América Central impulsiona consumo local de café

Países produtores de café da América Central exportam a maior parte de seus grãos gourmet, mas o consumo local está aumentando graças a campanhas para abrir mais cafeterias e promover a preparação doméstica de café em países exportadores. À medida que os países produtores de café beberem mais café, as ofertas globais reduzirão, forçando o preço para cima.

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Os países produtores de café da América Central exportam a maior parte de seus grãos gourmet, mas o consumo local está aumentando graças a campanhas para abrir mais cafeterias e promover a preparação doméstica de café em países exportadores.

Em El Salvador, Nicarágua, Honduras e México, por exemplo, o consumo de café tem aumentado nos últimos anos, de acordo com a Organização Internacional de Café (OIC), à medida que os consumidores freqüentam mais cafeterias estilo norte-americanas e bebem mais café em casa e no trabalho.

As vendas internas ainda não caíram com os altos preços, que aumentaram bastante no começo deste ano. A cafeteria de luxo da Nicarágua, Cafe Latino, aumentou seus preços em 25% neste ano, sem prejuízo nas vendas, disse a supervisora da rede que tem 12 lojas, Cristina Lopez. A rede tem feito comerciais com ritmos latinos, promovendo as bebidas sabor café com creme, além de acesso grátis à internet em suas lojas.

A tendência indica uma mudança na região, onde até então o maior consumo é de café solúvel, de baixa qualidade, aguado e com muito açúcar. A OIC disse que o consumo doméstico dobrou durante a estação de 2007/08 em Honduras, um dos países mais pobres da América Central. "Este é um produto cuja apresentação é atrativa para pessoas da classe média e alta, com maior poder de compra", disse o produtor de café hondurenho e exportador, José Angel Saavedra.

Os preços do café não estão aumentando tão rápido quanto o de outros alimentos e da energia, o que ajuda a manter os novos consumidores, disse o conselheiro sobre impulso no consumo de café em países produtores da OIC, Carlos Brando.

O consumo per capita de café na região continua muito menor do que nos mercados tradicionais, como Estados Unidos e Europa. Na Nicarágua, o consumo é de cerca de 2 quilos de café por ano em média, comparado com o consumo de quase 10 quilos de café por ano em países escandinavos.

Se os preços do café continuarem subindo, o progresso feito no consumo interno poderá regredir. À medida que os países produtores de café beberem mais café, as ofertas globais reduzirão, forçando o preço para cima.

No Vietnã, o segundo maior produtor de café do mundo, o Governo planeja dobrar o consumo doméstico nos próximos sete anos, enquanto mantém a produção estável. Os preços de café na Índia estão aumentando à medida que aumenta o consumo de café.

Uma queda nas vendas locais de café já está ocorrendo na Costa Rica, tradicionalmente o maior consumidor de café da América Central. As vendas de café às torrefadoras domésticas costarriquenhas caíram 9,7% em 2006/07 com relação ao ano anterior. A reportagem é da Reuters.
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