Balanço Semanal do Café - 19 a 23/11/2012
Com a recente queda das cotações do café, representantes do setor se reúnem com o governo federal para buscar alternativas de proteção aos produtores. Segundo o Conselho Nacional do Café - CNC, projetos trabalhados por este grupo junto ao governo federal têm evoluído a favor da cadeia produtiva. Confira
Publicado por: CaféPoint
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Segundo o CNC, o resultado do encontro foi extremamente auspicioso. O governo demonstra entender que o produtor é o elo mais fraco da cadeia do café e, através disso, algumas propostas foram apresentadas, nas quais buscou-se um piso para a comercialização do produto. Isso porque os representantes do setor, mencionados acima, não concordam com os preços que estão sendo praticados, principalmente quando, do lado fundamental, sabem que a safra brasileira só é suficiente para abastecer o consumo interno e as exportações, o que reflete que o mercado atual é dominado completamente por especulações.
Considerando isso, o que a equipe buscou - com total apoio do Ministério da Agricultura - é exatamente que o produtor de café possa honrar os compromissos, principalmente os vários que vencem agora em dezembro. Como o governo está atento a essa situação, ele se comprometeu a, na próxima semana, anunciar medidas nesse sentido, o que, sendo consolidado, dará suporte para o setor passar os meses de dezembro e janeiro e, em especial, conseguir ordenar a venda do restante da safra 2012 de café ao longo dos oito meses até o início do próximo ciclo.
Sem prorrogação - É válido salientar que, nesse pacote que CNC, Comissão do Café da CNA e Frente Parlamentar apresentaram ao governo não há a intenção de prolongamento de prazo para pagamento de financiamentos nos últimos meses de 2012. Em verdade, o foco está continuamente na rentabilidade para o produtor e, com esses novos recursos para financiamento que serão anunciados pelo governo, o cafeicultor saldará seu compromisso sem nenhuma dificuldade, principalmente considerando que esse pacote também incluirá um piso referencial para que possa comercializar o produto.
Aliado a isso, o grupo também está tratando com o governo a questão das Opções Públicas para o café. Ou seja, eles têm trabalhado com duas medidas que vem ao encontro daquilo do que o produtor almeja: políticas mais modernas, saindo daquele modelo antigo de se prorrogar, colocar prazo de espera e, no final, o cafeicultor ficar em dificuldade ainda maior, porque pagou juros e não teve renda. A intenção atual é providenciar recursos para que ele possa efetivamente honrar seus compromissos e, consequentemente, também ter um preço de referência para comercializar o seu café.
Com relação ao endividamento, foi apresentada uma emenda à MP 541 pelo presidente da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Cafeicultura, deputado federal Diego Andrade, no sentido de reabertura da negociação dos passivos inscritos na Dívida Ativa da União (DAU) e estamos acompanhando a tramitação do processo para que possamos alcançar a melhor saída para os produtores que se encontram nessa situação.
Mercado - Ao longo das últimas semanas, o mercado cafeeiro vem antecipando uma percepção de agentes que apostam na queda do preço. Neste sentido, várias notícias têm sido veiculadas destacando a maior disponibilidade brasileira e apostando que os produtores do Brasil terão que intensificar suas vendas no curto prazo. Curiosamente, algumas das instituições que vêm divulgando um tom mais pessimista em relação aos preços, há poucas semanas, tinham opiniões opostas.
Polêmicas à parte, hoje é notório que as notícias baixistas vêm ganhando destaque e que, do outro lado, as informações positivas para a recuperação das cotações tem menor repercussão. Exemplos disso são o relatório da Green Coffee Association (GCA), que acusou queda de 159.436 sacas nos estoques de café verde dos Estados Unidos em outubro, para 4.941.442 sacas, e, ainda, a perspectiva de menores safras na Colômbia e em outros países da América Central.
O fato é que, no meio desse "tiroteio", os produtores brasileiros seguem com mais cautela na comercialização, aproveitando as oportunidades de operações de troca de insumos por entrega futura e, dessa maneira, conseguem ir suprindo seus compromissos sem ter que lançar mão de seu capital de giro. A necessidade de recursos financeiros dos produtores nesta época do ano é menor, pois os principais insumos já foram comprados e as despesas com mão de obra são reduzidas, já que boa parte dos tratos culturais é feita com mecanização. Desta forma, os cafeicultores seguem aguardando melhores oportunidades de comercialização e contam com o apoio do governo, conforme informado acima.
Como reflexo desta situação, as exportações nacionais seguem bem abaixo do previsto e os estoques de café arábica, especialmente os de cafés finos, estão cada vez menores. Portanto, atualmente o mercado faz uma aposta arriscada ao acreditar que, no curto prazo, haverá um aumento de oferta nos atuais níveis de preço. A comercialização dos produtores brasileiros não foi tão lenta como se imagina, já que um considerável volume de café saiu dos armazéns para honrar as vendas de CPR's e operações de trocas de insumos feitas em 2011, que foram liquidadas nos últimos meses.
No quadro atual, o Presidente Executivo do CNC, Silas Brasileiro, recomenda aos produtores que evitem se deixar levar por pressões especulativas e deem preferência para operações futuras como as Cédulas de Produto Rural nas suas eventuais necessidades de caixa, já que, com a alta do câmbio, é possível fazer liquidações melhores em vendas futuras do que nas vendas de entrega imediata.
As informações são do CNC, adaptadas pela Equipe CaféPoint.
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