BA: custo de insumos deve reduzir produção em 2009

Os cafeicultores do cerrado baiano acompanham a tendência nacional e mundial de retração econômica que deverá se refletir diretamente na produção e produtividade da próxima safra <br>no Estado. A estimativa da Associação dos Produtores de Café da Bahia (Assocafé) é que, este ano, a produção estadual não deve passar de 2 milhões de sacas, dentre outros fatores, pela aplicação reduzida de fertilizantes, que tiveram aumento superior a 100% de uma safra para outra.

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Os cafeicultores do cerrado baiano acompanham a tendência nacional e mundial de retração econômica que deverá se refletir diretamente na produção e produtividade da próxima safra
no Estado. A estimativa da Associação dos Produtores de Café da Bahia (Assocafé) é que, este ano, a produção estadual não deve passar de 2 milhões de sacas, dentre outros fatores, pela aplicação reduzida de fertilizantes, que tiveram aumento superior a 100% de uma safra para outra.

A previsão já era de uma safra menor do que a atual, estimada em 2,14 milhões de sacas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), devido ao ciclo da bienualidade da produção. De acordo com o presidente da Assocafé, João Lopes de Araújo, nas regiões que produzem café de sequeiro o atraso de 120 dias para o início das chuvas vai agravar ainda mais a situação, apontando para um cenário pessimista. Ele explica que essa estiagem retardou a florada em várias regiões para janeiro e fevereiro. "O que é muito tarde para o ciclo da cultura", diz.

No cerrado do oeste baiano, onde são cultivados 13.753 hectares de café do tipo arábica da variedade Catuaí vermelho 144, a florada é controlada através da irrigação, sistema que atinge 100% das lavouras cafeeiras da região. Mesmo com esse método que inclui o estresse hídrico, os frutos, que ainda estão verdes, não são homogêneos e se apresentam de diversos tamanhos.

Desvalorização

"Quando a variação é muito grande, o café sofre desvalorização no mercado pela influência dos grãos mais verdes no sabor do produto final", explica Lucas Favaro Garcia, presidente da Bahia Coffee, associação que reúne cafeicultores do cerrado baiano. Cafeicultor paulista, há cerca de quatro anos, ele investe na cafeicultura no oeste da Bahia e afirma que o setor se ressente dos preços baixos da saca de café nos últimos oito anos.

"(No preço atual) paga-se o custo, mas não remunera o investimento", reclama Favaro, destacando a produtividade da região, que chega a superar as 50 sacas/ha, enquanto que a média nacional é de 21,63 sacas/ha, segundo a Conab. Como maior dificuldade para este ano para o setor, ele destaca o custo da tonelada de uréia (fertilizante), que custava R$ 600, chegou a R$ 1.600 e agora estabilizou em R$ 950,00.

"Apesar da produtividade alta, pelo fato de ser toda irrigada, a cultura também demanda investimentos superiores às regiões de sequeiro", destaca Glauber de Castro. Cafeicultor de Minas Gerais, Glauber é dos novos investidores atraídos para a Bahia, principalmente pelas condições climáticas favoráveis, que induzem à produção já no primeiro ano após o plantio. Ele é otimista e para este ano espera que a saca alcance R$ 300, para compensar os recursos aplicados na cultura. As informações são do Jornal A Tarde/BA, resumidas e adaptadas pela Equipe CaféPoint.
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