Brasil: colheita e comercialização da safra 2008/09
A persistência no atraso da colheita de café deste ano já começou a despertar a preocupação de algumas cooperativas, que informaram a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) sobre a grande possibilidade de quebra na produção. Estima-se que a incidência de chuvas nas últimas semanas tenha favorecido o início da florada em cafezais onde os frutos não foram colhidos totalmente, podendo prejudicar também a safra de 2009/10.
Publicado por: CaféPoint
Publicado em: - 6 minutos de leitura
As perdas são consideradas como certas para Francisco Miranda de Figueiredo Filho, presidente da Cocatrel, que atua em Três Pontas, sul de Minas Gerais. O representante disse que o volume de café depositado na cooperativa é bem menor que nos anos anteriores. "Não é só em Três Pontas que temos problemas. Por onde passo, os produtores dizem que a produção está ruim", afirmou.
Joaquim Goulart de Andrade, gerente de desenvolvimento técnico da Cooxupé (Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé), disse que o volume de café em agosto está 14% menor na comparação com 2006. Segundo ele, para encher uma saca de café beneficiado são necessários 380 litros de grãos, normalmente. Na atual situação, os produtores usam 500 litros do grão para obter a mesma saca.
A situação está mais crítica na região da Alta Mogiana, onde a quebra da safra subiu mais 10% além do que havia sido previsto. "A quebra inicial que tínhamos informado à Conab era de 20%, mas esse número já alcança a casa dos 30%", avalia Roberto Maegawa, encarregado técnico e engenheiro agrônomo da Cocapec. Segundo ele, há ainda o grande risco de a nova florada surgir antes de terminar a colheita dos frutos.
Reginaldo Rezende, analista da FCStone, acredita em preços altos para a commodity até o final do ano. "Não acredito que fique abaixo dos 133 centavos de dólar por libra peso (cents/lb). A oferta e a demanda estão apertadas", afirmou. Atualmente o consumo interno está em 16 milhões de sacas e as exportações são de 28 milhões de sacas. "Só isso já corresponde a safra deste ano. Para 2010, a estimativa é que o consumo interno suba para 20 milhões de sacas", diz. Na última sexta-feira, na bolsa de Nova York, contratos para setembro recuaram 230 pontos, para 132,85 cents/lb.
Segundo levantamento da Safras e Mercado, a comercialização da safra de café do Brasil 2008/09 encontra-se em 18,30 milhões de sacas ou 36% do total de 50,4 milhões de sacas previstas pela Agência. Em igual período do ano passado, 29% da safra 2007/08 estava comercializada. Segundo o analista Gil Barabach, o avanço dos negócios em relação ao ano passado é justificado em virtude das negociações antecipadas, particularmente no período entre os meses de fevereiro e março, junto à disparada das cotações internacionais. "Os produtores aproveitaram a oportunidade para fixar posições com safra nova, que garantem a aceleração dos negócios nessa temporada", conclui Barabach.
Segundo a Safras, a colheita de café da safra brasileira 2008/09 está em 73%, com pouco avanço das negociações. "Segue a impressão de entressafra em plena safra, o que vem sendo corriqueiro nas últimas temporadas", diz Barabach. Os preços não sensibilizaram os vendedores, que esperam uma remuneração melhor mais à frente, indica. "Alguns estão capitalizados com vendas antecipadas, outros com recursos de terceiros, particularmente das linhas de crédito oficiais. A verdade é que o produtor vem pouco ao mercado", avalia Barabach.
Minas Gerais
Segundo o vice-presidente do Conselho das Associações de Cafeicultores do Cerrado (Caccer), Wílson José de Oliveira, a colheita de café no cerrado mineiro continua transcorrendo bem, com os grãos no ponto ideal de colheita e com todas as máquinas nas lavouras trabalhando. A estimativa é de que 60% da safra estejam colhidos. No benefício do café, os grãos estão mostrando renda baixa, com o café "muito cascudo", caracteriza Wílson, o que deve reduzir a safra da região.
Na Cooparaíso, que atua em 30 municípios do sul de Minas e 7 na região de Mogiana paulista, 55% de um total de 3,15 milhões de sacas previstos já foram colhidos. Na área de atuação da Cooxupé, a colheita de café avançou bem na última semana. As chuvas registradas na semana anterior não foram suficientes para a abertura de uma florada, o que seria muito prejudicial à safra futura.
Segundo Joaquim Goulart de Andrade, gerente de desenvolvimento técnico da Cooxupé, foram colhidos 49,9% da atual safra, o que representaria 4,8 milhões de sacas. As regiões produtoras continuam enfrentando o problema de mão-de-obra escassa e cara, utilizando, dentro do possível, máquinas para se apressar a colheita.
Produtores continuam retraídos diante do cenário de preços desfavoráveis, fazendo com que a comercialização de café no sul de Minas encontre-se praticamente estagnada. Contando com recursos do governo para colheita e estocagem de café, o produtor não tem vendido pelas cotações atuais. 35% a 40% da safra nova estão comprometidos via CPR (Cédula de Produto Rural), troca por insumos, exportação e outros meios.
São Paulo
Segundo a Cooperativa de Cafeicultores e Agropecuaristas de Franca (Cocapec), no norte de São Paulo, o tempo seco nos últimos dias ajudou na evolução da colheita de café. Estima-se que 60% já foram colhidos. A comercialização anda devagar, com 5% da safra nova comercializada para entrega futura ou via CPR (Cédula de Produto Rural), enquanto ainda restam 20% da safra passada.
