Análise: consequências da alta nos preços do café
Em 2010 a valorização do café arábica foi de 36,82%, e a do conilon de 10,51%. No mesmo período o café para o consumidor aumentou apenas 1,14%. De acordo com Jacques Carneiro, diretor da Carmo Coffees, algumas coisas vão acontecer diante dessas situações. "Nessa volatilidade, as indústrias vão mostrar a cara sem máscara, na qualidade do produto, no respeito ao seu consumidor." Diogo Ribeiro da Luz, da Bravo Café, comenta que o interessante é que, por um bom tempo, indústria tradicional e lavoura estavam carregando um "congelamento de preços" e, de outro lado o café na xícara, cujas vendas crescem, mais que dobrou de preço, senão triplicou em 9 anos.
Publicado por: CaféPoint
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De acordo com a análise, em janeiro de 2002, a relação de troca (quantos quilos de café no varejo são necessários para comprar uma saca) para o café arábica estava em 17,66 kg/saca. Atualmente, fevereiro de 2011, a relação de troca está em 46,71 kg/saca, apresentando menor poder de compra da indústria em relação a 2002.
Em 2010 a valorização do café arábica foi de 36,82%, e a do conilon de 10,51%. No mesmo período o café para o consumidor aumentou apenas 1,14%. Com o mercado tão firme e tendência de que a matéria-prima se valorize ainda mais ou se mantenha nos atuais patamares, muitos já estão fazendo repasse da alta para o consumidor.
De acordo com Jacques Carneiro, diretor da Carmo Coffees, algumas coisas vão acontecer diante dessas situações. "Nessa volatilidade, as indústrias vão mostrar a cara sem máscara, na qualidade do produto, no respeito ao seu consumidor, no planejamento financeiro das empresas e nas estratégias de aumento de marketshare.". De acordo com ele, muitas indústrias vão baixar qualidade e desrespeitar tudo aquilo que passaram um dia para o seu cliente. "Esse cliente não é bobo e vai sentir logo a baixa de qualidade no produto e vai migrar para outra marca"!, exclama Jacques.
Diogo Ribeiro da Luz, da Bravo Café, comenta que o interessante é que, por um bom tempo, tanto a indústria tradicional quanto a lavoura estavam carregando um "congelamento de preços" e, de outro lado o consumidor mostrando que aceitaria aumentos nos preços, sem reduzir o consumo. "Tanto é que o café na xícara, cujas vendas crescem, mais que dobrou de preço, senão triplicou nesses 9 anos e o consumo de cafés de doses, com uso de máquinas e custo por grama bastante maior, vem aumentando ano após ano".
Diogo avalia que mais curioso ainda é que, desde o início do atual ciclo de alta, as margens dos supermercados subiram antes dos preços das indústrias e a xicara de café aumentou 30 a 40%.
"E, se a xícara de café aumentou, certamente não foi por conta da matéria prima que vai nela, uma vez que o custo do café que está dentro dela é menor até que o valor isolado do aumento aplicado".
Diante dessas situações, como garantir sustentabilidade de toda cadeia? Participe deixando um breve comentário através do box de cartas abaixo.
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