Alta do dólar: via de mão dupla para o agronegócio

A desvalorização do real frente ao dólar vai causar impactos positivos e negativos no agronegócio de Minas Gerais e demais regiões produtoras do país. De acordo com especialista do setor, enquanto o rendimento gerado com as exportações de alguns produtos será ampliado, os custos de produção também ficarão maiores, já que grande parte dos insumos é importada.

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A desvalorização do real frente ao dólar vai causar impactos positivos e negativos no agronegócio de Minas Gerais e demais regiões produtoras do país. De acordo com especialista do setor, enquanto o rendimento gerado com as exportações de alguns produtos será ampliado, os custos de produção também ficarão maiores, já que grande parte dos insumos é importada.

De acordo com a coordenadora da assessoria técnica da FAEMG, Aline Veloso, o aumento do dólar irá estimular as exportações do agronegócio, já que amplia a competitividade dos produtos. A desvalorização do real frente ao dólar vem sendo observada desde 2013, e isso vem ocorrendo, segundo Veloso, devido à grande busca pela moeda norte-americana.

"Por um lado, a alta do dólar é positiva já que o setor é o que mais contribuiu para a balança comercial do país. Produzimos o suficiente para atender às demandas dos mercados interno e externo, o que é fundamental para gerar muitas divisas para o país. O agronegócio está sustentando as exportações e deve continuar a expansão este ano, já que teremos uma safra recorde", afirma Aline.

No entanto, diz ela, "ainda que o dólar alivie a situação do produtor, a valorização não garante a festa no campo, isso pelo fato de o setor depender muito de produtos importados". "Mas, ainda assim, continuaremos aferindo resultados positivos com o dólar nos patamares atuais, de R$ 2,42", avalia.

Para Aline Veloso, o interessante para o setor seria a estabilização da moeda. "De modo geral seria interessante que ocorresse a estabilização da moeda estrangeira, o que por enquanto não dá pra prever, já que depende da tomada de decisão do banco central americano, o Federal Reserve (Fed), e do posicionamento do Banco Central do Brasil. O momento é de tensão, a política econômica dos EUA ainda é incerta e existem dúvidas em relação á política do Brasil, principalmente a fiscal. Mas qualquer decisão a ser tomada pelos Estados Unidos irá impactar, de forma negativa ou positiva, nas economias dos países emergentes", frisa.

O doutor em economia aplicada e professor do departamento de Administração e Economia da Ufla (Universidade Federal de Lavras), Ricardo Pereira Reis, também concorda que com a desvalorização do câmbio, as exportações do agronegócio serão alavancadas, o que pode favorecer a balança comercial de Minas Gerais e do país.

"Em 2013, o grande responsável pelo crescimento das exportações brasileiras foi o agronegócio e a tendência é que assim se mantenha. Com a desvalorização do real, os produtos ganham maior competitividade, o que favorece as negociações. Mas é preciso ficar atento com o encarecimento dos custos, já que somos dependentes da importação de fertilizantes, máquinas, tecnologias, entre outros", alerta.

Setores

O superintendente de Política e Economia Agrícola da Seapa (Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), João Ricardo Albanez, também concorda que a variação do real frente ao dólar irá aumentar os custos de produção de toda a cadeia do agronegócio, porém, ele alerta que a rentabilidade promovida pelas exportações pode não chegar a todos os setores.

"A desvalorização do real em relação à moeda estrangeira tem dois aspectos. O primeiro é o aumento dos custos para todo o setor agropecuário, já que somos dependentes da importação de fertilizantes, agrotóxicos, vitaminas e medicamentos. Já o segundo aspecto é que somente os produtores que exportam terão condições de acessar um mercado mais atraente e, mesmo assim, pode ser que não obtenham um preço tão remunerador a ponto de cobrir o aumento dos custos", disse Albanez.

Segundo Albanez, produtos como a soja, o complexo das carnes e o café podem ter as negociações impulsionadas, devido à melhor competitividade. Por outro lado, os agrotóxicos, fertilizantes, vacinas e medicamentos para os rebanhos terão os preços corrigidos em função do dólar.

As informações são do Diário do Comércio, adaptadas pela equipe AgriPoint
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Carlos Henrique
CARLOS HENRIQUE

GOIANÉSIA - GOIÁS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 06/02/2014

Excelente artigo, Parabéns.

Gostaria de fazer uma pergunta aos Consultores do Milkpoint.

Diante da crise Econômica na Argentina, que reflexos podemos ter na Pecuária de Leite aqui no Brasil??????????????