No centro-oeste de São Paulo, de atuação da Cooperativa dos Cafeicultores da Região de Marília (Coopermar), os trabalhos de colheita na semana passada estiveram paralisados com a incidência de chuvas. Segundo o engenheiro agrônomo da cooperativa, Aurélio Giroto, chove na região desde o final de semana passado, impossibilitando a colheita nos últimos dias. "O café ainda está muito úmido, há bastante grãos no chão", disse.
A colheita no centro-oeste encontra-se em 55% do total, e também a comercialização é lenta. Menos de 10% foram negociados por meio de CPRs e negócios futuros.
Paraná
Segundo dados do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Paraná (Seab), até dia 11 de agosto tinham sido colhidos 84% da produção estimada, com grande parte das lavouras em boas condições de colheita e alta porcentagem de grãos maturados. Ainda de acordo com o Deral, 32% da safra nova já foram comercializados.
Bahia
Na Bahia, a colheita de café avançou com maior velocidade nas últimas semanas. Segundo o presidente de honra da Associação dos Produtores de Café da Bahia (Assocafé), João Lopes de Araújo, "o clima ensolarado ajudou na maturação dos grãos e facilitou a colheita". Estima-se que 56% da safra nova estejam colhidos. A comercialização no estado continua devagar. "Só vende quem precisa de dinheiro e não tem como esperar", afirmou João.
De acordo com Sílvio Leite, presidente do Centro do Comércio de Café da Bahia, aproximadamente 15% da safra nova foram comercializados no mercado físico e 25% negociados via CPR, que ainda não foram entregues. Sílvio lembra ainda que há bastante expectativa quanto ao Pepro, no sentido de que o programa do governo deverá levar a um aumento dos preços do café, e que o dólar muito baixo é um dos principais motivos da atual queda dos preços no mercado interno.
Espírito Santo
Agentes capixabas estão afirmando que a colheita deste ano do Espírito Santo pode ser cerca de 30% menor que a produção 2007/08, por conta do baixo rendimento dos grãos. O baixo índice de precipitações no início do ano impediu que os grãos atingissem um bom calibre. Nesse sentido, foram necessários mais grãos de robusta para encher uma saca de 60 kg.
Rondônia
De acordo com Daniel Constance, da Cafeeira Jodan, o ritmo de vendas diminuiu bastante nas últimas semanas, com poucos vendedores dispostos a fazer negócios, esperando por preços mais altos no período da entressafra. "O pessoal fica especulando com os estoques de café, esperando pegar um preço melhor depois da colheita", revela. Segundo ele, cerca de 60% da produção está comprometida.
"Tem chovido bastante nas regiões produtoras de café, e em algumas fazendas já houve abertura de floradas", comenta Constance. De acordo com a última estimativa oficial da Companhia Nacional do Abastecimento (Conab), divulgada em maio, o estado de Rondônia está colhendo 1,694 milhão de sacas nesta safra 2008, elevação de 14,3% na comparação com as 1,482 milhão de sacas produzidas em 2007.
Com informações da Agência Safras, Gazeta Mercantil e Secretaria de Agricultura do Paraná.
Julio Frare, Equipe CaféPoint
Para continuar lendo o conteúdo entre com sua conta ou cadastre-se no CaféPoint.
Tenha acesso a conteúdos exclusivos gratuitamente!
Publicado por:
CaféPoint
O CaféPoint é o portal da cafeicultura no Brasil. Contém análises de mercado, perspectivas, cotações, notícias e espaço para interação dos leitores, além de artigos técnicos que abordam produção, industrialização e consumo de café. Acesse!
Deixe sua opinião!

SANTA TEREZA - ESPÍRITO SANTO - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 18/08/2008
Em conversas com amigos meus, produtores de café, alguns me dizem que a quebra em suas propriedade foram de 30% ou até mesmo 42%. Não é díficil de se acreditar, pois o caroço do conilon este ano está miúdo, e com isto precisaremos de mais grãos para se fazer uma saca de 60kg, além de estar bem cascudo.
Temos encontrado para próxima safra o déficit de chuvas, pois aqui na nossa região as chuvas não foram suficientes para encher os reservatórios, como por exemplo, o meu, que ficou a mais de um metro abaixo do nível.
Pergunto: como produziremos café com o reservatório baixo, o preço dos insumos subindo ao espaço, o preço do café só despencando? E o produtor que estava com a esperança dos anos passados de se livrar das dívidas, está cada vez mais fazendo mais e mais... como sobreviveremos a isto?
Fica difícil não ter um relatório verídico sobre as safras que teremos, sem especulações daqueles que querem ganhar dizendo que a safra é recorde, que teremos tantos milhões de sacas, fazendo os preços despencarem para assim, como sempre, ganharem em cima de quem mais sofre para produzir no país. Isso sem falar nas altas dos adubos e outras coisas com as quais ficamos revoltados só de pensar.
Bem amigos, todos nós sabemos o que é ser produtor de café e então eu acho que se tivéssemos menos burocracia e pudéssemos comercializar os nossos produtos direto, talvez assim poderíamos ter uma luz no fim do túnel.