidade de seu café", diz. As informações são do jornal O Estado de São Paulo.
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