Analisador de alimentos põe fim na fraude no café

A Embrapa Instrumentação e Café , de São Carlos (SP), desenvolveu um protótipo digitalizado, o "Analisador de Alimentos e Café - Alic-C", que é um passo seguro para coibir as diversas formas de fraude do café. Até mesmo com massas celulósicas como "palhadas" com as mesmas propriedades do café, ou seja, a borra do próprio café. O protótipo para laboratório, teve cinco anos de desenvolvimento e custo de R$ 12 mil. Não existe aparelho similar no mundo para análise do café, garante o físico e engenheiro elétrico Washington Luiz de Barros Melo, coordenador do projeto . Em 2010, ao tratar do projeto do "Alic-C", a Embrapa advertia que "o percentual de adulteração no pó de café chega, às vezes, a 85%, quando a legislação vigente só considera café puro o produto com até 1% de impurezas de cascas e paus".

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O "Alic-C" analisa amostras do café já torrado (processado na indústria) via esteptroscopia (levantamento de dados físico-químicos ) fototérmica: um facho de luz geradora de onda térmica atravessa a mostra do café em pó; o sensor acoplado em contato com a amostra capta o calor que é convertido em sinal elétrico; e, no final, é feita a leitura digital em computador. Na leitura são produzidos gráficos das impurezas (lixo, palha, serragens e até a borra de café), das estruturas químicas comparadas (da original com a outra) dos sais minerais, proteínas, açucares, aminoácidos (mais de 20 no pó do café), etc.

Washington Melo diz que uma micropartícula do café moído, ao ser molhado, libera todos os componentes da molécula e a massa celulósica passa a ser outra, exibindo "todas as contaminações (seus elementos naturais)". Mesmo tendo todas as propriedades, os "contaminantes" serão detectados quando misturados ao pó não usado. "Vai (a borra) contaminar a estrutura celulósica original. Se aparecerem, na análise, elementos de moléculas quebradas, houve a fraude", explicou.

O equipamento está com o pedido no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) desde 2003. Passada quase uma década, o registro esbarra na morosidade da autarquia.

O equipamento, então, dará um ponto final nas desculpas para a falta de "fiscalização com maior intensidade" da qualidade do café. Explicou que uma pessoa, pelos métodos existentes, demora quatro horas nas análises. "Com o analisador (Alic-C), o tempo de leitura é de 20 segundos", assegurou. O processo não é destrutivo e nem faz aplicação química. E foi além na exemplificação da importância do "Alic-C": para a Abic, que teria 1.500 associados, o analisador "fiscalizaria todas marcas até duas vezes por ano".
O equipamento já tem um parceiro para a fabricação comercial, a Quimis Aparelhos Científicos Ltda, de Diadema (SP), com 450 itens em fabricação (estufas, purificadores de água, agitadores, balanças de precisão, etc.). O gerente de Marketing da Quimis, Cassiano Luís Oliveira Baccarin, prevê que o aparelho entrará na linha de produção comercial em 90 dias - a partir de agosto.

A reportagem é de Naior Alméri, para Negócios S.A., resumidas e adaptada pela Equipe CaféPoint.
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