Belluzzo: demanda e câmbio são grandes desafios
O governo Dilma Rousseff precisa encontrar um arranjo de política econômica que permita ao mesmo tempo ajustar o ritmo de crescimento da demanda - hoje "um pouco excitada" - e enfrentar a questão do câmbio valorizado, que desarticula cadeias produtivas inteiras, diz o professor Luiz Gonzaga Belluzzo, da Unicamp e da Facamp. Para ele, é necessário, de fato, controlar as despesas correntes e elevar o superávit primário, para que se consiga executar uma política fiscal anticíclica, "exatamente para não exigir depois do Banco Central uma ação mais enérgica".
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Belluzzo não descarta uma alta de juros, mas tampouco a considera inevitável. Uma elevação da Selic pode agravar ainda mais a valorização do câmbio, num mundo em que há farta liquidez internacional. Aumentar ou não a taxa vai depender do "mix monetário e fiscal", afirma Belluzzo, que elogia medidas de contenção ao crédito adotadas recentemente pelo BC, que lançou mão de outro instrumento que não os juros.
O professor mostra grande preocupação com o câmbio valorizado e seu impacto sobre a indústria, que já sofre com o desmonte de algumas cadeias produtivas, num cenário de forte aumento das importações. "O calcanhar-de-aquiles do governo Lula foi a questão cambial, que pode nos custar caro no futuro. Esse é o enigma que Dilma vai ter de decifrar", afirma Belluzzo, que vê, contudo, um saldo bastante positivo no governo Lula, citando a aceleração do crescimento, a redução da pobreza e a incorporação de milhões de pessoas ao mercado consumidor.
Um dos conselheiros econômicos mais importantes do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Belluzzo também é interlocutor frequente do ministro da Fazenda, Guido Mantega.
BC adota medida para combater especulação com o câmbio
As instituições financeiras terão que recolher ao Banco Central (BC) 60% sobre o valor da posição de câmbio vendida que exceder US$ 3 bilhões ou o montante equivalente ao patrimônio de referência do banco. A medida tem o objetivo de ajudar a conter a queda do dólar.
Segundo o diretor de Política Monetária do BC, Aldo Mendes, com a mudança, a tendência é que a cotação do dólar aumente. "A princípio [a medida] vai gerar alguma demanda por dólar, o que tende a fazer com que a cotação suba", disse hoje (6) em entrevista coletiva. "Com a medida, o Banco Central visa a melhorar o funcionamento do mercado de câmbio à vista e reduzir as posições vendidas do sistema que em dezembro de 2010 alcançaram o valor de US$ 16,8 bilhões", diz nota divulgada pelo BC.
As informações são do jornal Valor Econômico e Agência Brasil, resumidas e adaptadas pela Equipe AgriPoint.
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CAMPINAS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 10/01/2011
Os 3 pontos críticos para o nosso desenvolvimento são a inflação, a taxa de juros e a taxa de câmbio. Esses 3 pontos não são estanques, tem relação entre si.
Embora os juros sejam livres, existe a SELIC, uma taxa de juros básica adiministrada pelo Conselho Monetário Nacional, visando um controle sobre a inflação. Não seria o caso de deixar a taxa de câmbio flutuante, mas o Conselho Monetário Nacional administrar também uma taxa de câmbio mínima visando um controle sobre a inflação, perda de renda e trabalho no País?
Se não estou enganado,em 2019 o Governo teria gasto US$ 45 bilhões para comprar dólares no mercado tentando, sem muito sucesso, evitar a sobrevalorização do real, práticamente o que tería gasto nas obras do PAC, que teria sido US$ 42 bilhões. Essa política não parece fazer sentido num País com a infraestrutura precária como o caso do Brasil! A posição de reter no Banco Central 60% da posição em dolares da Instituição Financeira que exceder a US$ 3 bilhões parece ser mais inteligente. Talvez uma taxa de câmbio mínima administrada pelo Conselho Monetário Nacional possa ser uma medida interressante e complementar à de recolhimento de dolares junto ao Banco Central para evitar que a especulação sobrevalorize o real.
Marcello de Moura Campos Filho

AREIÓPOLIS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 06/01/2011