Biodiesel começa a 'invadir' zona cafeeira do Brasil

Três Pontas, no Sul de Minas Gerais, é o maior município produtor de café do Brasil e do mundo, destinando, atualmente, cerca de 25 mil hectares à cafeicultura e colhendo aproximadamente 600 mil sacas de 60 kg do grão beneficiado. Contudo, essa amplitude cafeeira da cidade mineira começa a correr risco em função da entrada de outras culturas destinadas à agricultura não-alimentar, como etanol e biodiesel.

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Três Pontas, no Sul de Minas Gerais, é o maior município produtor de café do Brasil e do mundo, destinando, atualmente, cerca de 25 mil hectares à cafeicultura e colhendo aproximadamente 600 mil sacas de 60 kg do grão beneficiado. Contudo, essa amplitude cafeeira da cidade mineira começa a correr risco em função da entrada de outras culturas destinadas à agricultura não-alimentar, como etanol e biodiesel.

Neste ano, uma empresa voltada à produção de biodiesel se instalou na região e com grandes ambições. Em uma primeira fase, essa indústria vem cultivando girassol e trabalhando na construção de silos, já pensando, para 2009, em dobrar os volumes iniciais.

Além disso, municípios vizinhos, como São Sebastião do Paraíso e Cristais, também começam a vivenciar situação parecida, com a instalação de indústrias voltadas à produção de etanol, o que, conseqüentemente, vem fazendo crescer o cultivo de cana na região, principalmente nas áreas planas.

Ocorre que o avanço dessas culturas, convenhamos mais rentáveis, começa a ocupar o espaço da cafeicultura local, com estimativas de que o café já tenha sido erradicado em aproximadamente 3 mil hectares nos arredores de Três Pontas.

Esse fato é alarmante e reflete a atual situação vivida pela atividade cafeeira nacional. Pois, apesar dos preços internacionais do café, em dólar, estarem em bons níveis, quando se faz a conversão para real, a atual taxa de câmbio adotada pelo governo tira qualquer possibilidade de lucro do cafeicultor brasileiro, o qual, em outras situações, sequer consegue cobrir seus custos de produção com a comercialização do produto.

Tendo isso em vista, faz-se necessária a adoção de políticas que gerem renda ao cafeicultor brasileiro, sem as quais a atividade cafeeira se torna inviável no país, pois vai perder espaço para essas culturas destinadas à geração de biodiesel e etanol.

No Sul de Minas, por exemplo, as usinas vêm pagando ao produtor mais de R$ 1.000,00 por hectare cultivado com cana, com esse valor oscilando conforme a proximidade da lavoura com a indústria. Mas, tomando os R$ 1.000,00 como parâmetro, podemos pensar que o produtor de uma propriedade com 100 hectares destinados à cafeicultura, se optar pela cana em detrimento ao café, terá uma lucratividade de R$ 100.000,00, ao passo que, caso continue com o café, mesmo trabalhando intensamente nos cafezais, mal irá cobrir seus custos.

Portanto, o avanço dessas outras culturas nos faz pensar em redução da área destinada à cafeicultura no Brasil e, conseqüentemente, da produção nacional. O mais agravante, porém, é que a enorme geração de empregos proporcionada pelo café em nosso país, envolvendo 8,4 milhões de pessoas ao ano, tenderá a cair, implicando diretamente na questão social.

Ou o preço do café sobe, permitindo a continuidade da cafeicultura, ou estamos fadados a, gradativamente, reduzir nossos cafezais e nossa colheita a pontos insignificantes quando fazemos o comparativo com o demandado pelo consumo interno e pelas exportações.

Gilson Ximenes
Presidente
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Mateus Magalhães dos Reis
MATEUS MAGALHÃES DOS REIS

ITAJUBÁ - MINAS GERAIS

EM 25/06/2008

Estive em Três Pontas/MG visitando a ExpoCafé 2008.
Acredito muito na Cafeicultura Nacional e arrisco a dizer que a grande jogada do Agronegócio Café é a rastreabilidade com consequente disponibilização das informações aos consumidores. Isso aliada a uma grande campanha de marketing a fim de consolidar o Café Brasileiro no mercado internacional.

Abraço,