Bolsa de NY pode aceitar entrada de café do Brasil

O Brasil, maior produtor mundial de café, ficou mais próximo nesta semana de se tornar uma das origens que podem entregar o produto contra o vencimento de contratos futuros na bolsa de Nova York (ICE Futures US). O Comitê de Café da ICE recomendou que cafés lavados e semi-lavados cultivados no Brasil possam ser entregues contra o contrato referencial "C" de café arábica na bolsa, disseram fontes do mercado nesta quinta-feira (14).

Publicado por: CaféPoint

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O Brasil, maior produtor mundial de café, ficou mais próximo nesta semana de se tornar uma das origens que podem entregar o produto contra o vencimento de contratos futuros na bolsa de Nova York (ICE Futures US).

O Comitê de Café da ICE recomendou que cafés lavados e semi-lavados cultivados no Brasil possam ser entregues contra o contrato referencial "C" de café arábica na bolsa, disseram fontes do mercado nesta quinta-feira (14).

O Brasil busca há anos a possibilidade de poder entregar fisicamente café à bolsa de Nova York no vencimento de contratos futuros do produto, já que essa seria mais uma alternativa de comercialização para o país.

Produtores brasileiros eventualmente operam com os futuros em Nova York, mas necessitam liquidar financeiramente as operações antes dos vencimentos, já que não dispõem, como outros produtores da América Central, por exemplo, da opção de entregar o café fisicamente como pagamento pela operação.

Alguns países, como a Guatemala e a Colômbia, são contra a abertura para o recebimento do café brasileiro, argumentando que o produto teria menor qualidade e a grande quantidade produzida no Brasil poderia provocar a queda das cotações em Nova York.
Um porta-voz da ICE afirmou que o comitê, que inclui torrefadores e operadores, concluiu sua recomendação aos diretores da bolsa, mas não confirmou o conteúdo da orientação ou quando a direção da ICE irá tomar uma decisão final.

Reação no Brasil

O presidente do Conselho Nacional do Café (CNC), Gilson Ximenes, avaliou que a recomendação do comitê é algo positivo e acredita na aprovação da orientação pela direção da bolsa.

Ele lembrou que em 2004 o comitê chegou a aconselhar favoravelmente sobre o café brasileiro, mas a direção da bolsa acabou não aceitando.

"Naquela oportunidade (2004) foi um trabalho feito pelo Brasil. E agora não, eles estão chegando a conclusão que precisam do café brasileiro, que o café brasileiro melhorou muito de qualidade e é importante para o mercado de café a introdução do Brasil no contrato C", afirmou Ximenes.

"Dessa vez não tem intervenção de ninguém, não tem ninguém pedindo, pra não acontecer o que aconteceu em 2004... Agora a gente espera a aprovação", acrescentou.

A aprovação será benéfica para as negociações de café, opinou Ximenes.

A Bolsa de Nova York (ICE) iniciou, ontem, a análise sobre o possível início das negociações de contratos de café do Brasil. O assunto vem sendo discutido há dez anos, mas ganhou força nos últimos meses. A melhora da qualidade do produto nacional e a quebra de safra nos principais concorrentes - Colômbia e países da América Central - aumentaram o interesse dos compradores pela possibilidade entrega do café brasileiro na bolsa americana.

"Vai fortalecer o mercado e trazer uma tranquilidade a todos os consumidores. Porque hoje a Colômbia está sempre em dúvida com a produção dela, ninguém tem condição de fixar uma quantidade, ela fracassou nos plantios novos, houve muito problema climático", ressaltou.

Um representante do governo brasileiro acredita que a inclusão do café brasileiro poderá melhorar os instrumentos de hedge no mercado. "Daria mais liquidez para esses tipos de café e mais transparência ao mercado. Traria mais estabilidade porque Nova York refletiria o que está acontecendo no mercado", declarou o diretor de Café do Ministério da Agricultura, Robério Silva.

Mais produtores brasileiros estão apostando na ideia de produzir cafés semi-lavados, depois de compradores terem buscado mais o produto no Brasil após uma queda na produção da Colômbia na safra passada. As vendas de equipamentos para produzir o café semi-lavado estão crescentes no Brasil.

Já o diretor-executivo do Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil), Guilherme Braga, preferiu não comentar a notícia, aguardando a aprovação final pela diretoria da bolsa. "Ouvi essa notícia, mas não tenho confirmação. Precisaria ter uma confirmação...", disse.

A reportagem é de Sarah McFarlane e Peter Murphy, para o jornal Folha de S.Paulo e de Roberto Samora e Marcy Nicholson, da Reuters, resumida e adaptada pela Equipe CaféPoint.
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