Baixo interesse por comercialização pressiona ainda mais as cotações do café

Natália Sampaio Fernandes, da Confederação Nacional da Agricultura - CNA, desenvolve em seu artigo os principais fatores que têm influenciado o panorama atual do mercado de café. Para autora, acredita-se que o volume colhido na safra 2012 seja suficiente para suprir a demanda interna e as exportações, mas não para recuperar os estoques.

Publicado em: - 3 minutos de leitura

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O mercado de café segue em movimento lateral, sem força para dar sequência acima dos níveis de 165,00, na bolsa de NY.

O café tem sido influenciado negativamente pelo cenário macroeconômico. Diante notícias vindas da zona do euro, fundos de investimentos e especuladores saem do mercado de commodities, em busca por ativos de menor risco. Na semana, a maioria das commodities acumulou perdas, conforme gráfico abaixo.

Figura 1


Na semana, notícias mostraram as dificuldades que os países da zona do euro vêm enfrentando para tentar se recuperarem da crise. Dentre elas, a Grécia afirma precisar de outros 30 bilhões de euros em ajuda de seus credores internacionais até 2016 para compensar uma recessão mais grave. Enquanto isso, o Banco Central da Espanha afirmou que a Espanha aprofundou recessão no 3º trimestre e a crise já dá sinais claros de estar se aprofundando, atingindo inclusive a Alemanha, que dá indicativos de estar caminhando para estagnação, o que afeta toda Europa.

Ao passo que o cenário macroeconômico empurra as cotações para baixo, o aperto dos estoques de café, somado à expectativa de que a safra brasileira 2012 não atinja 50,48 milhões de sacas (Conab), funcionaram como suporte e impediram maiores quedas.

As lavouras brasileiras andavam muito bem até junho, até que parte das regiões produtoras receberam um volume de chuvas acima da média, prejudicando tanto volume colhido como a qualidade dos grãos.

Segundo o Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab), a produção de café na safra 2012, no Paraná, atingiu 1,592 milhão de sacas, queda de 14% contra a 1,845 milhão de sacas colhidas em 2011. A área de café colhida em 2012 teve recuo de 10% contra 2010.

Samuel Henrique Fornari, trader de café e leitor do CaféPoint, ao andar pela região de São José do Rio Pardo/SP, observou um alto índice de botões florais que estão queimando antes de abrir a flor, além do amarelamento dos chumbinhos. Tais observações foram confirmadas por produtores de outros estados e podem comprometer a próxima safra. (Figura abaixo)

Figura 2


Em esclarecimento, o Engenheiro Agrônomo do Procafé Alysson Fagundes informou que as ocorrências estão relacionadas à falta de água e temperaturas elevadas, posteriormente ao ataque de fungos.

"Como será o pegamento da florada... Isso irá depender muito de região para região. Queimas pequenas deverão ser recompensadas em dezembro e janeiro, momento no qual a planta expulsa alguns chumbinhos excessivos. Por isso ainda não é possível definir com certeza os níveis de perdas", finalizou Alysson Fagundes.

Entre fatores altistas e baixistas, o mercado de café seguiu a semana em movimento lateral, registrando significativa queda no final do pregão de sexta-feira (26), rompendo o suporte de US$ 160,00/lb na bolsa de NY, fechando a US$ 157,70, próximo a mínima da semana (157,60).

Figura 3


A perda acumulada na semana foi de 480 pontos, com mercado oscilando de US$ 157,60 a US$ 165,70.

Na bolsa de Londres o movimento não foi diferente. A informação que as exportações de café do Vietnã cresceram 50% em termos de volume e receita no mês de outubro quando comparado ao mês anterior, pressionou as cotações.

A BM&FBovespa acompanhou as bolsas internacionais e perdeu 560 pontos na semana, fechando a sexta-feira a US$ 203,40/saca (dez/12), com máxima de 214,50 e mínima de 202,60 na semana, e poucos negócios.

Figura 4


O baixo volume de negócios nos mercados futuros e físico é resultado do esfriamento da demanda (torradores) causado pela expectativa inicial de que a safra brasileira ultrapassasse 50 milhões de sacas, somado ao baixo interesse de venda por parte dos produtores, que esperam preços mais altos para comercialização.

Dessa forma, observa-se que o volume de contratos de café em aberto na BM&FBovespa vem diminuindo. Em 25 de outubro o volume total de contratos em aberto era de 8.532, com redução de 844 desde o primeiro dia do mês.

Segundo informou o Deral, o índice de comercialização da safra 2012 de café chegava a 62% da produção total obtida até 22 de outubro, ante os 59% apontados uma semana antes.

Acredita-se que o volume colhido na safra 2012 seja suficiente para suprir a demanda interna e as exportações, e não para recuperar os estoques.

Contudo, o café segue influenciado principalmente pelas questões macroeconômicas, o que sugere cautela por parte dos agentes de mercado.

Especificamente ao produtor, vale ficar atento ao seu custo de produção. E baseado nisso, avaliar o bom momento para comercialização de seu café.
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Material escrito por:

Natália Sampaio Fernandes

Natália Sampaio Fernandes

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