Após inverno rigoroso, falta de chuva afeta cafezais no Brasil

As chuvas de primavera previstas para os próximos dias nas principais regiões de café do Brasil chegarão em baixos e insuficientes volumes para estimular floradas, agrônomos consideram que a estiagem após um ano de frio intenso reduz o potencial produtivo das lavouras para a safra 12/13.

Publicado por: CaféPoint

Publicado em: - 3 minutos de leitura

Ícone para ver comentários 2
Ícone para curtir artigo 0

As chuvas de primavera previstas para os próximos dias nas principais regiões de café do Brasil chegarão em baixos e insuficientes volumes para estimular floradas, e agrônomos consideram que a estiagem após um ano de frio intenso reduz o potencial produtivo das lavouras para a próxima safra (2012/13).

A demora para a chegada das chuvas nesta época é uma preocupação para os produtores, mas neste ano os temores são maiores porque os pés de café estão debilitados pelas baixas temperaturas deste inverno, que causaram até geadas em algumas áreas, disseram à Reuters agrônomos de três cooperativas de importantes regiões produtoras de café arábica. "Este ano é um pouco diferente porque tivemos um inverno muito rigoroso e já são vários meses sem chuva, a umidade relativa do ar está muito baixa... então isso agrava mais as condições das lavouras", disse o gerente do Departamento Técnico da Cooxupé, Joaquim Goulart.

A Cooxupé, maior cooperativa de café do Brasil, situada no Sul de Minas, recebe por ano volumes equivalentes a mais de 10 por cento da safra de arábica do maior produtor mundial de café --em 2011/12 o Brasil produziu 43,15 milhões de sacas, sendo 31,9 milhões de sacas de arábica.

"O potencial (da próxima safra) está comprometido, mas não temos como avaliar esse impacto. Tem lavoura que sofreu geada, que vai ter uma quebra, mas isso só em dezembro teremos condição de analisar melhor", disse.

O Brasil encerrou a colheita de uma safra de baixa no ciclo bianual do arábica, e chuvas são fundamentais para que em 2012/13, um período de alta na produção, o Brasil possa colaborar para reabastecer um mercado global que sofre uma escassez, especialmente do grão de alta qualidade.
"Estamos saindo de uma colheita, a condição climática para a colheita foi boa porque não teve chuva, mas para a planta não é a condição ideal."

Segundo a Somar Meteorologia, as áreas de café de Minas Gerais e São Paulo, que respondem por quase 60 por cento da produção do arábica no país, recebem historicamente até 100 milímetros de chuvas em setembro, mas neste mês praticamente ainda não choveu nos cafezais.

A situação é semelhante a 2008, um ano de La Niña, fenômeno que normalmente atrasa a chegada das chuvas, e bem diferente do verificado no ano passado, quando ainda sob influência do El Niño, chuvas de 50 a 100 milímetros foram verificadas na região, segundo a Somar.

"Os mapas mostram uma semelhança com 2008. Lembro que 2009 e parte de 2010 tiveram influência do El Niño... A primavera começou... Uma frente fria chega à região, mas traz chuvas rápidas e de baixa intensidade no final de semana", disse a meteorologista da Somar Olívia Nunes, estimando um volume de chuva para o Sul de Minas de no máximo 5 milímetros.

Mais chuvas necessárias

Segundo agrônomos, para que os cafezais apresentem uma boa florada, são necessárias chuvas mais volumosas. "Precisa ter pelo menos de 30 a 40 milímetros de chuva para abrir a florada", afirmou o gerente técnico da Cooparaiso, Marcelo Moura Almeida, em São Sebastião do Paraíso, cuja cooperativa recebe aproximadamente 1 milhão de sacas por ano. "As lavouras estão bem abotoadas para abrir flores, mas está faltando chuva", acrescentou Almeida, lembrando que muitos cafezais perderam folhas dos ponteiros por causa do frio intenso.

O agrônomo também disse acreditar que parte dos cafezais está com o potencial prejudicado, por causa do frio e também devido à estiagem", especialmente aquelas lavouras localizadas em terrenos mais arenosos.

Roberto Maegawa, coordenador do Departamento Técnico da Cocapec, de Franca (SP), na Alta Mogiana, também vê redução no potencial produtivo. "Lavouras com potencial para 80 sacas, já vai dar 60, visualmente, mas é muito cedo para falar", declarou ele, ponderando que novos cafezais, com sistemas radiculares menos profundos, sofrem mais.

A Cocapec costuma receber cerca de 1 milhão de sacas por ano.

As informações são do Estado Online 23, adaptadas pela Equipe CaféPoint.
Ícone para ver comentários 2
Ícone para curtir artigo 0

Publicado por:

Foto CaféPoint

CaféPoint

O CaféPoint é o portal da cafeicultura no Brasil. Contém análises de mercado, perspectivas, cotações, notícias e espaço para interação dos leitores, além de artigos técnicos que abordam produção, industrialização e consumo de café. Acesse!

Deixe sua opinião!

Foto do usuário

Todos os comentários são moderados pela equipe CaféPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração.

João Carlos Remedio
JOÃO CARLOS REMEDIO

SÃO JOSÉ DOS CAMPOS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 28/09/2011

Atenção senhores produtores, a explosão dos preços do café será inevitável. Em outros tempos, 1985/1986 já ocorrera. Existe muita maquiagem neste mercado com a finalidade de comprar café barato e continuar a escravizar o produtor. O que nos deixa indignado é que os principais maquiadores são nossos, muitas vezes pagos com dinheiro público.

Acabamos de colher uma safra de ciclo baixo em que todos sabemos ser na prática menor do que o divulgado. A tão sonhada e já divulgada safra de 60 milhões de sacas para 2012/2013 ficará adiada.

Atravessamos um inverno com temperaturas muito baixas acompanhado de um déficit hídrico histórico que está aniquilando nossas lavouras; mesmo as que produziram pouco este ano.

Espero que com a chegada das chuvas tenhamos ainda uma boa floração seguida de pegamento para que possamos colher uma safra razoável, caso contrário, o mundo não terá café para beber mesmo nos momentos de crises, seja ela qual for.

Sorte a todos!
Willem Guilherme de Araújo
WILLEM GUILHERME DE ARAÚJO

GUAXUPÉ - MINAS GERAIS - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 26/09/2011

Nas últimas semanas tive a oportunidade de visitar lavouras nas principais regiões cafeeiras do estado de MG (Cerrado, Sudoeste, Sul - região de Três Pontas e Guaxupe) e o que pude ver são lavouras sofrendo com o estresse hidrico fortemente.

Uma pequena florada que se abriu no final de agosto está perdida e a próxima dependerá da recuperação das lavouras após as primeiras chuvas. Algumas lavouras também sofreram com a ferrugem tardia e desfolhamento consideravel.

Finalmente tivemos áreas que foram afetadas pela geada o que provou a queima de ramos superiores e até mesmo de toda a área foliar da planta. Com isso podemos prever uma safra inferior ao esperado para o ano de 2012, mesmo com a previsão de bom investimento por parte dos cafeicultores. Este ano a safra encerrou-se cedo nas áreas mecanizadas e isto contribuiu para que as lavouras não sofressem tanto desgaste, mas a maioria terminou já com influência negativa da ausência das chuvas. Torçamos para que ela não tarde, senão...