Até o final de sua gestão, o Governo atual de El Salvador espera aumentar entre 767 mil e 1,15 milhão de sacas de 60 quilos a produção de café, através de seu projeto de renovação do parque cafeeiro que será lançado antes de maio. Aumentar a produção implica encontrar novos mercados para este produto que, tradicionalmente, é exportado para Alemanha, Estados Unidos, Japão e Canadá, disse a diretora executiva do Conselho Salvadorenho de Café (CSC), Ana Elena Escalante.
Por isso, ela afirmou que, nesse ano, espera intensificar a promoção de café salvadorenho em novos nichos e, um de seus objetivos, é Taiwan, país asiático com o qual El Salvador tem um tratado de livre comércio. A ilha não produz o grão e seu consumo é suprido com importações que, em 2010, chegaram a US$ 69 milhões.
No ano passado, Taiwan firmou com a China continental o Acordo Marco de Cooperação Econômica (ECFA, sigla em inglês), que lhe permite ser uma plataforma para que El Salvador entre nesse mercado, disse o ministro conselheiro da Embaixada de Taiwan no país, Andrés Liu. "Temos um forte investimento na China continental, temos nossos canais de venda e distribuição (nesse país) muito bem estruturados, algo que El Salvador não tem. Por isso, pode utilizar Taiwan como plataforma. Podemos comprar café salvadorenho, dar-lhe valor agregado e, depois, exportá-lo à China continental, sem pagar tarifas".
Um dos produtos com maiores possibilidades de ter êxito em Taiwan é o café. No entanto, esse potencial não tem sido explorado plenamente, apesar dos benefícios oferecidos pelo tratado de livre comércio. O consumo de café em Taiwan é um hábito novo, que tem se estendido especialmente entre os jovens. Até há quatro ou cinco anos, os taiwaneses começaram a preferir o "grão ouro", no lugar do chá, sua bebida tradicional. O costume se massificou muito mais há dois anos, quando cadeias como 7-Eleven começaram a vender o produto a preços mais acessíveis. Hoje, em Taiwain, se pode degustar uma xícara de café de US$ 0,85 até US$ 23. Assim, o café tem compradores garantidos em todos os níveis de renda.
A cada ano, as importações de café dessa ilha crescem entre 40% e 45%. Em 2010, cresceram 60% e totalizaram US$ 69 milhões, disse Liu. Dessas importações, apenas US$ 250 mi provieram de El Salvador, US$ 450 mil a menos do que normalmente Taiwan compra do país. Isso implica uma queda de 64%.
No ano passado, a Embaixada de Taiwan organizou a visita de sete companhias importadoras de café, que conheceram fazendas e benefícios salvadorenhos. Os empresários ficaram satisfeitos com a qualidade do grão cultivado em El Salvador.
"A sustentabilidade e a estabilidade em fornecer café a um mercado novo é indispensável", disse Liu, como uma primeira recomendação para que El Salvador garanta seu êxito, não somente em Taiwan, mas também, no resto dos nichos que deseja explorar.
Liu disse que, esse ano, Taiwan poderia importar até US$ 1 milhão, mas tudo dependerá, reiterou, da capacidade dos produtores locais de suprir essa demanda. A outra recomendação é intensificar a promoção. "O Conselho tem interesse de explorar e estabelecer novos mercados. Já firmou um convênio com a Associação de Café de Taiwan para fazer esforços de promoção".
A Embaixada de Taiwan prepara uma série de atividades para promover o café salvadorenho nesse país, disse Liu. Um desses projetos é trazer baristas taiwaneses para se capacitar no país com os baristas salvadorenhos que, nos últimos anos, têm se posicionado entre os 10 primeiros lugares do Campeonato Mundial de Barismo.
Junto ao CSC, a embaixada espera organizar visitas a fazendas de café, realizar jornadas de barismo. Com isso, espera-se que os baristas taiwaneses começarão a participar dos campeonatos internacionais utilizando café salvadorenho, para promovê-lo. Ainda não se estabeleceu a data para concretizar essa visita, mas Liu espera que seja realizada nesse ano, provavelmente durante a colheita de café.
Além desse projeto, também serão desenvolvidas feiras comerciais como em outros anos. Em junho, já se confirmou a participação de 10 exportadores, entre eles, um cafeicultor, para participar da feira Food Taipei, na capital de Taiwan. Em novembro, também se espera a visita de pelo menos seis companhias importadoras de café.
A reportagem é do ElMundo.com.sv, traduzida e adaptada pela Equipe CaféPoint.
Ásia, na mira do café salvadorenho
Até o final de sua gestão, o Governo atual de El Salvador espera aumentar entre 767 mil e 1,15 milhão de sacas de 60 quilos a produção de café, através de seu projeto de renovação do parque cafeeiro que será lançado antes de maio. Aumentar a produção implica encontrar novos mercados para este produto que, tradicionalmente, é exportado para Alemanha, Estados Unidos, Japão e Canadá, disse a diretora executiva do Conselho Salvadorenho de Café (CSC), Ana Elena Escalante.
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