Os cafeicultores centro-americanos se comprometeram a não participar das negociações para um tratado comercial com a União Européia (UE), se o bloco exigir a implementação de uma norma de origem flexível para o grão, informou o Instituto Costarriquense de Café (Icafé).
A posição foi acordada em uma reunião na Costa Rica, em novembro, entre representantes do Icafé, da Associação do Café da Guatemala, do Conselho Salvadorenho de Café, do Conselho de Café da Nicarágua, do Instituto Hondurenho de Café e da Organização Centro-americana de Exportadores de Café, presidida por Carlos Borgonovo.
Após a reunião, cada grupo apresentaria a decisão para as autoridades comerciais de seus países. Estes países da América Central negociam conjuntamente um acordo de associação com a UE que inclui um convênio comercial. A sexta rodada de negociações se realizará em Bruxelas, ao final de janeiro de 2009.
Deryhan Muñoz, do Icafé, explicou que os cafeicultores discutiram sobre os possíveis prejuízos ou efeitos de permanecer excluídos do tratado e decidiram manter a exigência de que a regra de origem para o café deve ser estrita, de forma que ela indique o lugar de cultivo e da colheita. "Os maiores benefícios de uma dedução seria para o café torrado, cujas exportações são menores que 1% do total de toda a produção do setor, sendo assim, isso representaria muito pouco em relação às perdas que o setor poderia sofrer se as importações de cafés torrado e solúveis fossem abertas", explicou Muñoz.
Deryhan detalhou que se for permitida a regra de origem flexível, os europeus poderiam elaborar cafés solúveis a partir do grão adquirido em nações que o vendem muito mais barato do que as da América Central, para, assim, exportá-lo ao continente. "Isso afetaria todo o setor", destacou.
Na declaração foi ressaltada a importância que o setor cafeeiro tem para as economias da América Central e a necessidade de que, nas negociações deste acordo, não se estabeleçam condições que coloquem em risco a sustentabilidade futura da atividade cafeeira centro-americana.
Além disso, os assistentes foram claros em que, se não conseguirem a regra de origem que desejam, preferem manter-se na classe F, de produtos que requerem tratos especiais ou que simplesmente sejam excluídos. Na Costa Rica, o café é o quarto produto em relação às exportações para a UE, porém é o mais importante nas exportações totais da América Central para o bloco europeu. A reportagem é do Elpasotimes, com tradução do Centro de Inteligência do Café - CIC.
América Central mantém posição sobre o café ante UE
Os cafeicultores centro-americanos se comprometeram a não participar das negociações para um tratado comercial com a União Européia (UE), se o bloco exigir a implementação de uma norma de origem flexível para o grão que permitiria aos europeus elaborar cafés solúveis a partir do grão adquirido em nações que o vendem muito mais barato do que as da América Central, para, assim, exportá-lo ao continente, afetando todo o setor.
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