Estudo apresentado por um grupo de pesquisadores da Embrapa e da Unicamp mostra que o aquecimento global afetará lavouras como as de café e reduzirá em milhões de toneladas a produção de várias commodities.
O estudo mapeia as mudanças para culturas essenciais para o agronegócio no Brasil, supondo um acréscimo de 1°C, 3°C e 5,8°C na temperatura e 15% a mais na chuva.
Arroz, milho, feijão e café sofreriam uma perda de 23% a 92% da produção porque o ambiente ideal para o plantio encolheria. "No futuro, vamos tomar café argentino", comentou um dos autores do estudo, o meteorologista Hilton Silveira Pinto, da Unicamp.
A perda para a economia seria imensa. A agricultura hoje responde por 21% do Produto Interno Bruto (PIB) ou US$ 153 bilhões. Só o café deixaria de contribuir com cerca de US$ 375 milhões com apenas 1°C a mais - cenário considerado seguro e certo em, no máximo, duas décadas.
Pinto diz que começou o trabalho cético sobre a urgência do problema. Em teoria, um aumento da concentração de gás carbônico (CO2) na atmosfera é benéfico para a planta, uma vez que o gás é utilizado na fotossíntese. Acontece que CO2 demais no ar significa efeito estufa, que aquece o planeta a níveis mal recebidos pela mesma planta.
A flor do café, por exemplo, aborta quando está quente demais e não há produção do grão. "Não acreditava que as mudanças climáticas estavam tão próximas, mas todos os indícios são positivos. O problema é realmente sério", destacou Pinto em reportagem de Cristina Amorim para O Estado de S.Paulo.
Entretanto, o estudo não assusta o governo. "Esses são estudos iniciais, muito incipientes. São um alerta, mas não que se tenha de tomar uma decisão neste momento", disse Ronir Carneiro, que trabalha na coordenação do zoneamento agrícola dentro do Mapa. "O zoneamento agrícola usa uma série histórica pela observação, não incorpora projeções", disse o secretário de Políticas Públicas do ministério, Edílson Guimarães.
A solução, segundo os autores, é a pesquisa e o desenvolvimento de variedades geneticamente modificadas adaptadas às novas condições climáticas. "Deve haver um gene aí que possa ser trabalhado em variedades novas", disse o co-autor do estudo, Eduardo Assad.
Aquecimento global pode afetar o setor cafeeiro
Estudo apresentado por um grupo de pesquisadores da Embrapa e da Unicamp mostra que o aquecimento global afetará lavouras como as de café e reduzirá em milhões de toneladas a produção de várias <i>commodities</i>
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