Brasil: panorama de comercialização e colheita de café

Segundo a Safras & Mercado, até o dia 22 de julho a colheita de café da safra brasileira 2008/09 estava em 60% do total. A colheita continua bem atrasada em relação a igual período do ano passado, quando 76% da safra 2007/08 estava colhida nesta época. A mão-de-obra continua sendo um grave problema em várias regiões do Brasil. Trabalhadores estão em número escasso e mais caros.

Publicado por: CaféPoint

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Segundo a Safras & Mercado, até o dia 22 de julho a colheita de café da safra brasileira 2008/09 estava em 60% do total. A colheita continua bastante atrasada em relação a igual período do ano passado, quando 76% da safra 2007/08 estava colhida nesta época. Na semana anterior, a colheita era indicada em 54%.

Conforme análise de Gil Barabach, os trabalhos seguem atrasados em torno de um mês e há perigo da safra atual encavalar com a florada, o que é uma ameaça para a safra futura. No entanto, a colheita agora está mais intensa, apesar de problemas localizados.

De acordo com traders ouvidos pela Reuters, as vendas de café do Brasil estão lentas devido à fraca demanda durante o verão europeu e norte-americano e aos poucos estímulos para os produtores negociarem a safra que estão colhendo. Apesar da expectativa de uma colheita no país de até 50 milhões de sacas de 60 kg, a safra está atrasada. "Ainda é muito cedo para a nova safra. Ela não está pesando sobre o mercado ainda porque a maior parte dos grãos ainda está nas árvores", disse Robert Griffin, diretor da Capricorn Coffees no Rio de Janeiro.

A mão-de-obra continua sendo um grave problema em várias regiões do Brasil. Trabalhadores estão em número escasso e caros. O atraso na colheita, com o período mais curto agora para os trabalhos, acaba trazendo ainda maiores dificuldades em relação à mão-de-obra.

Minas Gerais

A colheita de café no cerrado mineiro vai evoluindo bem, estando em torno de 50% do total, com o clima seco também favorecendo os trabalhos. O beneficiamento vem mostrando uma renda baixa para o café, que deve resultar numa quebra de pelo menos 10% na produção estimada pela Conab. A análise é do vice-presidente do Conselho das Associações de Cafeicultores do Cerrado (Caccer), Jerry Magno Resende.

Resende afirma que a renda no benefício está se mostrando fraca, com peneira baixa e o café com casca grossa, "cascudo", sendo um grão leve. Normalmente, entre 35% e 40% da safra do cerrado mineiro fica com peneira 17/18. Nesse ano, a média está caindo para 20% a 25%, afirma Resende. No entanto, como de costume, o café da região mantém boa qualidade. Para Resende, a comercialização está devagar, pois os preços de venda do café na região não cobrem os custos de produção, o que é preocupação grande para os cafeicultores.

Na região do município de Patrocínio, considerado o maior produtor de café do País, nem todos os cerca de 790 cafeicultores iniciaram os trabalhos. "Perto de 80% dos produtores começaram a colher. O ritmo ainda é lento, mas dentro de alguns dias os trabalhos vão ganhar mais agilidade", informa o presidente da Associação dos Cafeicultores da Região de Patrocínio (Acarpa), Wilson José de Oliveira.

Segundo ele, a colheita começa normalmente em meados de maio. Este ano, houve atraso de 40 a 50 dias, por causa do clima no segundo semestre de 2007. As chuvas demoraram a ocorrer, retardando a florada e o amadurecimento dos grãos. Oliveira acrescenta que os primeiros lotes desta safra estão chegando ao mercado apenas agora. A qualidade dos grãos, diz, tem se mostrado muito boa. "O clima na região tem sido satisfatório e a secagem dos grãos está bem uniforme porque não tivemos até o momento problemas de chuvas", explica.

O supervisor de mercado da Cooperativa Regional de Cafeicultores de Guaxupé, Lúcio Araújo Dias, concorda com o presidente da Acarpa. Em entrevista recente ao Mercado e Companhia, Lúcio afirmou que a safra deste ano terá um café de qualidade excepcional, com ajuda do clima seco. Segundo ele, a colheita deste ano segue em ritmo considerado razoável, chegando a 42% do total.

"A oferta está extremamente apertada em relação à demanda. Nós vamos ter uma safra menor no próximo ano e, com certeza, na hora que começarmos a visualizar essa próxima safra, teremos o mercado reagindo e, provavelmente, uma recuperação interessante de preços", informou o supervisor da Cooxupé.

Na região de atuação da Cooperativa dos Cafeicultores da Região de Caratinga (Coopercafé), na Zona da Mata de Minas Gerais, a colheita do café da safra 2008 continua evoluindo satisfatoriamente. Apesar do atraso de cerca de um mês na maturação e escassez da mão-de-obra, os trabalhos avançaram 10% na semana passada, segundo o engenheiro agrônomo Sérgio Stevanato. Estima-se que 55% da safra já tenha sido colhida na região.

A comercialização na região, por sua vez, também é devagar de acordo com o gerente de comercialização da Cooperativa, Paulo Tavares. Pouco menos de 10% da safra nova foram comercializados.

São Paulo

Na região da Cooperativa dos Cafeicultores da Região de Marília (Coopermar), atuante no centro-oeste de São Paulo, a colheita de café está rendendo bem, segundo o engenheiro agrônomo da cooperativa, Aurélio Giroto. Com condições climáticas favoráveis, os trabalhos totalizam quase 40%. A comercialização da nova safra continua travada, com apenas 5% negociados em CPRs e negócios futuros.

Bahia

Segundo o presidente de honra da Associação dos Produtores de Café da Bahia (Assocafé), João Lopes de Araújo, as chuvas dos últimos dias atrapalharam os trabalhos nas lavouras. "É normal chover nesta época, mas o clima já melhorou e o sol deve ajudar no avanço da colheita", afirmou. Segundo estimativas, o índice de colheita na região é de 44%.

Paraná

O Departamento de Economia Rural, Deral, divulgou esta semana seu boletim mensal de acompanhamento da colheita. De acordo com os dados, até o final de junho, o Paraná tinha colhido 74% de sua produção de café. Segundo o Deral, 28% da safra nova já havia sido comercializada.

Espírito Santo e Rondônia

A colheita de café conillon no estado do Espírito Santo está encerrada, mas continuam os os trabalhos com arábica, que tem pouco mais de 40% do total colhidos. Segundo avaliação de Marcus Magalhães, da Maros Corretora, o clima está bom para a evolução dos trabalhos, sem chuvas e com temperaturas amenas.

Quanto à comercialização, o mercado no Espírito Santo segue extremamente calmo. Marcus aponta que 30% da safra nova de conillon já foi comercializada de forma física ou para entrega futura. Já para o arábica, o índice é de 20%. Quanto ao conillon de Rondônia, a colheita está praticamente encerrada.

As informações são da Agência Estado, Agência Safras e Folha de São Paulo.
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